Café da Serra de Baturité conquista indicação geográfica e reforça tradição centenária

Por Redação Newslink 24/03/2026
Café da Serra de Baturité conquista indicação geográfica e reforça tradição centenária

Reconhecimento nacional valoriza produção em sistema agroflorestal e inclui 13 municípios do maciço cearense na certificação

Por Redação NewsLink

O café produzido na Serra de Baturité, no Ceará, conquistou o registro de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência (IP), reconhecimento que atesta a origem e as características específicas do produto. O anúncio foi feito no início de março e coloca a região entre as áreas oficialmente reconhecidas pela tradição e qualidade na produção cafeeira no Brasil.

Com a certificação, o país passa a contar com 23 Indicações Geográficas voltadas ao café. A Serra de Baturité, localizada a cerca de 100 quilômetros de Fortaleza, reúne 13 municípios na delimitação oficial da IG, entre eles Baturité, Guaramiranga e Pacoti, historicamente ligados à produção do grão.

A cafeicultura na região remonta ao século XIX, quando o cultivo do café arábico foi introduzido e rapidamente se adaptou ao clima ameno e úmido das áreas montanhosas. Ao longo das décadas, a atividade impulsionou o desenvolvimento econômico local, especialmente entre os anos de 1840 e 1910, período em que o café chegou a superar o algodão em importância econômica no estado.

Produtores de café da área serrana, que reúne 13 municípios e mantém tradição cafeeira baseada no cultivo sombreado em sistema agroflorestal | Foto: Sebrae

A expansão da produção foi acompanhada por melhorias na logística, como a implantação da Estrada de Ferro de Baturité, que facilitou o escoamento do café até o porto de Fortaleza, de onde era exportado para a Europa. No entanto, práticas como o cultivo a pleno sol e o desmatamento contribuíram para o desgaste do solo e a posterior retração da atividade.

Nas décadas de 1960 e 1970, políticas do extinto Instituto Brasileiro do Café (IBC) impactaram diretamente a produção local, com medidas que incentivaram a erradicação de lavouras consideradas pouco produtivas. Após esse período, a cafeicultura na região foi gradualmente retomada com base em práticas mais sustentáveis.

Atualmente, a Serra de Baturité é reconhecida pelo cultivo de café sombreado, em sistema agroflorestal, que integra a lavoura com a vegetação nativa. Para receber o selo da Indicação Geográfica, o café deve ser cultivado nesse modelo, além de passar por colheita manual e seletiva, garantindo padrões específicos de qualidade.

A certificação reforça não apenas a identidade do produto, mas também a valorização de práticas agrícolas sustentáveis e da tradição histórica da região, que mantém viva a produção cafeeira ao longo de mais de um século.

Veja também