Burnout e saúde mental: um alerta reforçado pelo Setembro Amarelo

Por 08/09/2025
Burnout e saúde mental: um alerta reforçado pelo Setembro Amarelo

O estresse extremo e a exaustão no trabalho podem trazer riscos graves, assim, reconhecer sinais e buscar apoio é essencial para prevenir consequências fatais

Por Laíssa Esmeraldo

A campanha Setembro Amarelo é reconhecida mundialmente como o mês dedicado à conscientização e à prevenção do suicídio. Nesse contexto, ganha cada vez mais destaque a discussão sobre saúde mental, especialmente em torno da Síndrome de Burnout — condição relacionada ao estresse crônico e ao excesso de trabalho, que pode trazer consequências graves e, em casos extremos, levar ao suicídio.

A psicóloga especialista em suicidologia, Liza Studart, destaca que essa situação de burnout se instala silenciosamente devido à dificuldade de identificar sinais e sintomas, além do preconceito quando o assunto é a saúde mental.

“É comum ver pessoas ultrapassando seus limites à qualquer custo, sem olhar para os sinais que o seu corpo está dando. Por isso, é importante falar sempre sobre prevenção, pois quando se chega ao estado extremo do burnout, o corpo já está exaurido e o tratamento exige mais tempo e atenção”, explica a psicóloga. 

Esses sintomas surgem de forma sutil, aos poucos, mas tendem a se agravar com o passar do tempo. Por isso, muitos acreditam que pode ser apenas uma indisposição. Pode ser algo passageiro, como pode ser, também, o início da síndrome de burnout.

Com a vida cada vez mais atribulada, muitos brasileiros estão sofrendo de Síndrome de Burnout | Foto: Freepik

A Síndrome de Burnout, termo em inglês que significa “queimar até a exaustão”, ou “esgotamento”, é um distúrbio emocional caracterizado por apresentar sintomas de exaustão intensa, estresse e esgotamento físico e mental, associados a uma rotina de trabalho extenuante e desgastante. É uma doença comum em profissionais que lidam com a pressão extrema e que possuem altas responsabilidades.

Quando não reconhecido e tratado, esse quadro pode evoluir para consequências ainda mais graves. O esgotamento crônico e a estafa constante podem levar a quadros de depressão e sentimentos de desesperança são fatores de risco relacionados ao suicídio, diz a psicóloga Liza. Pensamentos como “eu queria sumir”, “gostaria de dormir e não acordar mais”, ou “queria desaparecer”, são sinais de alerta e, ainda que não tenha ideação suicida de fato, o sofrimento existe e precisa ser acolhido e tratado, destaca a psicóloga. 

O tema vem conquistando o devido espaço no ambiente profissional. Iniciativas que cuidam do emocional dos colaboradores, cada vez mais, são implementadas nas empresas. Medidas como apoio psicológico ou a busca pela construção de um ambiente amistoso são estratégias básicas essenciais. Mais do que garantir a produtividade, é fundamental reconhecer que o bem-estar emocional dos trabalhadores é a base para relações profissionais equilibradas.

Diante desse cenário, a orientação é clara: buscar apoio especializado e não enfrentar essa dor em silêncio. É o que aconselha Liza. Setembro Amarelo se torna o cenário perfeito para entender que precisamos ser acolhidos no sofrimento, seja ele qual for. “Ninguém precisa passar pelos seus infernos sozinhos. Existem pessoas que querem ouvir e atravessá-los”, lembra a psicóloga.

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