Breach: Twenty One Pilots reflete a importância da saúde mental neste Setembro Amarelo

Por 15/09/2025
Breach: Twenty One Pilots reflete a importância da saúde mental neste Setembro Amarelo

A saga de Clancy em sua luta contra os bispos de Dema resgata temas e alegorias ao acompanhamento psicológico e os desafios de uma mente perturbada

Por Teo Freitas

O novo álbum do duo norte-americano Twenty One Pilots, Breach, marca o epílogo da saga de Clancy. A trama, que circula no personagem de mesmo nome, tem sido o tema principal da banda nos últimos dez anos. O álbum foi lançado na última sexta-feira, 12, e representa o quinto capítulo da “lore”, que acompanha a discografia numa trajetória de mais quatro álbuns: “Trench” (2018), “Scaled and Icy” (2021), “Clancy” (2024) e, agora, “Breach” (2025).

Desde o começo da carreira musical, Tyler Joseph tem se dedicado a abordar temas relacionados à saúde mental no seu trabalho artístico. Os primeiros álbuns da banda tinham como principal inspiração os sofrimentos e desafios pessoais de Tyler. Com o tempo, esses desafios passaram a tomar forma, especificamente a partir de 2015: o lançamento de “Blurryface” (que celebrou seu aniversário de uma década em maio deste ano) inicia a saga de Clancy.

Na história, Clancy  (interpretado nos clipes pelo próprio Tyler) é morador de Dema, uma cidade circular controlada pelo autoritário Nico e os Nove Bispos. Fatigado pelas pressões sociais impostas por Nico, Clancy decide fugir: fora dos muros de Dema, há o continente de Trench, e nele, habitam os Banditos: antigos fugitivos de Dema, que acolhem Clancy e veem nele uma potência capaz de rivalizar com Nico e derrubar os Bispos do poder.

Sendo o quinto capítulo da saga, Breach traz mais foco na figura do Torchbearer (interpretado pelo baterista Josh Dun), o líder dos Banditos e principal aliado de Clancy. O protagonismo de Torchbearer serve para ampliar a dimensão dos problemas de saúde mental. Ao decorrer da saga, ele e os Banditos têm o papel de proteger Clancy e treiná-lo, quase como seus “cuidadores”. 

Cena de “City Walls”, onde Clancy confronta Nico e a ligação entre os dois

Breach é o primeiro álbum que eles lançam no mês de setembro, e isso carrega um grande peso no subtexto que é representado na música: apesar do setembro amarelo ser uma campanha brasileira, o mês de setembro carrega um forte significado ao redor do mundo por ser associado ao Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio (10/09).

Para Twenty One Pilots, a data tem um significado especial: antes mesmo da fama, Tyler recebia mensagens de jovens que também eram vítimas da ansiedade e da depressão, os “males do século”. A proximidade entre a banda e seus fãs criou uma comunidade (apelidada de “clique”) que tem como princípios a união e o apoio. Essa preocupação com os fãs já foi tema de músicas no passado (“Guns for Hands” e “Heathens”), e a principal gratidão nos créditos do clipe de “City Walls”.

Ainda sobre o clipe, esse é o mais longo que eles já lançaram produziram: 9 minutos e 54 segundos. Foi lançado concomitantemente ao álbum e narra o epílogo dessa saga com reviravoltas e revelações: a razão pela qual Clancy é imune aos poderes de Nico e sua relação com o mesmo, o que o desperta conflitos pessoais. 

O final revela que a batalha de Clancy contra os Bispos não é uma linha reta, mas sim, um ciclo que é suscetível a falhas. Apesar do final incerto, a mensagem passada é clara: a importância da saúde mental não está na cura, mas sim nas nossas lutas e nas pessoas que não desistem de nós, representadas na trama pelo Torchbearer. 

A razão porque Clancy recusa o macacão na capa do disco revela nada mais que a dualidade do ser humano. Nem sempre somos fiéis a nós mesmos e podemos cair, mas quando temos aliados, podemos nos levantar e ter força para continuar.

Além da rica simbologia, o disco também traz diversos elementos musicais: em relação aos lançamentos anteriores, o som do álbum é bem mais marcado pelo rock. As músicas são acompanhadas por ritmos acelerados e batidas pesadas. 

Imagem promocional, com Josh e Tyler simulando uma cena do primeiro single “The Contract”

Até mesmo canções como “Downstairs”, marcada por tempos desacelerados, desfrutam de pontes para momentos mais intensos. Este efeito ocorre muito graças ao baterista Josh Dun. Josh também foi homenageado com a faixa “Drum Show”, que Tyler escreveu como um ode ao seu parceiro de mais de uma década. 

Twenty One Pilots são conhecidos também pela sua experimentação com diversos ritmos e estilos. Com Breach, a banda atinge um leque ainda mais elevado, flertando com variados gêneros como hip-hop, eletrônica, disco, R&B e até mesmo jazz. 

Além disso, uma forte influência do emo e do pós-punk, movimentos que serviram de inspiração para Tyler e Josh em sua carreira. Esse ecletismo musical é o que destaca a banda como um clássico moderno, e um elemento essencial que marca o fim de um ciclo.

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