Estado reforça a rede de saúde bucal com novos equipamentos, e busca contornar desafios para ampliar o acesso da população a cuidados essenciais P
Estado reforça a rede de saúde bucal com novos equipamentos, e busca contornar desafios para ampliar o acesso da população a cuidados essenciais
Por Laíssa Esmeraldo

O Ceará vem ampliando os serviços de saúde bucal e fortalecendo a rede de atendimento à população. Em meio a avanços e desafios, fica ainda mais evidente o papel essencial dos profissionais que sustentam essa estrutura. Atualmente, o estado dispõe de diferentes iniciativas voltadas à redução de obstáculos que dificultam o acesso pleno aos cuidados odontológicos.
A dentista Sinhara Garcia, gerente Especial de Saúde Bucal de Fortaleza, lembra que o cuidado com a saúde bucal não costumava ser prioridade. Mas, hoje, este zelo diz respeito a uma necessidade, por se tratar de um direito essencial ao ser humano e que faz parte da dignidade humana. Tratamentos odontológicos deixaram de ser um programa para ser uma política nacional.
A Política Nacional de Saúde Bucal, o Projeto Sorridente, busca expandir o acesso a serviços odontológicos gratuitos e de qualidade para a população. Ela reorganiza e melhora as ações para promoção, prevenção e recuperação da saúde bucal.
A implementação de equipes especializadas e a criação de Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs), unidades do SUS que oferecem serviços odontológicos especializados, como tratamento de canal, próteses, periodontia e cirurgias, complementando a atenção primária de saúde bucal.
As políticas públicas implementadas no Ceará seguem o que determina o Projeto Sorridente, que quer ampliar o acesso a serviços odontológicos no SUS, com foco na atenção primária e especializada. Ações incluem a implantação de CEOs e Unidades Odontológicas Móveis (UOMs), que são consultórios montados para atendimento odontológico completo, destinados às áreas mais remotas do estado.
Atualmente, a rede estadual conta com 25 CEOs que garantem o acesso dos cearenses aos serviços relacionados à saúde bucal. Três localizados em Fortaleza e outros 22 distribuídos pelo Interior do estado. Estes centros reduzem a necessidade de longos deslocamentos pelos municípios para conseguir atendimento.
E, para maior cobertura de tratamento bucal no estado, o governo federal, em agosto, entregou ao Ceará 23 UOMs, para atendimentos às populações que não têm acesso fácil aos serviços. As UOMs atenderão 23 municípios cearenses. Foi um investimento de cerca de R$ 8,7 milhões.
Na ocasião, o governador Elmano de Freitas, em discurso, falou sobre o investimento: “As unidades odontológicas móveis do programa Brasil Sorridente fortalecem a política de atenção básica, permitindo que os cearenses possam realizar consultas, exames e procedimentos sem precisar se deslocar para lugares mais distantes. (…) Seguimos juntos, Estado e União, garantindo mais dignidade e qualidade de vida para os cearenses”.

Os números, no entanto, não correspondem à realidade. Apesar dos esforços e dos investimentos, o acesso aos serviços de saúde bucal ainda deixa muito a desejar. O cidadão deve se dirigir às Unidades Básicas de Saúde (UBS) para triagem e, se for possível, tratar aqueles casos mais simples. Em se tratando de casos mais específicos, a UBS os direcionam para um CEO.
Sobre esse procedimento, a empregada doméstica Maria Iara Gadelha afirma enfrentar dificuldades para conseguir agendar uma consulta. Ela diz que, para marcar, é necessário uma senha e que, para isso, precisa madrugar na fila. “Tenho que me levantar às 4 horas da manhã para agendar uma consulta para o dentista. É pra quem tem sorte mesmo. A gente chega e, às vezes, nem senha suficiente tem”, relata.
Além da dificuldade em conseguir consultas, a dentista destaca alguns problemas, normalmente, ligados à estrutura. Cadeiras, autoclaves e compressores frequentemente apresentam problemas. “A falta de uma manutenção preventiva adequada agrava a situação e compromete a continuidade dos atendimentos”, diz.
Mesmo assim, acredita que os cuidados com a saúde bucal vão melhorar não só no Ceará, mas em todo o Brasil. “Com a política nacional de saúde bucal melhoram os investimentos e fortalecem as equipes. O reconhecimento dos profissionais de saúde bucal pode nos favorecer”.
Frente às limitações atuais, os investimentos na adoção de medidas eficazes vêm promovendo avanços reais quando se fala de saúde bucal. A ampliação dos serviços e o fortalecimento das equipes devem tornar o atendimento mais democrático e acessível, garantindo esse direito a todos os brasileiros.
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