Desligamentos obrigaram CEO da Apple, Tim Cook, a reforçar pacotes de remuneração para reter talentos, Davi Rocha, professor da Universidade de Forta
Desligamentos obrigaram CEO da Apple, Tim Cook, a reforçar pacotes de remuneração para reter talentos, Davi Rocha, professor da Universidade de Fortaleza, comenta o caso
Por Leonardo Piccinini

Modelo de estabilidade no Vale do Silício por décadas, a Apple vive debandada inédita de altos executivos, engenheiros e braços direitos do CEO Tim Cook. O movimento acontece enquanto a empresa caminha justo no território que define o futuro da tecnologia: a inteligência artificial.
Só na última semana, os chefes de I.A, John Giannandrea, e de Design de Interface, Alan Dye, se demitiram para reforçar concorrentes – como Meta e OpenAI. Além disso, a diretora jurídica e o chefe de Assuntos Governamentais também se desligaram da empresa, o que pode significar uma nova direção no mercado tecnológico.
Davi Rocha, empreendedor, consultor de marketing digital e professor da Universidade de Fortaleza (Unifor), considera que a debandada para a concorrência sinaliza que a Apple está vivendo um momento desafiador. “Especialmente pelas apostas que ela fez ou deixou de fazer em tecnologias de ponta, mas que talvez fossem de ponta demais pela postura da Apple de nunca entrar em um barco sem que este barco já fosse uma tecnologia consolidada”, explica.
“Quando se é uma empresa trilionária, você pode jogar com o tempo a seu favor”. O professor relembra o caso da Microsoft, que passou anos esperando o momento de uma nova tecnologia surgir – o que gerou o investimento bilionário na OpenAI. “Não vejo um indicativo de que a Apple passou de sua fase. Acho que é o momento da empresa aprender com os erros, renovar o quadro de executivos, diretores e desenvolvedores de software voltados para a inteligência artificial, e quem sabe voltar ainda mais poderosos em um futuro próximo”, indica.
Rocha se mostra preocupado, porém, com uma mudança de postura da empresa em prol de uma política de uso de inteligência artificial mais agressiva e nociva à questões de privacidade. “Privacidade era o foco da empresa e justificava o investimento em um aparelho caro. Talvez a gente esteja percebendo uma mudança na percepção da Apple em relação ao que o cliente precisa. Talvez menos privacidade no futuro e mais I.A, mais sofisticação de machine learning e de tecnologias que exigem que o aparelho seja menos seguro”, explica o professor.
“Acho que a novela ainda não chegou ao final”, opina. Rocha considera que no futuro a empresa vai ingressar mais ativa na área de inteligências artificiais com algo para rivalizar com as concorrentes. “Muito se fala sobre a compra de empresas inteiras, como a Perplexity, Anthropic e até mesmo Google – no sentido do licenciamento de tecnologia para que a nova versão da Siri seja produzida através de uma parceria com o Google Gemini AI”, esclarece.

Foto: Arquivo pessoal
O professor ressalta que a Apple é uma empresa madura e bem relacionada no mercado, que comprovou por mais de vinte anos que entende o mercado de tecnologia, mesmo que esse mercado esteja se movendo mais rápido do que ela consiga dar conta. “Quem entende de tecnologia do ponto de vista mercadológico, continua apostando no futuro da Apple e no sucesso da empresa”, argumenta.
Rocha finaliza sinalizando, porém, que muitas coisas precisam mudar. “Essa premissa ainda é algo muito distante da realidade que vemos hoje, de uma Apple acuada, mas ainda assim, extremamente poderosa”.
O CEO Tim Cook insiste que a Apple trabalha no portfólio de produtos mais inovador de sua história, com expectativa de incluir iPhones e iPads dobráveis, óculos inteligentes e robôs. A empresa, contudo, não lança uma nova categoria de sucesso há uma década. Isso a deixa vulnerável à concorrentes mais ágeis, capazes de desenvolver a próxima geração de dispositivos baseados em IA.
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