Após quatro anos, relatório da ONU aponta saída do Brasil do Mapa da Fome

Relatório “Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo” também alerta para o aumento do preço dos alimentos  Por Eduarda Morais Foto:

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Relatório “Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo” também alerta para o aumento do preço dos alimentos 

Por Eduarda Morais

Foto: Lyon Santos/MDS

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) anunciou, na segunda-feira, 28, que após quatro anos, o Brasil saiu oficialmente do Mapa da Fome. 

De acordo com o índice PoU (sigla em inglês para Prevalência de Subnutrição), entre o período de 2022 a 2024, o país ficou abaixo do limite estabelecido pela FAO, de 2,5%. A estimativa é feita através do cálculo da quantidade de alimentos disponíveis, distribuição para a população, e valores nutricionais. 

Esta é a segunda vez que o Brasil alcança o índice. A primeira foi no ano de 2014, tendo regredido no ano de 2021.

Segundo o relatório “Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo”, apesar do avanço no combate à fome, apenas 23,7% dos brasileiros conseguiram manter uma dieta saudável. Em 2024, apenas um terço da população global conseguiu manter uma dieta saudável, com o consumo regular de alimentos como grãos, proteínas animais, e vegetais.

Já o consumo de alimentos ultraprocessados vem crescendo, mesmo com evidências de seus impactos na saúde humana. De acordo com o relatório, a ingestão de alimentos produzidos com corantes, aromatizantes e açúcares, foram responsáveis pelo aumento de doenças como a diabetes, certos tipos de câncer, e a obesidade.

O principal fator para o aumento no consumo de ultraprocessados é o seu baixo custo, quando comparado a alimentos saudáveis. Em 2021, alimentos ultraprocessados ficaram 47% mais baratos do que alimentos não ou minimamente processados, enquanto ficaram 50% mais baratos em comparação a alimentos processados. 

O relatório também apontou os impactos da inflação dos alimentos nos países mais pobres. Enquanto a média global chegou a 13,6% em janeiro de 2023, países de baixa renda sofreram um impacto de 30% no mesmo ano.

O índice também reflete no aumento da insegurança alimentar em países de baixa renda. De acordo com o relatório, houve um aumento de 3,5% na insegurança alimentar destes países, acompanhado de um crescimento de 1,8% de insegurança alimentar severa.

Segundo os autores do relatório, os países de baixa renda sofrem, de forma desproporcional, com o aumento no valor dos alimentos, desnutrição, e a insegurança alimentar. 

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