Após decisão judicial, Sport e Fortaleza vão jogar com presença de torcedores nesta terça

Por 04/02/2025
Após decisão judicial, Sport e Fortaleza vão jogar com presença de torcedores nesta terça

Determinação do governo estadual veio após cenas de guerra que torcidas organizadas causaram nas ruas de Recife no último sábado, primeiro de fevereiro

Por Leonardo Piccinini

Dias após a barbárie generalizada causada pelas torcidas de Sport e Santa Cruz pelas ruas de Recife, que deixaram, ao menos, 13 feridos, uma decisão judicial derrubou a portaria determinada pela Governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, quanto à proibição de torcida nos próximos jogos dos dois clubes. Na prática, cada um dos dois times iriam jogar cinco partidas com portões fechados. 

O mandado de segurança, porém, foi deferido nesta segunda-feira, 3, em resposta a um pedido do Sport – que havia informado que iria judicializar o caso, após a proibição do governo estadual. 

Foto: Reprodução / Redes Sociais

Em sua decisão, o desembargador Fernando Cerqueira Norberto dos Santos, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), apontou que os episódios de violência são uma “questão de segurança pública” e aconteceram em diversos locais do Recife, horas antes do confronto entre os times, e fora das imediações do estádio. 

Para o advogado Djacir Cordeiro, a própria justiça e o aparato de segurança pública de Pernambuco dificultam a individualização das condutas pela sua completa ineficiência. “Honestamente, é uma decisão política que se segue a reiteradas passadas de mão na cabeça do Judiciário Brasileiro ao Sport Club do Recife, em face da incapacidade do clube e do governo de Pernambuco em controlar os torcedores”. Ele diz, ainda, considerar o Sport conivente, na medida que é incapaz de manter um controle mínimo da situação. “O clube não tem culpa pela carnificina que antecedeu ao clássico deste sábado, mas é sabido que procura cultivar relações com esta torcida organizada, a despeito de seu histórico de barbaridades generalizadas”, explica.

Quando questionado sobre as consequências da queda da portaria, que podiam servir de incentivo para que os comportamentos se perpetuem, Cordeiro foi pontual: “Não acho que essas pessoas precisem de incentivo para brigar”. O advogado considera, porém, que a decisão prolonga uma cultura de impunidade generalizada que faz esses conflitos escalarem cada vez mais. “A gravidade do ocorrido demanda medidas excepcionais, e é no mínimo insensato que se suspenda a portaria na iminência de um confronto entre dois times que têm um histórico pesado de disputas entre si”, finaliza.

Foto capa: Leonardo Moreira / Fortaleza EC

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