Analfabetismo cai, mas desigualdades persistem na educação do Ceará, revela IBGE

Dados da PNAD Contínua de 2024 apontam avanços na escolaridade da população, mas ainda mostram desafios ligados à cor, gênero e faixa etária Por L

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Dados da PNAD Contínua de 2024 apontam avanços na escolaridade da população, mas ainda mostram desafios ligados à cor, gênero e faixa etária

Por Luís Eduardo Nunes

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

A edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, em junho de 2025 com dados de 2024, mostra que o Ceará registrou uma taxa de analfabetismo de 11,7% entre pessoas com 15 anos ou mais — o equivalente a 867 mil pessoas. O levantamento, realizado em todo o estado, também aponta aumento na escolaridade da população, mas revela que desigualdades por idade, gênero e raça continuam marcando o cenário educacional cearense.

O Ceará tem hoje 867 mil pessoas analfabetas com 15 anos ou mais, segundo a PNAD Contínua 2024. A taxa de analfabetismo do estado (11,7%) representa uma redução em relação aos 14,3% registrados em 2016. Entre idosos (60 anos ou mais), o índice é de 31,6%. Na faixa de 40 anos ou mais, é de 20,8%; e entre pessoas com 25 anos ou mais, de 14,1%.

Na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), a taxa de analfabetismo é menor: 6,6%, com 219 mil pessoas. Houve redução de 0,8 ponto percentual desde 2016. A queda foi maior entre os homens (de 8,7% para 6,9%) do que entre as mulheres (de 6,2% para 6,3%).

Entre os recortes por cor ou raça, os pretos e pardos seguem com os maiores índices: 12,5% são analfabetos, frente a 9% dos brancos. A diferença é mais acentuada entre os idosos: 35% dos pretos e pardos com 60 anos ou mais não sabem ler nem escrever, contra 22,8% entre os brancos.

Foto: Freepik

Na educação básica, os dados mostram que 46,1% da população com 25 anos ou mais concluiu o ensino médio ou superior, maior patamar desde o início da série histórica em 2016, quando o índice era de 35,2%. A proporção de pessoas sem instrução nessa faixa etária caiu de 15% para 11,4% no mesmo período.

Mulheres seguem com maior nível de escolaridade formal que os homens: 15,3% delas concluíram o ensino superior, contra 12,3% dos homens. Já no índice de pessoas sem instrução, a situação se inverte: 13,2% dos homens não têm nenhum ano de estudo formal, frente a 9,9% das mulheres.

A média de anos de estudo também reflete essas desigualdades: mulheres com 15 anos ou mais estudaram, em média, 9,4 anos, enquanto os homens estudaram 9 anos. Em Fortaleza, no entanto, os homens têm escolaridade média ligeiramente maior: 11 anos, contra 10,6 das mulheres.

A presença escolar na primeira infância (0 a 5 anos) apresenta alta nos índices entre 4 e 5 anos, com 95,8% das crianças nessa faixa frequentando escolas ou creches. Já entre 0 a 3 anos, a taxa é de 39,4%. Para crianças de 6 a 14 anos, 93,3% estão no ensino fundamental — menor índice desde 2016. Entre os adolescentes de 15 a 17 anos, 83,4% frequentam ou já concluíram o ensino médio. Já na faixa etária de 18 a 24 anos, 27,5% estão escolarizados, mas só 23,1% estão na etapa adequada, ou seja, no ensino superior.

O levantamento também mostra que 26,8% dos jovens cearenses de 15 a 29 anos não estudam, não trabalham e não estão em processo de qualificação profissional — um total estimado de 560 mil pessoas. A taxa é maior entre mulheres (33,7%) e entre pretos e pardos (28,3%).

A PNAD Contínua 2024 apresenta um panorama detalhado sobre o nível de instrução da população cearense e revela tanto os avanços registrados nos últimos anos quanto às desigualdades persistentes entre diferentes grupos sociais e regiões do estado.

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