8 filmes que abordam as relações das classes trabalhadoras na sociedade 

Por 30/04/2025
8 filmes que abordam as relações das classes trabalhadoras na sociedade 

O NewsLink separou grandes obras do cinema que têm a ver com a data comemorada nesta quinta-feira, 1º. Confira a lista e onde assistir

Por Pablo Santos

O 1º de Maio, celebrado como Dia do Trabalho, de acordo com a legislação brasileira, representa uma tradição histórica de resistência e conquista dos direitos dos trabalhadores ao redor do mundo. A data simboliza o enfrentamento coletivo contra a exploração promovida por patrões, governos e sistemas judiciais, marcando a união das classes trabalhadoras em busca de justiça e dignidade.

A origem da data remonta ao final do século 19, quando, em 1886, milhares de operários tomaram as ruas de Chicago, nos Estados Unidos, para exigir a redução da jornada de trabalho de até 13 horas para 8 horas diárias. A mobilização, que ficou conhecida como Revolta de Haymarket, resultou em confrontos violentos com a polícia, deixando mortos, feridos e presos.

Em homenagem à coragem desses trabalhadores, o Congresso da II Internacional Socialista, realizado em Paris, oficializou o 1º de Maio como o Dia Mundial do Trabalho. A data é amplamente comemorada em países da América Latina, Europa, Ásia e África, sendo um momento de reflexão sobre as condições laborais ainda desiguais em muitas partes do mundo.

No Brasil, o 1º de Maio ganhou contornos simbólicos durante o Estado Novo, sendo usado como ferramenta de propaganda governamental, e fortaleceu-se nas décadas de 1970 e 1980 com o crescimento dos movimentos sindicais. 

“Que Horas Ela Volta?” (2015), de Anna Muylaert

Na imagem, a diretora Anna Muylaert, de preto, atrás da atriz Regina Casé, e parte do elenco
principal do longa I Foto: Pandora Filmes

Estrelado por Regina Casé, “Que Horas Ela Volta?” é um retrato sensível e crítico das desigualdades sociais no Brasil. Lançado em 2015, o longa acompanha a história de Val, uma empregada doméstica que trabalha na casa de uma família de classe alta em São Paulo, e sua filha Jéssica, que chega do interior para prestar vestibular. 

A presença da jovem rompe com as barreiras invisíveis entre patrões e empregados, revelando tensões de classe, afeto e pertencimento. Reconhecido internacionalmente, o filme venceu prêmios como o Sundance e o Festival de Berlim, e provocou debates sobre trabalho doméstico, hierarquia social e os limites da empatia no cotidiano brasileiro. Disponível na Netflix.

“Eles Não Usam Black-Tie” (1981), de Leon Hirszman

A obra retrata a dificuldade da classe trabalhadora no final da década de 1970 I Foto: Divulgação

O filme é um marco do cinema brasileiro pois aborda as tensões entre laços familiares e ideologias políticas. Baseado na peça homônima de Gianfrancesco Guarnieri, a obra retrata a história de Tião, um jovem operário que, diante da gravidez de sua namorada Maria, decide não aderir a uma greve liderada por seu pai, Otávio, veterano líder sindical.

Essa escolha desencadeia um conflito geracional e ideológico, refletindo as complexas relações entre interesses pessoais e coletivos no contexto da classe trabalhadora. A narrativa se desenrola em São Paulo, no final dos anos 70, período marcado por intensas lutas sindicais e repressão política. 

A obra recebeu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza e foi incluída na lista dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine). Com atuações marcantes de Fernanda Montenegro, Carlos Alberto Riccelli e Milton Gonçalves, ele permanece relevante ao abordar temas universais como justiça social, ética e os dilemas enfrentados por aqueles que lutam por mudanças em contextos adversos. Disponível na Globoplay e Primevideo.

“Peões” (2004), de Eduardo Coutinho

Participantes das maiores greves políticas do século 20, movimento que mudou o sindicalismo brasileiro I Foto: Globoplay

“Peões” é um documentário brasileiro, que revisita as greves operárias do final dos anos 70, no ABC paulista, movimento que impulsionou a trajetória política de Luiz Inácio Lula da Silva. O filme destaca trabalhadores anônimos que participaram dessas mobilizações, explorando suas histórias pessoais e memórias das lutas sindicais. Por meio de entrevistas, os operários compartilham suas experiências, origens e reflexões sobre o impacto da militância em suas vidas e famílias.

A obra também aborda a relação desses trabalhadores com Lula e suas expectativas em relação ao futuro do país. “Peões” foi amplamente reconhecido, vencendo o Candango de Ouro de Melhor Filme no Festival de Brasília em 2004 e o Troféu APCA de Melhor Documentário em 2005.  

A abordagem de Coutinho, centrada em depoimentos de personagens comuns, oferece uma perspectiva única sobre eventos históricos, destacando a importância das narrativas individuais na construção da memória coletiva. O documentário está disponível no Globoplay.

“Braços Cruzados, Máquinas Paradas” (1979), de Roberto Gervitz e Sérgio Toledo 

Presidente Lula discursando em cima de mesa e debaixo de chuva I Foto: Fernando Pereira 

O filme Braços Cruzados, Máquinas Paradas é um documentário brasileiro lançado em 1979, dirigido por Roberto Gervitz e Sérgio Toledo. A produção aborda as greves operárias ocorridas no ABC Paulista durante o final da década de 1970, período marcante na história do movimento sindical brasileiro. Por meio de entrevistas, imagens de arquivo e depoimentos de trabalhadores, o documentário retrata a luta por melhores condições de trabalho e salários, evidenciando o papel fundamental das greves na redemocratização do Brasil.

O filme destaca a organização dos operários, a repressão enfrentada e a solidariedade entre os trabalhadores, além de mostrar a emergência de lideranças sindicais que posteriormente ganhariam destaque na política nacional. Braços Cruzados, Máquinas Paradas é considerado um registro histórico importante, oferecendo uma visão autêntica das mobilizações operárias que contribuíram para as transformações sociais e políticas do país. Você pode conferir a obra no Youtube.

“Pão e Rosas” (2000), de Ken Loach

Elementos de um trabalho precarizado são abordados no filme I Foto: Divulgação 

Inspirado na campanha real “Justice for Janitors” do Service Employees International Union (SEIU), Pão e Rosas aborda questões como exploração laboral, imigração, desigualdade social e o direito à organização sindical. O título faz referência à greve têxtil de 1912 em Lawrence, Massachusetts, simbolizando a luta por “pão” (condições materiais dignas) e “rosas” (qualidade de vida e respeito). 

O filme destaca a importância da solidariedade e da resistência coletiva frente à opressão. Ao retratar a realidade de trabalhadores marginalizados, Pão e Rosas oferece uma reflexão sobre justiça social e os desafios enfrentados por imigrantes em busca de dignidade e direitos. O filme legendado está disponível no Youtube.

“7 prisioneiros” (2021), de Alexandre Moratto

No filme, jovens vão trabalhar em ferro velho e acabam sendo enganados I Foto: Netflix

Estrelado por Christian Malheiros e Rodrigo Santoro. O filme estreou no 78º Festival Internacional de Cinema de Veneza, em 2021, e foi lançado globalmente pela Netflix em novembro do mesmo ano. A obra aborda questões como exploração laboral, tráfico humano e desigualdade social, destacando a realidade da escravidão moderna no Brasil. A narrativa explora as complexidades das relações de poder e as escolhas difíceis enfrentadas por aqueles em situações de vulnerabilidade.

A produção destaca-se por trazer à tona discussões urgentes sobre direitos humanos e condições de trabalho, oferecendo uma visão poderosa e realista de problemas sociais contemporâneos. Disponível na Netflix.

“Tempos Modernos” (1936), de Charlie Chaplin 

A busca de um homem em se estabelecer tanto profissionalmente quanto como indivíduo é retratado no filme I Foto: Trecho do filme

Uma obra-prima do cinema dirigida, roteirizada e protagonizada por Charles Chaplin. O filme marca a última aparição do icônico personagem Carlitos, o Vagabundo, e oferece uma crítica mordaz à mecanização do trabalho e à alienação do indivíduo na sociedade industrializada . 

O filme aborda temas como a exploração do trabalho, o desemprego, a pobreza e a luta por dignidade em uma era dominada pela eficiência e pela produção em massa. Chaplin utiliza o humor e a sátira para criticar os modelos de produção taylorista e fordista, que reduzem o trabalhador a uma mera extensão das máquinas. O clássico está disponível na Telecine e Primevideo.

“A Classe Operária Vai ao Paraíso” (1971), de Elio Petri 

A história retrata a compreensão de um operário de sua própria condição como uma simples ferramenta no processo de produção I Foto: Trecho do filme

A narrativa acompanha Ludovico “Lulu” Massa (Gian Maria Volonté), operário exemplar em uma fábrica italiana. Admirado pelos patrões por sua produtividade, mas desprezado pelos colegas por colaborar com um sistema opressor, Lulu vive alienado, focado em metas de produção e sonhos de consumo. Sua perspectiva muda drasticamente após um acidente de trabalho que lhe custa um dedo. Esse evento o leva a questionar o modelo de produção taylorista-fordista e a se envolver com movimentos sindicais e revolucionários.

O filme oferece uma análise profunda das condições de trabalho nas fábricas, abordando temas como a desumanização do operário, a alienação, a saúde mental e a luta por direitos trabalhistas. A transformação de Lulu reflete o despertar da consciência de classe e os conflitos internos enfrentados por trabalhadores em ambientes opressivos. A obra encontra-se disponível no Youtube. 

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