17 de Julho: data homenageia Curupira e Dia Nacional de Proteção às Florestas

Símbolo do folclore brasileiro e da luta ambiental, o personagem é tema do livro de Liduina Vidal, que reforça a cultura popular e a conscientização

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Símbolo do folclore brasileiro e da luta ambiental, o personagem é tema do livro de Liduina Vidal, que reforça a cultura popular e a conscientização ecológica

Por Gabriela Tavares

Entidade do folclore brasileiro – Curupira | Foto: Toda Matéria 

Nesta quinta-feira, 17, é celebrado o Dia do Curupira, grande símbolo do folclore brasileiro. A entidade, originada de lendas indígenas, personifica o guardião das matas e figura significativa na luta contra o desmatamento. A data também marca a comemoração do Dia Nacional de Proteção às Florestas, que reforça a relevância do cuidado com as áreas ambientais.

Em sua representação popular, o Curupira se revela como um pequeno menino ou uma pessoa com nanismo, cabelos cor de fogo, dentes afiados e pés virados para trás, características que usa para confundir caçadores e outros invasores da floresta. O guardião é conhecido, em lendas, por punir aqueles que prejudicam a natureza. 

Curupira é conhecido como, no conceito popular, uma criatura que gosta de pregar peças em caçadores e invasores da floresta, atraindo-os com gritos e assobios para que se percam ou enlouqueçam. Em algumas regiões acredita-se que o guardião aceita oferendas, a exemplo de cachaça e fumo, como forma de acalmá-lo. 

Livro “Meu bisavô é amigo do Curupira” da escritora Liduina Vidal | Foto: divulgação

O dia 17 foi escolhido para a celebração por ter relação com a valorização dos personagens do folclore brasileiro e com as campanhas educativas voltadas ao meio ambiente. Em 1970, movimentos sociais realizados por grupos de opositores ao regime militar se uniram para instituir datas comemorativas para vários personagens folclóricos, com o objetivo de impulsionar a cultura e manter vivas as tradições, estimulando a conscientização ecológica. 

Projetos culturais surgiram para levar às escolas, de forma lúdica, o conhecimento de lendas brasileiras, para promover alertas em favor da preservação das florestas. Devido a esses movimentos, tornou-se comum às crianças e adolescentes, ver pinturas, peças de teatro e feiras folclóricas. 

Liduina Vidal, autora do livro “Meu bisavô é amigo do Curupira”, comentou sobre a importância da entidade folclórica em temas como a proteção da natureza. “O Curupira é o protetor das matas. Então, em tempos de desrespeito à natureza, trazê-lo para nossas reflexões é importante e necessário”, afirma a escritora.

Liduina Vidal: “que quando alguém maltratar a natureza, encontre nos seus caminhos o Curupira”| Foto: divulgação

“Essa semana o PL da destruição foi aprovado na calada da noite. O desrespeito à natureza agora está oficializado por um congresso que legisla para o agro e outros tantos destruidores. O dia do Curupira deve ser evidenciado para que esses absurdos sejam refletidos e debatidos”, comentou Liduina sobre o que o Dia do Curupira significa para ela atualmente.

A escritora aponta que o guardião das matas traz inúmeros ensinamentos, principalmente em tempos de crises ambientais e mudanças climáticas, porém o aprendizado mais evidente é que “somos parte da natureza e não donos dela”. 

Liduina comentou ainda sobre como os autores contemporâneos podem ajudar a manter vivo o folclore brasileiro, especialmente entre as novas gerações. “Talvez poderíamos falar que é importante conhecermos os personagens das tradições orais dos povos originários. Quando falamos de folclore, a força dessas tradições orais é minimizada. Agora, para que essas tradições permaneçam vivas é necessário que sejam faladas, escritas e divulgadas. Povo que esquece suas raízes é povo sem identidade”, afirma.

A escritora conclui, deixando uma reflexão sobre o que espera que os leitores sintam na literatura voltada ao folclore. “Eu gostaria que a mensagem de respeito entre as gerações, o respeito à natureza, a importância do diálogo e as tradições orais fossem incorporadas ao cotidiano. E agora, usando uma licença literária, que quando alguém maltratar a natureza, encontre nos seus caminhos o Curupira e outras entidades que protegem a mãe natureza de todos nós”.

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