Cineasta Carlos Lechuga traça panorama do cinema em Cuba

Respectivamente: Marcelo Müller, Carlos Lechuga e Claudia Calviño. Foto: Ares Soares/Unifor
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Por Luiza Ester

“Filmes cubanos exigem que sejam mais que um filme”, disse o cineasta Carlos Lechuga, durante debate realizado na noite de ontem (09), no Auditório da Biblioteca da Universidade de Fortaleza (Unifor). Promovido pelo curso de Cinema e Audiovisual da instituição, o evento contou também com a presença de Claudia Calviño, produtora cinematográfica, e foi mediado pelo professor e cineasta paulista Marcelo Müller.

Quando estudantes e grandes apreciadores do cinema pensam em produções independentes e premiadas, logo o olhar é direcionado à San Antonio de Los Baños, cidade cubana onde fica a Escola Internacional de Cinema e Televisão (EICTV). Segundo Lechuga, ex-aluno da EICTV, o cenário artístico da ilha, apesar de referência, está em constante mudança e em paradoxo com as ideologias políticas do país.

Movimento do cinema

Os convidados Carlos Lechuga e Claudia Calviño. Foto: Ares Soares/Unifor

“Falar de um movimento de cinema independente é um pouco demais. Existe uma onda do cinema colombiano ou do grego. Ainda não chegamos aí”, opina Lechuga. Para ele, essa ideia “libertária” parece ser uma convenção criada por pessoas fora de Cuba. No país, a única produtora possível para se realizar um filme é o Instituto de Cinema. Lechuga diz que os filmes selecionados pela organização costumam ser de pessoas mais experientes no ramo.

Segundo o diretor cubano, a Escola Internacional de Cinema abriga sonhos de cineastas de todas as idades, mas, quando sua formação acaba, a realidade parece ser diferente. Ele aconselha que é importante alongar ao máximo o tempo de estudo, pois é difícil levar um projeto ao mercado, sem os recursos da instituição. “Eu estudei 3 anos na Escola [EICTV]. É uma experiência muito bonita, mas é como uma bolha”, descreve o cineasta.

“Eu estudei 3 anos na Escola [EICTV]. É uma experiência muito bonita, mas é como uma bolha” (Carlos Lechuga)

Lechuga demorou cerca de quatro anos para “levantar” seu primeiro projeto. Como em Cuba não existe qualquer financiamento, seja público ou privado, não há uma forma clara de como construir “las películas”, como são chamados os filmes em espanhol. A produtora Claudia conta que é preciso persistência nos projetos, já que, por falta de capital, estes estão dentro de um contexto de improvisação. Geralmente, é com o dinheiro de prêmios conquistados com próprios filmes que consegue financiar novos projetos.

Paradoxo

Apesar da fama cinematográfica de Cuba e seu regime socialista, Lechuga destaca o paradoxo das salas de cinema da ilha exibirem muitos filmes americanos. Além disso, vários estudantes pretendem, já com o primeiro projeto, conquistar prêmios em festivais internacionais, como o de Cannes. “Prêmios não estão ligados à essência de fazer cinema”, diz o cineasta.

“Prêmios não estão ligados à essência de fazer cinema” (Carlos Lechuga)

Outro fato do panorama apresentado pelo diretor é que o ingresso para o cinema em Cuba é muito barato. Isso gera deficiência tanto para a restauração das salas de exibição quanto para a indústria, pois não há retorno dos fundos. Cópias piratas de las películas são comercializadas constantemente. Cuba ainda é um dos poucos países onde a pirataria é legal. “Se você faz um filme em Cuba, você sabe que vai ser pirateado”, diz Lechuga.

Los Bañistas

A comédia de Lechuga foi exibida para os alunos do curso de Cinema da Unifor. Na trama, um treinador de natação infantil procura uma piscina para sua equipe treinar. A obra ganhou diversos prêmios, dentre eles o de melhor curta-metragem de ficção no Festival Internacional de Cine de la Habana, em 2010.

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