Poeta Paulo de Tarso defende que a arte do cordel está cada vez mais fortalecida

Conhecido como “o poeta de Tauá”, em homenagem ao município de origem, o cordelista representa com orgulho a cultura popular no programa Traçado das Artes


Por Rebeca Rodrigues

O poeta Paulo de Tarso, 59, cordelista reconhecido no cenário cearense com mais de 30 anos de carreira e quase cem cordéis publicados, é o convidado do programa “Traçado das Artes”, da NewsLink TV. Paulo apresenta também o programa “Cordel, Sanfona & Viola”, na TV Fortaleza, emissora da Câmara Municipal de Fortaleza. O poeta cordelista foi entrevistado no Traçado das Artes por Gabriel Gago, aluno do sétimo semestre do curso de Jornalismo, da Universidade de Fortaleza.

A 26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, de 2 a 10 deste mês, será palco das obras de Paulo de Tarso, além de outras figuras carimbadas da literatura nordestina como Klevison Viana, Leila Freitas, Lucélia Borges, entre outros. O encontro visa a visibilizar o cordel, a xilogravura e seus produtores, além da sustentabilidade dessas práticas e a transmissão de tais fazeres e saberes para as novas gerações.

Em uma conversa descontraída, o poeta e professor do Ensino Fundamental II relembrou que o amor pelo cordel surgiu graças a um tio dele, Lucas Bezerra, de Crateús, que era escritor de cordel. Quando ia de Tauá para visitar o tio, ele sempre tinha um cordel para mostrá-lo. Assim, Paulo foi escrevendo desde criança, começando com uma tarefa para a aula de português. Hoje, são quase cem cordéis na longa carreira.

Para o poeta, a inspiração pode vir dos lugares mais variados. Ele conta que, no começo da carreira, seus cordéis eram baseados principalmente em histórias inusitadas, que ele lia nos jornais populares, como “A moça que dançou lambada com o satanás em Juazeiro do Norte”. Paulo também busca inspiração em figuras históricas, como Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, homenageado pelo cordelista com uma caixa intitulada ‘13 Cordéis para Gonzaga’, lançada em 2019.

Ele afirma que o principal para ter sucesso como cordelista é acertar na escolha do tema. “Encontrar um tema que lhe chame atenção ou que chame atenção do seu público.”

Ao lembrar de uma obra que escreveu sobre a Guerra de Canudos, o escritor afirma a importância histórica e social da literatura de cordel. “Você vai dando um destaque a esses fatos sociais que merecem ser colocados na linguagem do cordel. Até mesmo porque o cordel é um instrumento de muito bom grado das classes sociais menos favorecidas.” 

“O cordel já teve um papel social muito importante de alfabetizar as pessoas. Isso é importante, porque o cordel serviu como base para que essas pessoas pudessem ter a sua comunicação através da leitura.” Ele ressalta, afirmando a importância dos cordéis na formação cultural dos cidadãos. “Muitas vezes, as pessoas recebiam notícias e informações por meio do cordel.” 

Perguntado sobre a desvalorização da cultura popular cearense, o poeta se mantém otimista. “Quando o computador chegou, alguém achou que o cordel ia embora. Mas o cordel se adaptou muito bem. Esse cordel, posso imprimir na minha própria impressora, e saio com meu produto sem que tenha que ir em uma gráfica. A gente tem que louvar e dizer que, a cada momento que anunciam uma morte do cordel ele vai se fortalecendo”, finalizou o poeta.

Foot em destaque: Reprodução

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