Itauana Ciribelli e o sonho de ouvir a própria voz ao dublar a princesa Cinderela

No Dia do Dublador, artista cearense fala sobre a profissão que tem ganhado mais reconhecimento no Brasil e processo para interpretar personagens 


Por Beatriz Bandeira e Guilherme Gonsalves

Nesta quarta-feira, 29, é comemorado o dia do dublador. É uma data que homenageia os artistas que interpretam por meio de suas vozes e transmitem a emoção de personagens. A profissão do dublador atua em versões criadas nos diálogos de filmes, desenhos seriados, musicais de outros idiomas traduzidos para o português.

Por mais que tenha surgido com o objetivo de adaptar às audiências de diferentes contextos sociolinguísticos, em muitos aspectos a dublagem ultrapassa a simples tradução do material que vem de diferentes locais. A incorporação da fala ao cinema trouxe um leque de interpretações e adequações necessárias para conferir fidelidade aos personagens dublados e para garantir a compreensão de todos os espectadores, especialmente de informações de interesse público. Foi este apelo ao entendimento de todos os públicos que permitiu que tantas pessoas criassem um vínculo forte com o cinema. 

Para Itauana Ciribelli, dubladora com 24 anos de carreira, nascida em Fortaleza, este encanto surgiu a partir das animações infantis. “Sempre fui apaixonada por contos de fadas, desde criança. Por isso, as animações, especialmente da Disney, sempre me fascinaram.” Ela recorda que foi aos oito anos de idade que descobriu a dublagem e, desde então, esteve determinada para trabalhar com a arte de dublar. Itauana, mesmo sem internet, começou a pesquisar sobre a profissão e decidiu: “Quando crescer, vou trabalhar com isso! E vou ouvir a minha voz numa princesa da Disney!”

Itauana é atriz, cantora e dubladora  / Foto: Bruno Bessa

Para que isso acontecesse, estudou atuação, canto lírico e canto para teatro e musical e fez graduação em Letras/Inglês na Universidade Federal do Ceará (UFC). Em 2005, aos 24 anos, Itauana participou do programa de televisão Fama, o que lhe rendeu indicações para o estúdio Delart, onde os filmes da Disney eram dublados. Fez um teste de voz e interpretou em “Bambi 2”, seu primeiro desenho.

Itauana foi ganhando destaque em sua profissão e participou de importantes trabalhos como “Você é a música em mim”, em High School Musical 2; “Um mundo ideal”, em Aladdin e “Se eu não te encontrasse”, de Pocahontas, mas sempre em busca do seu sonho de infância. 

“Um dia cheguei para dublar e fui recebida pelo mestre Garcia Junior. Ele e o maestro Félix Ferrà, sorridentes, me deram  a notícia de que eu ia dublar a Cinderela. Foi um dos dias mais felizes da minha vida!”. Foi a partir daí que Itauana se tornou a voz oficial da Cinderela nas canções da Disney, em português, e realizou o sonho de criança.

Apesar de não aparecer em tela, a dublagem exige muito talento do artista de interpretação. “Tem que ver e copiar a emoção do personagem, e ainda adaptar o texto pro nosso idioma, pra encaixar certinho na boca e no ritmo. Precisa de técnica e muito preparo”, afirma Itauana. Ela ainda completa dizendo que os dubladores também são atores e a dublagem é uma modalidade da atuação. Por mais que esses profissionais não sejam tão reconhecidos por não estarem a frente das câmeras, vem tendo uma mudança nisso.

Nos dias atuais a profissão de dublador tem estado em destaque e sendo mais reconhecida como antes. Esse reconhecimento traz uma garantia de mais valorização ao trabalho e a beleza do público com o artista. “É uma profissão encantadora, lúdica e muito divertida. Vejo cada vez mais pessoas dizendo que sonham dublar! Hoje todo mundo reconhece a importância inclusiva da dublagem no mundo audiovisual”, conclui Itauana.

Foto em destaque: Natanael Feitosa

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