Alunos intercambistas compartilham perspectivas e pontos de vista sobre o Brasil 

Experiências vividas por alunos estrangeiros na Universidade de Fortaleza revelam o olhar de fora em relação aos brasileiros


Por Isabel Prado

Vivenciar e conhecer uma nova cultura é uma experiência enriquecedora para todos os indivíduos. A cada semestre, a Universidade de Fortaleza (Unifor) recebe alunos intercambistas vindos de outros países, proporcionando tanto para os acadêmicos brasileiros quanto para os imigrantes, uma convivência com as diferenças e uma imersão cultural dentro do próprio país.    

A colombiana Linda Salcedo, nascida em Bogotá, é estudante do curso de jornalismo, está em Fortaleza há quatro meses e disse que o intercâmbio no solo cearense está sendo uma experiência única. “Estava com muito medo, pois não tive tempo para me preparar para o idioma. Mas está sendo incrível e sinto que estou amadurecendo muito pessoal e profissionalmente”, afirma a intercambista de 19 anos.   

Vindo de Frankfurt, na Alemanha, Paul Elser está cursando administração na Unifor e disse que não esperava que o clima de Fortaleza fosse tão quente e chuvoso, porém se impressionou com o carisma dos brasileiros. “Não imaginava que as pessoas fossem tão incríveis. O brasileiro é muito hospitaleiro, receptivo e sorridente”, declara Elser. 

 Os dois alunos perceberam diferenças dos seus países de origem em relação ao Brasil. Uma delas foi citada por Elser, que observou que os brasileiros não comem tanto vegetais, exceto na pizza, fato que o intercambista achou curioso e interessante. Ele também ressaltou a diferença dos climas dos países. “Os dias são muitos similares aqui no Ceará. O sol sempre nasce e se põe no mesmo horário. Estou aqui há três meses e observei que os dias quase sempre são os mesmos, o clima não muda tanto. Já, na Alemanha, neste mesmo período, teria mudado uma estação.”

A comunicação é uma preocupação para quem vai fazer intercâmbio, principalmente quando o indivíduo não tem muito conhecimento da língua nativa de determinado país. Linda disse que sua primeira semana no Brasil foi difícil pois não conseguia se comunicar direito e as pessoas também não a compreendiam. Elser também passou por situações complicadas. Ele ressalta que muitas pessoas não falam inglês no Ceará e que isso dificulta suas atividades cotidianas, como pegar ônibus ou ir fazer compras. 

Linda e Elser destacam a importância e o ganho que o intercâmbio está proporcionando na vida de cada um. “A minha mensagem para os outros alunos é para terem coragem. E que corram o risco, porque vale a pena, não só pelo novo idioma, mas pelas experiências culturais que vão vivenciar,” afirmou a colombiana, para outras pessoas que têm interesse em fazer intercâmbio. Elser também incentiva a experiência cultural. “Faça e não se arrependerá,” aconselha o alemão. 

Intercâmbio proporciona convivência com diferentes culturas / Fotos: Pexels (Monstera)

Um olhar estrangeiro que veio para ficar

O aluno de jornalismo Pedro Ferré, natural de Portugal, veio para o Brasil apenas para passar as férias com os tios maternos, que são brasileiros, mas se apaixonou pelo país e pelo carisma dos nordestinos. Resultado: decidiu ficar e cursar integralmente o curso de jornalismo na Universidade de Fortaleza. Pedro afirma que as  diferenças entre português de Portugal e do Brasil, muitas vezes  dificultam e confundem a comunicação. 

Confira a entrevista: 

Newslink – O que o motivou a vir morar no Ceará? 

Pedro Ferré – Não foi premeditado. Uma parte da família da minha mãe é brasileira, então vim passar as férias aqui em dezembro com os meus tios, e o plano era ficar só um mês e voltar para Portugal para estudar. Mas, gostei muito daqui, gostei de conviver com as pessoas, senti-me em casa fora de casa, e decidi fazer o curso integralmente em Fortaleza. 

NL – Como está sendo sua experiência? 

PF – Está sendo boa mas difícil também. Por conta da língua, pensava que seria mais fácil a adaptação. A gente tem essa falsa ilusão de que falamos a mesma língua, então somos mais parecidos, mas isso não é verdade. Estou aprendendo que há muitas diferenças culturais e coisas que eu não estava habituado. Sempre falo que vida de imigrante não é fácil, não importa em que lugar esteja, porém faz parte do processo. 

NL – Quais as principais diferenças que você observa do seu país de origem para o Brasil? 

PF- Uma coisa que observei sobre nós, portugueses, que nunca havia notado antes, só quando cheguei aqui ao Brasil, é o quanto somos literais. Isso algumas vezes gera confusão na comunicação, pois as pessoas acham que estou sendo rude ou acho que elas estão zombando de mim, mas é só a maneira de cada um se comunicar. Outra diferença também são as pessoas, que foi o que me fez ficar aqui. O brasileiro é muito mais receptivo, caloroso e aberto. 

NL – Já passou por alguma situação engraçada por causa da comunicação? 

PF – Já aconteceu várias vezes de chegar em um restaurante e ter que repetir meu pedido duas ou três vezes porque a pessoa não compreendia. Outra situação que já ocorreu foi em um quiosque aqui perto da Unifor, que tem um suco de abacaxi que adoro, só que lá em Portugal abacaxi se chama ananás, então eu pedia um suco de ananás e a atendente não entendia, foi confuso e engraçado.  

NL – Qual a mensagem que você deixa para outras pessoas que, como você, querem conhecer outra cultura? 

PF – É definitivamente uma das melhores experiências que qualquer um pode ter. Estar nessa imersão cultural é incrível. Mas, como falei antes, vida de imigrante não é fácil, porém vale a pena arriscar. 


BUDDY PROGRAM

O Buddy Program é um programa criado pela Assessoria de Assuntos Internacionais e vinculado à Vice-Reitoria de Extensão e Comunidade Universitária. Consiste na “adoção” ou na ajuda que um aluno vindo de fora receberá de um estudante brasileiro na Universidade de Fortaleza, com o objetivo de auxiliar o intercambista nas dúvidas e dificuldades do cotidiano. 

O programa tem a duração de um semestre e possibilita uma troca cultural dentro da própria universidade, em que os alunos vão conviver e praticar uma língua estrangeira. Geralmente as inscrições ocorrem no início de cada semestre e tem alguns requisitos para poder participar, como estar matriculado e cursando a graduação e dispor de no mínimo cinco horas semanais para desempenhar atividades do programa. 

2 thoughts on “Alunos intercambistas compartilham perspectivas e pontos de vista sobre o Brasil 

  • 24 de maio de 2022 em 11:41
    Permalink

    grande matéria, Isabel!

    Resposta
  • 24 de maio de 2022 em 21:57
    Permalink

    Isabel, lendo sua matéria, me senti até em outro Brasil! Parabéns!

    ¡Hola! Bienvenida Linda, Boasssss ao Pedro and Welcome to Paul!

    Resposta

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