Alunos da Universidade de Fortaleza discutem preservação do patrimônio cearense em Aracati

Estudantes do Curso de Arquitetura e Urbanismo visitaram o centro histórico da cidade e o Museu Jaguaribano no último sábado, 14

Por Beatriz Bandeira

Alunos da Unifor conheceram a arquitetura setecentista presente nas edificações de Aracati, a 154 km de Fortaleza, em visita técnica para discutir conservação e restauração desse patrimônio cultural. Entre os pontos levantados na aula de campo, estava a importância de observar a arquitetura como reflexo histórico da sociedade cearense. 

“Essas casas são exemplares de uma sociedade que não existe mais, ou pelo menos de uma época que já se foi, e é um material construtivo histórico e vivo que a gente tem pra saber costumes da época e saber de onde viemos e para onde vamos”, relatou a estudante de arquitetura, Rachel Bernardo, durante a viagem.

A cidade de Aracati teve sua origem no século XVII, às margens do rio Jaguaribe que, à época, representava uma via de acesso para o domínio português sobre o Ceará. No entanto, somente em 1747 foi fundada a Vila de Santa Cruz do Aracati, que passou à condição de cidade noventa e cinco anos depois. Com características da arquitetura portuguesa e edificações que marcam a transição do renascimento ao barroco, como a Igreja de Nossa Senhora dos Pretos, as construções aracatienses refletem uma cidade colonial que funcionou em cinco ciclos econômicos de produção. 

A Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres foi construída no século XIX pela Irmandade de Nossa Senhora dos Homens Pardos Livres / Fotos: Vinícius Costa Lima

A professora Jacqueline Holanda, que organiza a ida ao centro histórico, diz que tenta levar os alunos a Aracati todos os semestres, quando possível. “A cidade já tem em si espaços tanto no desenho urbano que ela mantém, na área protegida, como na arquitetura. São exemplos vivos do que a gente estuda, do que a gente tem conversado com os alunos na sala de aula. É uma das cidades mais importantes do estado nesse sentido”, explica a professora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unifor.

O conjunto arquitetônico e paisagístico do centro de Aracati foi tombado em 2001 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mesmo assim, ainda é difícil conservar o patrimônio histórico da cidade. Para Jacqueline, esse trabalho de preservação poderia ser melhor, mas muitas vezes é comprometido por falta de condições. “Nem todas as pessoas têm recursos para fazer a manutenção desses imóveis patrimoniais da maneira correta. Um imóvel tombado que tem um valor histórico ele tem que ser mantido, conservado, dentro de processos especiais, a gente não pode negar, e nem sempre há os recursos para que isso aconteça”, avalia. 

O Museu Jaguaribano
O museu tem 54 anos de criação e é composto por dois edifícios do período colonial / Fotos: Vinícius Costa Lima

No roteiro da aula técnica, os alunos também participaram de visitas guiadas ao Museu Jaguaribano, passando pela exposição “Quando a Ciência descobriu o Ceará”, de Francisco Ivo, e pelos cômodos que abrigam diferentes elementos da história de Aracati. Além disso, os estudantes puderam observar e entender mais sobre a estrutura dos dois sobrados do século XVIII, construídos utilizando a carnaúba, árvore endêmica do Nordeste brasileiro, que funcionaram originalmente como residência e hoje compõem a sua estrutura. 

Fundado em 1968 por membros da sociedade civil para preservar a memória e acervo cultural da região, o Instituto do Museu Jaguaribano tem em seu acervo elementos etnográficos, documentais e sacros, além de exposições temporárias. Para a funcionária pública Sueli Marcelo, que trabalha na instituição há três anos, o museu é o prédio de maior importância na cidade de Aracati. “É onde conta toda a nossa história, a nossa vida. Preservar isso pra gente é uma forma de preservar nossa história, a vida dos nossos antepassados”, relata. 

Atualmente, o Museu Jaguaribano funciona em meio período, em virtude do trabalho voluntário do corpo diretor, pessoas que fazem questão de contar a história da sua cidade. José Correia é uma delas. Ele vem trabalhando no museu há mais de quarenta anos e encara a sua atuação com orgulho: “Acho que o trabalho que faço, de preservação, representa minha cidadania e o lado bom da minha história está na ata do museu, como membro da diretoria, a cada mês sobre  o que eu fiz.”  

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