Super Telescópio completa o alinhamento dos espelhos após cinco meses do seu lançamento

Impulsionado ao espaço em dezembro do ano passado, o James Webb finaliza uma fase crucial para a iniciação de sua exploração científica

Por Pedro Dias

Após ter sucesso em sua trajetória para o espaço, chegando ao seu destino final, a órbita Lagrange L2, o telescópio James Webb termina uma das mais importantes etapas na sua preparação, o alinhamento de seus espelhos. Essa realização vem em conjunto com uma série de imagens impactantes de como serão suas futuras investigações de galáxias anciãs e exoplanetas, superando as expectativas de cientistas. 

 Para iniciar o alinhamento de seus 18 espelhos banhados em ouro, o telescópio utilizou como referencial a estrela nominada “2MASS J17554042+6551277”, gerando uma imagem que, após a sua divulgação, chocou os cientistas. Além da estrela retratada no meio da fotografia, o telescópio conseguiu capturar a imagem de diversas galáxias que se escondiam por trás da estrela.

Fotografia da estrela 2MASS J17554042+6551277, utilizada para centralizar os espelhos do james webb, Fevereiro de 2022 / Foto: NASA.gov 

 Como etapa final das 7 fases do seu processo de alinhamento, foram produzidos, no final do mês de abril deste ano, alguns testes fotográficos com resolução máxima, para conferir a calibração do telescópio. “Essas imagens de teste, notáveis de um telescópio alinhado com sucesso, demonstram o que as pessoas de todos os países e continentes podem alcançar quando há uma visão científica ousada para explorar o universo”, disse Lee Feinberg, gerente de elementos do telescópio no Goddard Space Flight Center da NASA, segundo site oficial da NASA. 

Testes fotográficos produzidos pelo JW em seus testes finais de alinhamento. Abril de 2022 / Foto: Nasa.gov

Expectativas sobre o James Webb

 O James Webb vem gerando grandes expectativas na comunidade científica. Com investimento de aproximadamente 10 bilhões de dólares, sua tecnologia é a mais avançada já criada por astrônomos. Por ser um dos grandes desafios da engenharia moderna, as imagens que o telescópio irá produzir (focadas na frequência infravermelho) prometem revolucionar nossa concepção sobre o universo que vivemos, nos mostrando o nascimento das primeiras galáxias e a observação de exoplanetas

 Os primeiros telescópios, utilizados por cientistas como Galileu Galilei para o estudo dos astros, foram construídos a partir da sobreposição de lentes, amplificando a imagem observada. De acordo com o físico Gabriel Cesarino, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), esse mecanismo gerou grandes marcos para a astrologia da sua época, como por exemplo, o descobrimento das luas de Júpiter, o descobrimento das manchas solares, além de vários estudos sobre nosso sistema solar de modo geral. Gabriel ainda afirma que “Apesar de ter possibilitado grandes descobertas, esse método de observação não é tão preciso, pois, além de captar apenas o espectro de luz visível pelo olho humano, a imagem observada, a partir da terra, passa por muitos obstáculos para manter a qualidade em sua resolução.”

A atmosfera, por si só, já dificulta em muito a observação de corpos celestes, devido, principalmente, a partículas, resíduos e acúmulo de poluição. A partir dessa realização, surgiu a necessidade de enviar os telescópios para fora da terra, orbitando o planeta. O mais famoso dos telescópios que efetuaram essa missão espacial é o “Hubble”. 


 Hubble Telescope

Com aproximadamente 30 anos de idade, o telescópio Hubble é responsável por inúmeros estudos e marcos científicos realizados na contemporaneidade. Grande parte das imagens que possuímos hoje, de altíssima qualidade, sobre regiões muito distantes do universo só foram capazes de serem extraídas graças a sua tecnologia.

O telescópio carrega inúmeros artifícios que auxiliam na observação dos corpos celestes. “O Hubble captaria frequências que vão desde o espectro da luz visível, até o ultravioleta (invisível a olho nú). Entretanto, um dos grandes desafios para que este telescópio consiga ir ainda mais longe, é atravessar a interferência causada pela poeira cósmica, o que se torna inviável sem a captação de frequências de luz infravermelho”, explica o Gabriel Cesarino.


Detalhes sobre o JW

Nas lentes do James Webb, com a utilização de um mecanismo de captação de frequência infravermelha, a interferência da poeira cósmica se torna invisível, o que melhora, em muito, nossa visualização do universo afora. “O Hubble pega uma faixa muito pequena do infravermelho, essa é justamente a grande diferença entre ele e o James Webb, um supre a necessidade deixada pelo outro e ambos devem agir como complementares na exploração universal”, ressalta o físico. 

Com um material especializado no infravermelho, a grande promessa do telescópio James Webb é captar imagens de galáxias formadas no primeiro bilhão da idade universal. Gabriel faz uma ressalva sobre a teoria da relatividade geral idealizada por Albert Einstein (1879 – 1955), informando que, a partir dos estudos do gênio da física moderna, descobrimos que o tempo e o espaço são uma unidade indivisível.“Se nosso universo possui estimados 13,8 bilhões de anos, capturar a imagem de um objeto celeste que está a 13,5 bilhões de anos luz distante de nós é olhar para as primeiras estrelas e galáxias que formaram o universo como conhecemos hoje no seu primeiro bilhão de idade, e isso será uma possibilidade com o James Webb”.

Diferente dos demais, JW foi designado para atuar numa órbita mais distante do planeta terra, devido às suas necessidades de resfriamento. Sua temperatura final deve beirar o zero absoluto, para ampliar sua sensibilidade ao calor de corpos distantes “Em termos de engenharia, produzir um material que opere a 7º Kelvin com passagem de corrente elétrica é, de fato, um dos grandes desafios da ciência e com o James Webb eles conseguiram”, complementa Gabriel. 

Esse distanciamento do telescópio em relação à órbita terrestre também traz uma grande dificuldade, que é a impossibilidade de se efetuar uma manutenção do aparelho. Ou seja, o telescópio só tem uma passagem de ida até sua distância final de 1,5 milhões de quilômetros da Terra, diferente do Hubble que, por estar a uma distância de 600 quilômetros, é possível a realização de manutenções em missões espaciais.  

O telescópio foi para o espaço no dia 25 de dezembro de 2021, e já vem passando por diversos procedimentos para que sua exploração tenha início com segurança e alta qualidade, para então, iniciar as missões de busca por velhas galáxias e novos planetas com possibilidades de vida. 

Foto em destaque: Foto: NASA.gov 

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