Obra e legado de Campelo Costa são celebrados por amigos e colegas de profissão

O artista e arquiteto foi um dos grandes expoentes da cultura cearense nas últimas décadas


Por Carlos Enrique

Amigos e colegas de longa data continuam a lamentar a morte do arquiteto pernambucano Antônio Carlos Campelo Costa, aos 83 anos. O artista morreu na noite desta terça-feira, 3. Campelo Costa ficou conhecido por sua íntima relação com o Ceará e com o meio cultural local. 

Campelo Costa é natural de Pernambuco, mas desenvolveu toda a sua carreira artística no Ceará. Na Terra da Luz, o artista se formou em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC)

O Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) redigiu nota em que lamenta a perda do pernambucano. “Campelo soube como ninguém traduzir a luta pela democracia e pela cultura, dizer o que nosso ofício pode ser, o que o Brasil ainda será”, afirma a IAB. 

Campelo  ficou conhecido por sua relação com o mundo artístico de Fortaleza. Entre todas as suas contribuições, destacam-se os Salões de Abril de 1966 a 1968.  Em 2019, a Universidade de Fortaleza realizou a exposição “Arquitetura e Cidade – Campelo Costa”, em sua homenagem. 

Eduardo Freire, professor do curso de Jornalismo da Universidade de Fortaleza, conviveu intimamente com o arquiteto. “Durante a década de 1990, quando morei na Praia de Iracema, Campelo foi meu vizinho. Fiz amizade com os filhos dele, inclusive”.

Obras de Campelo Costa estão presentes na Universidade de Fortaleza / Fotos: Vinícius Costa Lima

Freire também lembra de seu trabalho no meio arquitetônico e como sua relação com ele se tornou cada vez mais íntima. “Campelo foi uma grande figura pública. Trabalhei muito tempo com a arquitetura. Mais adiante, quando mais velhos, começamos a nos encontrar no bar do Estoril. Mesmo tendo uma idade mais avançada, ele sempre teve uma relação muito próxima comigo”. 

O docente também colaborou na criação do livro Tombamento – Afetos Construídos, da advogada Manoela Queiroz Bacelar, vice-presidente da Fundação Edson Queiroz. “Como designer gráfico, fiz um livro para a Manoela Bacelar, sobre o tombamento de patrimônios históricos. A partir daí, ela pediu para que a obra fosse ilustrada pelo Campelo. Usei vários de seus trabalhos”. 

Marcus Lima, professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unifor, acredita que o impacto da obra de Campelo Costa no meio artístico cearense é gigantesco. “Ele é uma pessoa que me encanta. Ele esteve presente em todos os momentos. Esta participação ativa fez com que ele tenha influenciado diferentes arquitetos”.

Lima ainda aponta que Campelo Costa foi um farol para a sua vida profissional. O professor também afirma que sempre se sentiu influenciado pela paixão do artista pela sua obra e pela pauta social. 

Em sua conta no Twitter, a governadora Izolda Cela (PDT), declarou que Campelo Costa foi uma importante figura para a sociedade cearense. “Fica sua presença na beleza da sua obra, permeada pela força de seus princípios republicanos. Sua presença segue forte na memória de tantos amigos e amigas a quem cativou e inspirou, e alegrou e ajudou”. 

Foto em destaque: Fabio Lima

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