Cai em 31% o número de jovens aptos a votar nas eleições de 2022 em relação a 2018

Número faz menção a jovens de 16 e 17 anos e é o menor registro da década, segundo dados do TSE; analista descarta que queda seja por desinteresse do jovem na política 


Por Rodrigo Osterne 

O número de jovens de 16 e 17 anos que estão aptos a votar nas próximas eleições caiu 31% em relação a 2018, último ano de eleições nacionais, segundo dados do Estatística do Eleitorado do Tribunal Superior Eleitoral. Os dados comparam os meses de março dos dois anos citados. No pleito realizado em 2018, pouco mais de 1,5 milhão de adolescentes estavam quites para votar. Já para as eleições do final deste ano, o número é de pouco mais de 1 milhão, ainda de acordo com dados do TSE.

No Ceará, o percentual dos eleitores, relacionado à mesma faixa etária, também apresentou queda. O estado tinha 111,2 mil jovens eleitores em 2018. Para as eleições de 2022, o número é de 57,1 mil. A queda representa um percentual de 49%.

Em entrevista à CNN Brasil, em março deste ano, o analista de enfrentamento à desinformação do TSE, Diogo Cruvinel, descartou que a ausência dos jovens na votação para este ano se dê pelo desinteresse dos adolescentes na política. “A gente avalia que a falta de interesse por política não é um dos fatores. O jovem é bastante interessado por política, mas tem algumas situações relevantes. A pirâmide etária está se invertendo, a população está envelhecendo”, pontuou.

Diogo ainda atrela a queda à pandemia, tendo em vista que durante o regime presencial de aulas nas escolas, havia a realização de palestras e campanhas de conscientização política para os jovens. “A Justiça Eleitoral sempre fez campanhas nas escolas, de atendimentos itinerantes para tirar o título. Devido à pandemia, as aulas presenciais ficaram a distância e as campanhas foram suspensas”, completou.

Em contraponto com o analista, uma pesquisa realizada em 25 escolas de 10 estados, pela rede de escolas Microcamp, revelou que 67% dos jovens de 16 e 17 anos não se interessam por política, dos quais 39% revelaram ter pouco interesse pelo tema e 28% demonstraram não ter o menor interesse.

A falta de interesse pela política é um dos principais fatores do afastamento do jovem do pleito de 2022 / Foto: Divulgação/ Brasil de Fato

O economista e doutor em Sociologia, Clésio Arruda, defende que os jovens devem ser mais instigados a participarem do meio político e a entenderem que é a partir dele que questões sociais podem ser solucionadas. “A falta de interesse é grande parte causada pela incompetência dos partidos e das organizações sociais de trazerem temas para a discussão que são de interesse da juventude. É preciso trazer o jovem para discutir as políticas culturais, artes, músicas, esportes dentre outras áreas”, comentou.

O economista ainda completa ressaltando que a desigualdade social atual no Brasil pode ser ocasionada pelo distanciamento entre eleitores e política. “Teremos adultos que estarão distantes do campo de decisão da política de salário, de saúde, de educação, transportes e demais serviços que funcionam para a garantia de bem estar social. E quanto menor for a parcela da população que não demonstra interesse por estas questões, maior será a possibilidade de que os recursos públicos sejam utilizados para beneficiar grupos que se apoderam do poder político”.

Estudante de 16 anos, Ana Clara Gama, faz parte dos 83% dos jovens entre 16 e 17 anos que não tiraram o título de eleitor para as eleições deste ano. Ela revela que não tirou o título por falta de informação de como funciona o trâmite para o alistamento eleitoral e por viagem ao exterior para estudos. “Ainda não tirei [o título eleitoral] por não ter ido ainda atrás de saber como funciona para tirar. Também vou fazer intercâmbio nos Estados Unidos e não sei se vai ter como eu votar de lá”.

No site do TSE, é explicado o passo a passo de como brasileiros que moram no exterior devem fazer para conseguir votar nas eleições brasileiras de 2022. O prazo para a regularização eleitoral para as eleições deste ano acabou ontem, dia 04 de maio.

Foto em destaque: Divulgação / Agência Brasil

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