Apesar dos avanços, o futebol continua hostil para as mulheres, em campo e fora dele

Em pleno século XXI, brasileiras ainda sofrem preconceito no âmbito esportivo principalmente no esporte mais popular, mas tido como masculino


Por Carol Romanholi e Matheus Lima

Outro caso de agressão à mulher no futebol brasileiro. Na tarde do último sábado, 30, final do campeonato pernambucano, na partida entre Náutico e Retrô, o jogador Jean Carlos, do Timbu, partiu para cima da árbitra Deborah Cecília, após ter sido expulso com cartão vermelho direto. O fato ocorreu aos 23 minutos do primeiro tempo, após a árbitra analisar o lance no VAR. Jean precisou ser contido por seus companheiros e por atletas do Azulão.

Deborah diz que, na hora, passou por sua cabeça que ele (jogador) realmente iria lhe agredir dentro de campo e que preferiu se afastar. “O que passou em minha cabeça foi que ele ia me agredir. A forma que veio, com a fúria que estava. Então, assim que levasse um muro ou uma peitada, iria cair. E aí foi a forma que consegui me proteger, me afastando ainda mais e colocando o braço”.

 “Ser árbitro de futebol não é uma tarefa fácil no Brasil. E quando se trata de uma mulher na função, o desafio é ainda maior” / Foto: Arquivo pessoal

Em 2020, a chegada do jogador Robinho, ao Santos, trouxe muitos problemas e atingiu torcedores e jornalistas, entre elas a jornalista esportiva Marília Ruiz. Ela, entre outras, também foi contra a chegada do jogador ao time do santo. A jornalista teve seu número vazado e acabou recebendo mais de 60 ameaças de morte e ofensas. 

O preconceito enfrentado pelas mulheres vem desde a época em que os homens as tinham como propriedade privada. As mulheres eram submissas  aos  seus maridos, realidade não muito diferente dos dias atuais. 

A história da mulher no esporte nunca foi fácil. Elas sempre tiveram que lutar para conseguir respeito, mostrando que são capazes e tendo que rebater opiniões machistas, que falam que mulher tem que cuidar da casa e dos filhos. Mas, elas sempre conseguiram provar que “lugar de mulher é onde ela quiser”, seja jogando, correndo, nadando, apitando uma partida de futebol, dirigindo um clube ou numa comissão de arbitragem, comentando, narrando ou dando grito de gol. Dentro ou fora das quatro linhas, elas buscam seu espaço no esporte, desde tempos passados.

Apesar da participação cada vez maior de mulheres no futebol e em outras profissões que cercam o esporte, elas continuam enfrentando misoginia, violência e resistência para afirmar seus lugares. Infelizmente estamos observando alguns atos de violência e discriminação contra essas profissionais, principalmente contra as árbitras de futebol. Não é de hoje que as árbitras vêm sofrendo preconceito e discriminação. Já houve caso de radialista fazer comentários machistas ao vivo e após repercussão, ser demitido da rádio, casos de comentários machistas na internet (Instagram), entre outros.

Marcielly Netto, sofreu uma agressão do técnico da Desportiva Ferroviária, Rafael Soriano. Ele acabou demitido pelo clube. / Foto: Reprodução/TV Educativa

Mas, um fato que chamou muita atenção na internet, ocorreu durante um jogo de futebol entre os times da Nova Venécia e Desportiva Ferroviária, no Espírito Santo. A árbitra assistente Marcielly Neto foi agredida pelo técnico Rafael Soriano, da Desportiva e o caso repercutiu nas redes sociais. A agressão foi registrada pela TV Educativa, do governo do Estado, e Soriano foi demitido após a partida.

O NewsLink fez contato com a árbitra assistente, que sofreu a agressão. Ela, porém, não pode conceder entrevista, devido ao caso estar em processo jurídico. A agressão sofrida por Marcielly mostra que, apesar dos avanços, o futebol permanece um ambiente hostil para todas elas.

Foto em destaque: Marlon Costa/Pernambuco Press

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