“Literatura é arte porque transforma, inquieta, encanta e espanta”

Escritora, Celma Prata, deve ocupar uma cadeira na Academia Cearense de Letras, sediada no bicentenário Palácio da Luz


Por Beatriz Bandeira

Formada em jornalismo pela Universidade de Fortaleza e em pedagogia pela Universidade Federal do Ceará, e autora de quatro livros publicados, Celma Prata faz parte do conselho editorial do jornal AgroValor. Além disso, também é membro efetivo da Academia Fortalezense de Letras (AFL), da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil e presidiu o conselho diretor da Sociedade Amigas do Livro, entre 2016 e 2020. 

Escreveu seu livro de estreia, Descascando a Grande Maçã, sobre sua experiência morando em Nova Iorque enquanto participava de um curso de curta duração em marketing, em 1997. O primeiro romance de ficção, O Segredo da Boneca Russa, foi lançado no Brasil, em Portugal e na França.  Em 2021, seu livro, Confinados, foi finalista do Prêmio Jabuti concedido pela Câmara Brasileira do Livro.

NewsLink: Como a senhora se sentiu ao ser indicada para ocupar a Academia Cearense de Letras?

Celma Prata: Senti-me muito honrada e emocionada. Afinal, trata-se da primeira academia literária do Brasil, fundada antes mesmo da Academia Brasileira de Letras. Ser eleita por unanimidade para ocupar a cadeira do grande historiógrafo Barão de Studart, que tanto trabalhou para imortalizar a história do nosso Estado, é de uma responsabilidade sem tamanho.

NL: Qual o último texto que escreveu? Quais temas tem abordado ultimamente e quais pensa em abordar?

CP: Sou movida à escrita. Então, escrevo diariamente. Sou colunista de dois blogs, além do meu próprio, e cuido pessoalmente das minhas redes sociais. Escrevo sobre o que me toca no momento. Além disso, estou em produção de um novo livro, com lançamento ainda não definido. Tenho muito cuidado e carinho com o que escrevo. Sou responsável pela minha mensagem. 

NL: Em que locais se sente que encontra mais inspiração?

CP: Pode ser numa caminhada à beira-mar de Fortaleza, no silêncio do meu sertão praieiro, na leitura de um livro, numa exposição de arte, ou numa simples legenda de aplicativo de rede social.

NL: A sua carreira como jornalista influenciou na produção literária? De que forma?

CP: O jornalismo foi transformador em todos os sentidos. Proporcionou novos encontros, diversidade de ideias, me fez enxergar um novo mundo. Quando faço uma retrospectiva, percebo isso claramente. O jornalismo enxugou meu texto literário, ao mesmo tempo em que o enriqueceu. 

NL: Seu livro “Confinados” foi finalista do prêmio Jabuti de 2021. Qual a importância desse reconhecimento para a senhora e para outros autores nacionais?

CP: O Nordeste fez bonito. As mulheres também. Fomos maioria nessa edição. Partir de uma pequena editora independente e ficar entre os dez melhores do país na sua categoria é algo imenso. É muito motivador para quem escreve. 

NL: Na sua opinião, quais as maiores dificuldades pelas quais passa a literatura nacional e cearense atualmente? 

CP: É preciso maior incentivo às pequenas editoras e autores independentes. As livrarias locais não podem ser engolidas pelas grandes redes. A cadeia produtiva do livro merece  maior atenção do poder público. As redes sociais ajudaram muito o escritor independente na comercialização do livro. Temos escritores jovens muito promissores. Gente sensível, que vai à luta, busca patrocínio. As agremiações literárias devem desempenhar um papel importante no incentivo a esses jovens e ao segmento de modo geral. Chamar a atenção da sociedade para esses talentos de alguma forma. 

NL: A senhora é também membro efetivo da Academia Fortalezense de Letras. Qual o papel das academias para a cultura cearense hoje? Como esses espaços tradicionais têm mudado durante os anos?

CP: As academias literárias têm a missão de zelar a língua e as letras, preservar a memória de homens e mulheres, e dos fatos históricos de uma cidade, estado ou país. Então, neste sentido, é uma instituição de caráter conservador. Mas, repare que as academias são, em si, iniciativas transformadoras, foram fundadas por adultos jovens na faixa etária igual ou inferior a 40 anos. O importante é conservar o espírito inovador, independente da idade. A AFL, por exemplo, promove eventos que a aproxima dos jovens. 

NL: Você vê a literatura como uma manifestação artística? 

CP: Uma manifestação artística que vai além da palavra, do texto, do cenário. Literatura é arte porque transforma, inquieta, encanta e espanta.

Foto em destaque: Márcia Travessoni

One thought on ““Literatura é arte porque transforma, inquieta, encanta e espanta”

  • 28 de abril de 2022 em 09:50
    Permalink

    Parabéns às duas escritoras!

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