Emmanuel Macron defende união para governar França em novo mandato

O líder francês prega foco em camadas mais desassistidas da população e afirma que vai realizar governo agregador


Por Carlos Enrique e Gabriel Gago

Logo depois da apuração das urnas e do anúncio da vitória, o presidente da França, Emmanuel Macron discursou para apoiadores no Campo de Marte, em Paris. Durante sua fala, o líder apontou para a necessidade de unir o país e de desenvolver um projeto que vise a melhorar a qualidade de vida dos estratos mais baixos da sociedade francesa. 

Neste domingo, 24, os franceses foram às urnas e confirmaram a reeleição de Emmanuel Macron (Em Marcha!) para um novo mandato de presidente da República Francesa. O político de centro-direita foi escolhido para o cargo com 58,5% dos votos, ante 41,5% da oposicionista Marine Le Pen (Reagrupamento Nacional).

Macron também afirmou ter compreendido que boa parte dos eleitores depositaram seus votos no candidato menos extremista, mas fez questão de assegurar que vai buscar aglutinar apoio de todos os setores da população. “De agora em diante, não sou mais o candidato de um campo, mas sim presidente de todos”, ressaltou no discurso.

Ao NewsLink, o francês Philipp Gidon, mestre em Relações Internacionais e professor da Universidade de Fortaleza, declara que o número expressivo de votos em Le Pen atesta um movimento cada vez mais constante. “Nas últimas três eleições, os franceses votaram para não deixar uma corrente ganhar o poder. Isso cansa a população”.

O pleito ainda foi caracterizado pela heterogeneidade da distribuição de votos, um indicativo da crescente desconfiança dos franceses nos candidatos disponíveis. Gidon aponta, porém, que este é um movimento presente em outros lugares da Europa.

O professor afirma ainda que o bom desempenho de Le Pen nas eleições presidenciais não reflete uma hegemonia de uma ala mais radical da direita francesa no campo político. “A extrema direita não está necessariamente mais unida. Só vamos descobrir isto nas eleições legislativas, já que muitos ficaram sem opção [de voto]. Mas ela [a direita radical] se consolidou na paisagem política francesa”, pontuou. 

Em entrevista à CNN Brasil, o historiador Vinicius Bivar, colaborador do  Center for Analysis of the Radical Right (CARR), declarou que Macron tende a encontrar um ambiente pouco afeito à sua agenda de governo nos próximos cinco anos de mandato. 

“Existe uma rejeição muito grande contra algumas pautas que ele propôs ao longo dos cinco anos, sobretudo a agenda liberal. Esta enfrenta grande aversão do eleitorado francês, que possui uma tradição de voto na esquerda”, declarou Bivar. 

Emmanuel Macron pregou a criação de um projeto de desenvolvimento às camadas mais baixas da população / Foto: ERIC-FEFERBERG-AFP

Com a vitória, Macron tenta se consolidar como um líder no âmbito europeu, já que Angela Merkel, conhecida conciliadora de problemas geopolíticos no continente, deixou o cargo de chanceler da Alemanha em 2021. O chefe do Executivo francês esteve à frente das conversações com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, antes de seu país invadir a vizinha Ucrânia. 

Reação à vitória 

Em nota, o presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), reconheceu a vitória de Macron um dia depois do pleito. “O Governo brasileiro cumprimenta o senhor Emmanuel Macron por sua reeleição à Presidência da República Francesa. O Brasil reafirma a disposição de trabalhar pelo aprofundamento dos laços históricos que unem os dois países e trazem benefícios mútuos a brasileiros e franceses, e manifesta expectativa de seguir implementando a ampla agenda bilateral”.

Já o presidente norte-americano, Joe Biden, também parabenizou seu homólogo francês em postagem via Twitter. O líder democrata reafirma a antiga aliança e a parceria fundamental no enfrentamento dos desafios globais que os Estados Unidos e a França mantiveram durante as últimas décadas.  

Em meio ao conflito Rússia e Ucrânia, Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky  saudaram Macron. Ambos mantêm boa relação com o líder francês e o consideram um “verdadeiro amigo”. 

One thought on “Emmanuel Macron defende união para governar França em novo mandato

  • 28 de abril de 2022 em 10:30
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    Grande matéria. Adoro o trabalho dos dois.

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