Em evento no Cine São Luiz, Mário Magalhães crítica “crônica das últimas 48 horas"

Autor da biografia de Marighella fala sobre passado, presente e futuro da sociedade brasileira


Por Julia Freitas Neves

O escritor e jornalista Mário Magalhães é o convidado do segundo dia de conferências do Projeto Diálogos Literários, no Cineteatro São Luiz. O tema da conversa foi “Guerras culturais: corações e mentes, negacionismo e pós-verdade” e foi mediada por Sávio Alencar. Magalhães substituiu Fernando Morais, que, mesmo curado da COVID-19, ainda sofre de crises respiratórias e não pode se deslocar até Fortaleza para a conferência do dia 19 de abril de 2022.

Inicia falando que a palavra pós-verdade foi nomeada palavra do ano pelo dicionário Oxford, em 2016. Explica, também, a origem do título de seu livro “A expressão corações e mentes se populariza em 1974 quando é lançado um documentário nos Estados Unidos sobre a guerra do Vietnã.”

Foca-se no noticiário dos últimos dois dias, quando Miriam Leitão revelou o achado de gravações das sessões do Supremo Tribunal Militar em que se discutia tortura. E no dia seguinte, o vice-presidente da República, general Hamiltom Mourão, tripudiou dos mortos pela ditadura.

Ontem, a  jornalista Juliana Dal Piva entrevistou um soldado do exército que trabalhava como espião em 1968 e testemunhou o assassinato de dois militantes, Catarina e João Antônio Abi-Eçab. “O general que preside o Superior Tribunal Militar disse que as antigas fitas não atrapalhariam a Páscoa de ninguém. Essa é uma crônica das últimas 48 horas.”

Responde que a correlação que  o presente tem com “discussões do passado” é o futuro. “A impunidade é um estímulo para que novas aberrações aconteçam. Esse é o Brasil de hoje. É um Brasil que separa claramente os partidários da civilização dos da barbárie. E quando se faz tal separação o resultado, por exemplo, é salvar ou condenar vidas.” Magalhães usa a pandemia como exemplo, quando afirma que o Brasil conta com somente 3% da população mundial, mas tem 10% das mortes globais devido à pandemia da COVID-19. E, questiona quantas vidas teriam sido salvas, se o governo tivesse agido da maneira sanitariamente correta durante o processo.

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