Diagnósticos de ansiedade e depressão crescem no período da pandemia

Sensações de medo, solidão e exclusão são algumas das principais características dos distúrbios que se intensificaram neste período de isolamento social


Por Amanda Damasceno

Com a chegada da pandemia do Covid-19 em 2020 o aumento dos casos de ansiedade e depressão se intensificaram com o início do isolamento social. Estes distúrbios são bastante discutidos nos últimos anos e vêm ganhando visibilidade na sociedade. Muitas vezes taxados como preguiça, frescura e exagero, os sintomas das doenças às vezes passam despercebidos até para aqueles que convivem diretamente com o portador.

 A falta de compreensão é um dos motivos que aflige o fisioterapeuta Rômulo Martins, que possui os distúrbios relatados. “Queria que as pessoas entendessem o que eu sentia e por que às vezes me comportava de algumas formas”. O sentimento de solidão e exclusão estão diretamente relacionados às doenças, para Rômulo o início do isolamento foi onde os sentimentos se intensificaram. “Acredito que intensificou algo que escondi por muito tempo, quando me vi sozinho sem amigos ao meu redor.” 

Para a psicóloga Dayra Pereira, houve um aumento de 85% na procura por atendimento após o início da pandemia / Foto: Arquivo Pessoal

Para a psicóloga Dayra Pereira, o aumento dos casos está associado à pandemia, os sintomas descritos pelos pacientes são bem característicos : sensação de medo, angústia, falta de ar, taquicardia e picos de pressão são alguns deles. Ela explica que esses sintomas são da mente. “Não estão ocorrendo de fato no seu corpo são somente sensações psicologicas”. Os  transtornos são psicossomáticos e se formam através de acúmulos, vivências, sentimentos, experiências e frustrações. 

Dayra também explica sobre o tabu na busca por ajuda. “É importante buscar ajuda antes que a situação chegue a um nível de sofrimento mental insuportável.” Uma das maiores dificuldades relatadas por ela é a falta de abertura do paciente. “A pessoa não chega aberta para falar, e na psicologia se trabalha muito no campo da linguagem”, disse a psicóloga.

Larissa Brasileiro, estudante de Psicologia, da Universidade de Fortaleza (Unifor), relata o aumento da procura por atendimento no Núcleo de Atenção Médica Integrada (NAMI) da Unifor. “Acredito que a pandemia veio e desmistificou para algumas pessoas a ideia que psicologia é para louco”. Ela também cita que a maior dificuldade enfrentada pelo jovem após o diagnóstico é a aceitação e a adesão do tratamento. 

No NAMI os atendimentos psicológicos ocorrem por intermédio do Serviço de Psicologia Aplicada (SPA) que é um espaço de prática acadêmica e único do Ceará conveniado ao Sistema Único de Saúde (SUS). Nele os alunos da área de psicologia prestam serviços na teoria e na prática psicológica sob a supervisão de professores.

Alguns dos serviços oferecidos pelo SPA são: psicoterapia familiar, plantão psicológico, atendimento em psicopedagogia para crianças e adolescentes, grupos psicoeducativos entre outros. Para saber mais acesse o site (https://www.unifor.br/nami-spa). 

O encaminhamento para o atendimento é feito a partir da regulamentação de vagas do SUS, por meio de agendamento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e também existe a  possibilidade de atendimentos privados por meio de consultas particulares ou por  convênios de saúde. 

Ilustração em destaque: Chate

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