Jornalistas e fotógrafos traduzem o legado de Orlando Brito

Pelas lentes e sensibilidade do gênio da fotografia passaram todos os presidentes da República – de Castelo Branco a Jair Bolsonaro


Por Gabriel Gago

Com um olhar diferenciado à história da política brasileira, Orlando Péricles Brito de Oliveira, 72, se transformou, ao longo de cinco décadas, em um dos mais aclamados repórteres fotográficos do país. Morreu na madrugada de sexta-feira, 11, de falência múltipla de órgãos depois de uma cirurgia no estômago, em Brasília.

Em 1965, o mineiro de Janaúba começou a trabalhar como laboratorista do jornal Última Hora. Firmou-se profissionalmente no jornal O Globo, entre 1968 e 1982, e atingiu fama na revista Veja, onde trabalhou de 1982 a 1998, emplacando o total de 113 capas. Anos depois, criou a agência de notícias ObritoNews, que manteve até fevereiro de 2022.

José Rosa Filho, fotógrafo, entende que Brito é uma inspiração a todos do meio. “Como amigo, deixa um legado de generosidade. Enquanto profissional, deixa um trabalho jornalístico de primeiríssima qualidade. Você não encontra ninguém que fale mal do trabalho do Orlando, nem que ele traiu a confiança de alguém para crescer na vida. Um cara super íntegro”, conta o amigo.

José Rosa Filho, fotógrafo / Foto: Arquivo pessoal

Ao retratar a ditadura militar como ninguém jamais havia feito, em 1979, Brito foi o primeiro brasileiro a receber o World Press Photo Prize, concedido pelo Museu Van Gogh, em Amsterdã. Também venceu, onze vezes consecutivas, o prêmio Abril, passando a ser considerado hors concours neste certame.

Registro da imprensa brasileira no período ditatorial / Foto: Reprodução/BritoNews

O jornalista Ronaldo Salgado, ao lado dos colegas Agostinho Gósson, Nilton Almeida, Emília Augusta e Ângela Marinho, o trouxeram para dar um curso de fotojornalismo no 25º Congresso Nacional dos Jornalistas do Banco do Nordeste, em 1992. “Este evento foi um reconhecimento público da importância do fotojornalismo dele. Orlando conseguia captar, tanto nos planos abertos quanto nos detalhes, uma imagem forte, muito bem focada e plena de informação imagética”, lembra.

Ronaldo Salgado, jornalista / Foto: Arquivo Pessoal

Segundo a professora universitária Alessandra Bouty, da Universidade de Fortaleza, além de grande repórter, Orlando foi um cronista fotográfico. Teve o primeiro contato com ele quando começou a ensinar fotojornalismo. “É um dos profissionais que nunca retirei das minhas aulas porque as fotografias dele mostravam, claramente, seu pensamento político, isso é uma coisa que chamou minha atenção e por isso o apelidei assim”, explica.

Alessandra Bouty, professora universitária / Foto: Arquivo pessoal

Separado, deixa uma filha, Carolina, e dois netos, Theo e Thomas. No intuito de ajudar com as despesas médicas, a família criou um site para vender as fotos do Orlando. A loja traz os “cliques” mais emblemáticos do profissional, como das coleções Corpo e Alma, Iluminada Capital e Senhoras e Senhores. Os preços variam de R $500 a R$ 2.000.

Lei Orlando Brito

O Senado Federal aprovou na última terça-feira, 22, o PLC 141/2015, que isenta impostos e contribuições na importação de equipamentos e materiais para uso exclusivo das profissões de fotógrafo, repórter fotográfico e cinematográfico, cinegrafista e operador de câmera.

A proposta, do deputado licenciado Rodrigo Maia (PSDB), foi relatada pelo senador Esperidião Amin (PP-SC) e encaminhada para sanção presidencial.

Foto em destaque: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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