A fotografia como instrumento de retratação social e visibilidade histórica 

Ísis Rebouças realiza projetos com foco em captar realidades periféricas e esquecidas da sociedade, além e trazer conhecimento, arte e visibilidade


Por Cadu Franco

Um dos objetivos artísticos da fotógrafa Ísis Rebouças, estudante do segundo semestre do curso de Jornalismo, da Universidade de Fortaleza, é retratar o cotidiano através da fotografia. Ela também quer expressar seus sentimentos e perspectivas sobre o mundo, utilizando as ferramentas do fotojornalismo como fator de compreensão histórica e social da humanidade.

Com a família amante da fotografia, o interesse artístico teve início em casa. Ísis diz que desde cedo teve interesse por artes visuais. Aos oito anos já se relacionava com o mundo fotográfico. “Quando minha irmã virou fotógrafa, comecei a posar para as fotos dela. Então, com 8 anos, já estava num estúdio de fotografia fazendo graça nas frente das câmeras. Venho de uma família de aficionados por fotografia, e cresci no meio de câmeras analógicas e filmes 35mm”, revela.

Aos 15 anos, Ísis decidiu que queria focar na fotografia após retornar ao Brasil depois de morar uma temporada na Inglaterra e utilizar a fotografia para registar momentos. “Nessa viagem fiz várias fotos, como hobby. Quando voltei e editei as fotos, percebi que era realmente com fotografia que quero trabalhar. Preciso me focar nessa área de comunicação”, ressalta, ao lembrar que já trabalhou com marketing e redes sociais, mas atualmente está feliz na área de fotografia.

Isis que gosto de explorar, através das fotos, para sair um pouco do óbvio e trazer essas realidades / Foto: Acervo de Isis Rebouças

O despertar profissional veio após ingressar na faculdade de Jornalismo da Universidade de Fortaleza, onde cursou a cadeira de ,com o professor Jari Vieira . “Tive ainda mais vontade de fotografar e tem sido muito boa essa descoberta. É uma das áreas que  pretendo trabalhar. Na fotografia, meu foco é o fotojornalismo. Ele traz essa ideia de dar visibilidade a pessoas invisíveis e realidades invisíveis que, muitas vezes, não enxergamos porque estamos fechados dentro”, completa.

A estudante apresenta projetos com o intuito de explorar diferentes pontos de vista. Ela entende que o jornalismo é fundamental para a manutenção da comunicação e democracia na sociedade, e a fotografia é um elemento poderoso na sociedade e para ela, uma maneira de trabalhar e divulgar outros olhares para o mundo. 

Em seus projetos, Ísis mostra ao público diferentes visões e a transparência de locais marginalizados. O primeiro projeto foi realizado ao longo de uma semana no Porto do Mucuripe, em Fortaleza, e o outro no entorno do Rio Negro em Manaus, durante um passeio. São apresentadas imagens feitas por uma câmera Nikon D5000, que trazem ações habituais das comunidades locais.


“Velho Mucuripe” e “Águas Negras”: vivências cotidianas do mar ao rio

Por Isis Rebouças

Todos os dias lemos matérias de jornais e revistas sobre as comunidades ribeirinhas, mas dificilmente nos aprofundamos em como essas pessoas vivem diariamente. O ensaio “Água Negras” busca dar visibilidade à realidade dessas comunidades. Crianças brincando no rio, homens consertando o piso da casa flutuante, simples cenas do cotidiano que trazem representação para a compreensão da realidade vivida por essas pessoas.

Na mesma perspectiva, o ensaio “Velho Mucuripe” tem como objetivo trazer uma visão não generalizada de um dos bairros mais antigos de Fortaleza. O Mucuripe não é apenas a praia no final da orla. O Mucuripe é o porto pesqueiro, é o mercado dos peixes, é o artesão que faz barcos e a marisqueira que vende café para os pescadores em dia de feira. Toda uma comunidade gira em torno da pesca, mas que está sendo esquecida com a gentrificação da Beira-Mar.


Velho Mucuripe


Águas Negras

One thought on “A fotografia como instrumento de retratação social e visibilidade histórica 

  • 17 de março de 2022 em 17:04
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    Isis, amei tuas fotos, teu olhar sensível diante da vida, evidenciando que o belo nem sempre está exposto, mas suscita um olhar amoroso, cuidadoso e esperançoso. Parabéns!

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