Manchas de óleo atingem 64 praias e preocupam órgãos ambientais

O Governo do Estado do Ceará alertou os municípios litorâneos de que ainda pode haver resquícios de poluição


 Por Vinícius Gabriel

As manchas de óleo que atingem o litoral já atingiram 64 praias cearenses. Este foi o número divulgado pelo informe do Governo do Estado nesta terça-feira, 15. Ainda segundo o informe, houve uma diminuição de casos de manchas em Fortaleza e no litoral leste do estado. Com o aparecimento nos municípios do litoral oeste, contudo, os demais municípios precisam estar em alerta em relação ao monitoramento de suas praias, pois pode haver mais resquícios de óleo sendo levado pelas correntes em direção aos municípios litorâneos da região da costa extremo oeste.

“Leva cerca de 20 a 25 dias para se ter uma resposta, pois serão utilizados os dados das amostras para poder comparar com as manchas de 2019. Há duas hipóteses que se trabalham para explicar o fato. Uma, é de que seja material remanescente desse ano que, por algum motivo, veio à tona novamente, seja por mares, ondas de ressaca”, disse Eduardo Lacerda, cientista-chefe da Secretaria do Meio Ambiente (Sema). Ainda segundo o Eduardo, a outra hipótese é de que se trate de um novo derrame. Não se descarta essa segunda hipótese, pois essas manchas estão concentradas apenas no litoral entre Fortaleza e Aracati, outros municípios não relataram sobre a mesma ocorrência. Ele complementou que tem recebido menos alertas de manchas, então, acredita que, muito provavelmente, boa parte do material foi coletado pelas equipes municipais e que foi feita a pesagem, a quantidade de substâncias recolhidas.

Manchas de óleo já foram registradas em 64 praias do litoral cearense / Foto: Divulgação

No dia 31 de janeiro, foi realizada reunião entre a Sema e todas as instituições envolvidas como municípios, Marinha do Brasil, ONGs, universidades, pescadores, polícia ambiental, dentre outras, para planejar ações articuladas no combate às manchas. Segundo Lacerda, foram recolhidas amostras das manchas e encaminhadas pela Marinha para o Instituto Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira, no Rio de Janeiro, além de serem recolhidas ao Labomar (Instituto de Ciências do Mar, da Universidade Federal do Ceará (UFC), dirigido pelo professor Rivelino Cavalcante.

 Entenda o caso

No dia 25 de janeiro, manchas de óleo começaram a aparecer na praia de Canoa Quebrada, em Aracati (151 Km de Fortaleza). Pouco tempo depois, foram encontradas em outras praias do litoral, como as de Quixaba, Cumbe e Majorlândia, também em Aracati; Prainha, Iguape e Porto das Dunas, em Aquiraz; Canto da Barra, em Fortim; e Prainha do Canto Verde, em Beberibe. Outras foram encontradas na Praia do Futuro e nas praias da Sabiaguaba e Abreulândia. 

Após o registro das manchas, a Sema anunciou uma série de medidas para amenizar a situação. Segundo o órgão, professores do Labomar e da Universidade Estadual do Ceará (Uece) farão uma inspeção técnica para saber se as manchas têm a mesma origem das surgidas em 2019, quando um navio grego foi o responsável pelo derramamento que atingiu o litoral brasileiro. Foi informado ainda que haverá atenção redobrada, de forma a antecipar qualquer ação necessária para, na medida do possível, buscar um controle das ocorrências de manchas, o mapeamento e entendimento dessas fontes poluidoras. 

Foto em destaque: Arisson Marinho/CORREIO

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