6 anos da noite e da luta por justiça que nunca terminou

A chacina do bairro Curió, em Fortaleza, completa em 2021 seis anos. Até os dias atuais, as famílias seguem com o sentimento de justiça vivos dentro de si


Por Pedro Pinheiro e  Victor Barros

A madrugada do dia 11 de novembro de 2015 jamais sairá da memória dos moradores do bairro Curió, localizado em Fortaleza. Naquela noite, um grupo de policiais militares promoveu uma chacina que tirou a vida de 11 jovens e deixou sete feridos. Até hoje, o caso segue em aberto e as famílias pedem por justiça. 

Pensando nisso, um grupo de mães inconsoláveis, decidiu juntar as próprias forças, gerando uma causa, que fosse devolvida através da justiça. Com o mantra “Transformei meu luto, em luta”, nasce o “Mães do Curió”, formado por mulheres fortes e determinadas em honrar a história e nome de cada filho perdido.

A Assombrosa Noite

Lideradas por Edna Carla, mãe do garoto Alef Souza, o grupo de mães clama por um pedido de justiça, que há mais de cinco anos esperam. Dentre as 11 mães, existe a do jovem Patrício, Dona Netinha. A mesma conta como foi a assombrosa noite: “Foi muito triste. Eu estava dormindo e acordei com barulho dos tiros. Além dele, o Marcelo, com quem ele estava, também morreu. Foi apenas um disparo e ele morreu na hora. Quando eu cheguei, não adiantava mais. Eu fiquei em estado de choque e não sabia o que fazer. Eu não acreditava que era meu filho.

Lembrança

Com muita saudade, Dona Netinha lembra de como era o filho. Segunda ela, era um menino alegre, medroso e que tinha paixão por futebol. Além disso, destaca também o relacionamento que ele possuía com a irmã, de acordo com ela, ambos não se “davam” muito bem. Porém, após o falecimento do filho, a filha deu força e apoio para Dona Netinha.

“Quem vai apoiar a polícia dentro da favela?”

O crime ocorreu por vingança à morte do policial militar Valtemberg Chaves, assassinado após uma partida de futebol no bairro Lagoa Redonda. O acontecimento foi na mesma data do ocorrido no Curió. Após a chacina, a confiança dos moradores na atuação da PM dentro da comunidade desapareceu. De acordo com Dona Netinha, a polícia se assemelha a um bandido. A líder do movimento “Mães do Curió”, Edna Carla, acrescentou que: “A polícia não tem autoridade. O papel dela é nos servir.”

Quem matou meu filho, foi a polícia!” Dona Netinha

O que mudou de lá pra cá?

Já se passaram seis anos da triste noite, que assombra as vidas das famílias até hoje. O tempo passou, mas quase não houve mudança. Edna Carla contou que a única mudança, com a luta do seu grupo, foi que nunca mais ocorreu uma chacina, como a do Curió, mas as mortes continuaram e questiona sobre a atuação da PM: “Mudou alguma coisa?”

O processo, no entanto, é delicado. O promotor de justiça, Marcus Renan, afirma, que devido a complexidade do caso, com o número de pessoas envolvidas, número de vítimas, interceptações telefônicas, o tempo de seis anos não há de ser considerado excessivo, de acordo com os moldes da justiça brasileira.

A única garantia que as famílias se asseguravam era uma indenização, no entanto, até o momento, o valor não chegou até as residências. Dona Netinha, todavia, afirmou que para ela não importa o dinheiro, apenas queria ter o filho de volta.   

Foto em destaque: Tatiana Fortes / O Povo


Rádio documentário – As mães do Curió

Seis anos após a maior chacina do Estado do Ceará, as alunas Gabriela Guasti, Maria Estela Assis, Maria Eduarda Rodrigues e Mariana Moura realizaram uma reportagem que relembra o fato, que ficou conhecido como Chacina do Curió. O produto foi desenvolvido como atividade para a disciplina Radiojornalismo, sob a orientação da professora Kátia Patrocínio.


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