Pau de Arara volta com a bagagem cheia de cultura do Cariri

16ª edição do projeto retorna com lembranças e fotos de visitas feitas em pontos turísticos, conhecidos por serem ricos em arte e conhecimento, espalhados pelos municípios visitados

Por Vitória Vasconcelos

A exposição das fotografias feitas em 2019, antes da pandemia, na Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri foi o ponto alto da edição devolutiva do projeto Pau de Arara, domingo, 19, na renovação da fundação A renovação, que ocorre todos os anos, é um cortejo realizado em comemoração do aniversário da organização, com manifestações religiosas e culturais que circulam por Nova Olinda e terminam no interior do prédio, onde estão expostas as fotos para a visitação pública.

A 16ª edição do projeto da Universidade de Fortaleza aconteceu entre os dias 17 a 20 de dezembro de 2021. A universidade levou 35 estudantes e professores à Nova Olinda, para fotografar sua beleza e cultura. Nova Olinda também foi destino da expedição na 15ª edição, quando a equipe fez fotos no município cearense. Uma das premissas do Pau de Arara é, exatamente, o registro por meio de fotos.

A importância cultural do projeto Pau de Arara já é reconhecida logo no seu início. Antes mesmo do começo oficial da viagem, já no ônibus, o motorista Nazio Caesar, de 56 anos, relatou que estava acompanhando a equipe pela quarta vez e que pode ver o diferencial positivo que o projeto traz para os estudantes da Universidade de Fortaleza. “Muito bacana [experiência], muito rica em aprendizado, em conhecimento”.

Além do grande encontro cultural vivido na celebração da renovação do dia 19, na Fundação, a turma de alunos e professores também visitou locais culturais como o recém inaugurado Museu de Fotografia Telma Saraiva, o Horto do Padre Cícero e o Mercado dos Artesãos – Mestre Noza, em Juazeiro do Norte.

Casa Grande

Durante a visita foi montada a exposição das fotografias feitas na 15ª edição do projeto Pau de Arara. A turma acompanhou a celebração religiosa e cultural do aniversário da organização, que contou com a participação de dez grupos que se apresentaram na festividade.

Criada em 1992, a Fundação Casa Grande – Museu do Homem Kariri tem sua sede em uma bela casa em tom azul, que guarda a história e a mitologia do povo Kariri. Idealizada por Alemberg Quindins e Rosiane Limaverde – arqueóloga e esposa de Alemberg, que morreu em 2017 -, a organização passou a atrair os olhares curiosos de crianças e jovens que passavam por perto do prédio e entraram para brincar. Lentamente, aqueles pequenos frequentadores passaram a tomar de conta da casa e de todos os elementos dela, como estúdios de rádio, televisão, museu, gibiteca e  biblioteca, dentre outros. São as crianças que guiam os turistas e visitantes pelas diferentes salas da fundação.

A Fundação Casa Grande faz parte do importante repertório cultural do Estado do Ceará
Museu de Fotografia

O Museu Orgânico Casa de Telma Saraiva foi de extrema importância nesta edição. Os estudantes puderam aprender, por meio de um museu orgânico, um registro vivo, com apresentação do curador do museu, Ernesto Rocha, filho de Telma, sobre técnicas de fotografia, inclusive a fotopintura. 

Inaugurado no dia 13 de novembro de 2021, com apoio do Sesc Ceará e parceria com a Unesco, o Museu Orgânico Casa de Telma Saraiva, conta a história de vida de Telma, que realizava a técnica da fotografia de pintura, também chamada de fotopintura. Ele foi concebido em conjunto com a Fundação Casa Grande, e é o 8º museu orgânico na região do Cariri a ser inaugurado. Todas as peças presentes dentro da casa, onde a fotógrafa morou, foram doadas por pessoas da família.

Turma da 16ª edição na entrada do Museu Orgânico Casa de Telma Saraiva, em Juazeiro do Norte
Horto

A visita à Colina do Horto, onde está localizada a estátua de Padre Cícero, foi feita para que os estudantes pudessem fazer fotos de um dos pontos turísticos mais visitados no Brasil. No local, pessoas de todos os lugares do País vão pedir uma graça ou pagar uma promessa. Atualmente, a estátua de Padre Cícero está sob os cuidados da Rede Salesiana do Brasil.

O Horto é um dos pontos turísticos mais conhecidos de Juazeiro do Norte, principalmente na época de romarias, quando milhões de romeiros sobem a colina da Estátua de Padre Cícero para pedir um milagre ao padrinho. Estima-se, segundo o site do Horto, que 2,5 milhões de pessoas visitem a estátua por ano. Originalmente era para a estátua ter apenas sete metros de altura, mas foi reestruturada para ter 27 metros. Dela é possível avistar a cidade de Juazeiro do Norte e a Chapada do Araripe.

A Estátua de Padre Cícero atrai 2,5 milhões de pessoas por ano
Mercado dos Artesãos

Cercados por obras em todos os lugares e oportunidades de fotografar, o Mercado dos Artesãos – Mestre Noza, em Juazeiro, foi o primeiro ponto cultural visitado pela equipe do Pau de Arara nesta 16ª edição. Acompanhando o processo criativo de alguns dos artesãos, os alunos tiveram a oportunidade de fazer suas fotos, além de aprender mais sobre como as esculturas eram feitas, como a madeira Imburana Cambão, que é utilizada na confecção das obras.

Aberto há 36 anos, o Mercado Mestre Noza, conta com 98 artesãos cadastrados em seu sistema, divididos entre os que produzem dentro do espaço e aqueles que produzem em casa e levam as obras para serem vendidas, aos sábados. Durante a pandemia o mercado ficou fechado, por conta das restrições, levando o local a criar um website para realizar suas vendas. Atualmente, o site ainda funciona e se tornou uma de suas principais fontes de renda.

As esculturas enfeitavam todos os lugares no Mercado Mestre Noza, de modo que o cliente apenas pegasse e levasse até o caixa para comprar

A viagem, concluída na segunda-feira, 20, contou com novas fotos feitas pelo grupo de estudantes que participou da edição de 2021.2. Seguindo a tradição do projeto Pau de Arara, as fotos serão expostas na próxima visita à Nova Olinda

O encerramento da edição de retorno do programa trouxe muitas emoções positivas para os participantes. Jari Vieira, professor e coordenador do projeto, comentou que o projeto supriu todas as expectativas e que foi surpreendido com o resultado final. “Fui surpreendido. De tanta tensão que estava, se ia dar certo, se não ia. Porque há dois anos, não havia pandemia. E tudo ficou diferente, né? Há uma preocupação muito maior, de um aluno baixar a máscara, ficar sem máscara, enfim. Então, confesso que foi uma das edições que mais me surpreendeu positivamente”.

Além dos professores, que acompanharam a turma, os alunos também ficaram satisfeitos com a volta do Pau de Arara. A estudante do oitavo semestre de publicidade e propaganda, Nathália Xavier, de 23 anos, achou “incrível”. Participante da última edição, ela disse estar  “muito feliz em poder retornar à região do Cariri depois desses anos difíceis que a gente passou por conta da pandemia, de não poder tá perto um do outro, de poder só conhecer as pessoas da faculdade por meio das bolinhas do Meet. Acho que essa experiência foi super enriquecedora para o fechamento de ciclo no curso, mas também para reafirmar a valorização da cultura cearense, que a gente tem e é super importante”.

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