Cancelamentos das festas de Reveillon e Carnaval dividem opiniões

Nova portaria que cancela festividades separa os pontos de vista dos fortalezenses, mas maioria dos entrevistados pelo Newslink é a favor dos decretos do prefeito José Sarto e governador Camilo Santana

Por Vitória Vasconcelos

As expectativas para o fim de ano estavam em alta em Fortaleza, com a chegada das festas de  Natal e Ano Novo. Muitos fortalezenses e turistas que vêm de vários lugares do Brasil e do mundo se preparavam para curtir com suas famílias e amigos essas datas especiais. O cancelamento das festividades públicas de grande porte (como é o caso das festas realizadas tradicionalmente no aterro da Praia de Iracema), foi anunciado pelo prefeito José Nogueira Sarto (PDT) na tarde de 27 de novembro.Três dias depois, 30 de novembro, comunicou que Fortaleza também não teria o ciclo de Carnaval. As notícias vieram como um “balde de água fria”.

Sarto disse, durante um anúncio nas redes sociais oficiais, que o cancelamento do Ano Novo ocorreria por precaução. “A prefeitura de Fortaleza não irá promover evento público de Réveillon deste ano, embora a vacinação contra a Covid-19 vá bem e os números de internações e óbitos sigam estáveis em níveis baixos. Até chegamos a considerar a possibilidade de realizar nossa tradicional festa da virada, se a situação permitisse, mas não podemos relaxar, sob pena de colocarmos todo o trabalho feito até aqui a perder. O cenário internacional é preocupante e estamos em alerta”. 

Já  sobre as festividades de Carnaval afirmou, em um vídeo nas redes sociais que, “Fortaleza está fazendo seu dever de casa e cumprindo, muito bem, as nossas metas de vacinação. Mesmo assim, por precaução, resolvemos cancelar o Réveillon. Vamos fazer além disso. Estamos cancelando também, os recursos que seriam usados no Ciclo Carnavalesco, no Pré-Carnaval e no Carnaval. São recursos que estão sendo discutidos na Câmara, e que têm uma quantia de quase R$ 14 milhões de reais. Nós vamos usá-los para proteção alimentar, saúde e para o incentivo à cultura. Fortaleza faz, historicamente, um Réveillon e um Carnaval muito forte, mas o nosso compromisso é com a saúde do fortalezense”.

Ambos os anúncios do prefeito foram feitos depois que o governador Camilo Santana comunicou que, “todos os grandes eventos de Réveillon estão proibidos em todo o estado do Ceará. Só serão permitidos os eventos cumprindo as regras permitidas nos atuais decretos, que permitirá, a partir do dia 16 de dezembro, 2,5 mil pessoas em ambientes fechados e, 5 mil, em ambientes abertos, com controle de acesso e a exigência do passaporte sanitário”.

Governo do Estado anunciou em live no Instagram, na sexta-feira dia 26 de novembro, o cancelamento das comemorações de final de ano para que haja controle durante a pandemia de Covid-19 / Foto: Governo do Estado / Reprodução

Ainda acrescentou que o cancelamento foi feito por pura prudência, responsabilidade e respeito do Comitê de Enfrentamento à Pandemia do Coronavírus em relação à vida dos irmãos e irmãs cearenses.

Sobre a festa de Carnaval do ano que vem, o governador do Estado disse que estava avaliando a situação em relação à nova variante do Covid, Ômicron, mas a tendência é de que sigam o mesmo rumo que as festividades de final de ano. A população de Fortaleza já possui 100% de vacinação com a 1ª dose ou dose única, e a dose de reforço, ou terceira dose, já está sendo aplicada.

“Sobre o Carnaval, deveremos seguir no mesmo rumo, mas isso será discutido posteriormente pelo comitê aqui, no estado do Ceará. Minha posição pessoal, já coloquei aqui nesta semana, mas deveremos sempre, de forma dialogada, todas as decisões, sempre tem discutido também com setores do estado do Ceará”, disse Camilo Santana em live pelo Instagram do Governo do Estado, no dia 26 de novembro.

Comércio e lazer

Entre os que mais sofrem com o cancelamento das celebrações, estão os donos de hotéis e salões de beleza, dois ramos de comércio que encontram seus picos durante épocas de celebração, sendo o Réveillon uma delas. A queda no número de clientes pelo fato dos  estabelecimentos ficarem fechados por alguns dias, é uma das principais causas de perdas de faturamento nos caixas.

Em um salão localizado na Beira Mar, pontos turísticos mais movimentados de Fortaleza, não escapou da perda de clientela, como relata a dona e empresária, Lorena Vasconcelos Frota Vitoriano, de 57 anos. “No momento, as pessoas estão aparecendo, porque a nossa localização é em uma área turística e o movimento aumentou com o turismo, né? Mas, não é o esperado. Não está sendo o esperado, a gente achou que ia dar mais gente porque, nessa época, costuma dar muita gente. No mês de dezembro, e hoje já são dez, e o movimento está de um mês normal”.

Lorena diz que está  preocupada com relação aos seus cabeleireiros e manicures. Mas, por outro lado, acredita que o cancelamento das festas de fim de ano pode evitar uma  repercussão negativa para a saúde de todos, caso houvesse uma comemoração, concordando com  a atitude do Governador. “Os profissionais precisam desse movimento maior, porque eles não têm 13º, eles trabalham na área de parceria. Então, quando se dá o mês de dezembro, é o mês que eles conseguem tirar mais, que é como se eles estivessem fazendo o 13º deles.  E aí, quando acabou a festa, houve realmente uma frustração. E nós, como somos donas do salão, também ficamos frustradas”.. 

Salões de beleza foram os principais prejudicados com o cancelamento das festas de final de ano / Foto: Reprodução

A proprietária  do estabelecimento revela que sua esperança está nos clientes que agendaram para as festas particulares e relembra da queda de 70% da clientela que teve no ano passado, em relação a 2019. Ela teme passar pelo mesmo neste ano.

Já a corretora Cassiana Costa, de 43 anos, acredita que,  depois de dois anos de pandemia e pela presença da nova cepa do Coronavírus, e a grande presença de turistas, o Governo Estadual fez uma boa escolha ao cancelar as festividades. “A gente esperou dois anos, espera mais um evento, dois eventos. Depois do Carnaval, a gente não sabe o que vai acontecer ainda”. A pensionista Neide de Souza Amaral, de 57 anos, também concorda que não deve haver liberação de festas neste final de ano. “Eu acho que não deve ter, porque a gente não sabe o que vem aí pela frente, né? Se acontecer alguma coisa. E a gente já passou por momentos tão difíceis, então resta a gente aguardar mais um pouco, mais um ano”.

A estudante Márcia Maria Pinto Aguiar, de 53 anos, diz que discorda da medida. “Eu não concordo, porque o que eu estou vendo ultimamente, são os estádios lotados para assistir aos jogos, todos sem máscara, sem se cuidar. Então, se pode ir para o estádio assistir aos jogos, por que que não pode ter o Ano Novo? Todo mundo usando máscara, vacinado, usando álcool em gel, por isso que eu sou dessa opinião”.

A opinião de Márcia também é compartilhada pela administradora de empresas , Georgia Pinto Pinheiro, 36 anos. “Eu sou contra esse decreto, porque os estádios estão lotados, então deviam fazer uma forma de acontecer o Réveillon. Podiam fechar com grades, que nem acontecem nos shows, porque acontecem vários tipos de shows aqui em Fortaleza, com lotação. E por que não fechar com várias entradas para acontecer o Réveillon?  Por que muitas coisas podem e outras não podem? Ou pode tudo ou pode nada”. Georgia ainda fala que poderia ser feito como medida de proteção uma estrutura cercada na Praia de Iracema e que o passaporte de vacinação deveria ser exigido para as pessoas que quisessem participar da comemoração e da queima de fogos.

O Newslink realizou entrevista com 12 pessoas, dentre os quais, oito foram a favor da portaria do Governador do Estado de cancelamento das festividades.

 Foto em destaque: Natinho Rodrigues – G1


Veja também:

Passaporte de vacinação será exigido em locais públicos por todo o Ceará

One thought on “Cancelamentos das festas de Reveillon e Carnaval dividem opiniões

  • 17 de dezembro de 2021 em 15:09
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    Pauta importantíssima aos cidadãos cearenses.

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