Em estreia como poeta, jornalista Alberto Perdigão retrata sentimentos de angústia

Lançamento do livro “Únicos Poemas de solidão, saudade, silêncio e sombras” acontece nesta terça-feira, 14, a partir das 18 horas, no Teatro Municipal São José

Por Rebeca Rodrigues

O triênio 2018 a 2021 já pode ser considerado um dos períodos mais turbulentos para o Brasil. As crises política e econômica foram logo seguidas pela crise sanitária com a pandemia da Covid-19. Neste contexto, muitos brasileiros foram obrigados a lidar com tantas incertezas e mudanças repentinas como podiam.

Para o jornalista cearense Alberto Perdigão, isso veio por meio da poesia. O livro “Únicos Poemas de solidão, saudade, silêncio e sombras” é o resultado deste “exercício de sobrevivência” no qual Perdigão se tornou mais reflexivo e existencialista. Ele revela que começou a ver poesia em muitas coisas que não via. Algumas dores, mas também a cor dessas dores. Algum sofrimento, mas também a alegria que vem depois do sofrimento. “Senti saudade, sim, mas senti também o prazer da presença, da companhia. E foi um momento de muito silêncio, de muita reflexão onde acabei descobrindo a força das sombras”, disse o jornalista.

Perdigão, que afirma nunca ter pretensão de se considerar poeta antes de idealizar o livro, conta que sempre teve o hábito de escrever rascunhos de poemas em bancos de ônibus ou balcões de bar, mas só com a quarentena que passou a guardar esses escritos, que começaram a formar uma coleção considerável.

Ele afirma que sua experiência com a publicidade e o jornalismo de TV contribuíram para sua facilidade com a escrita poética. “O texto de televisão tem algo de arte, porque ele busca sempre ser um roteiro de audiovisual. Este roteiro dialoga muito com o do cinema”. O autor acredita que este exercício de contar histórias curtas e sucintas empurra o repórter a fazer um texto quase publicitário.

Alberto Perdigão, em seu ambiente de trabalho / Foto: Acervo pessoal

Perdigão entende que, de uma maneira geral, as narrativas têm que emocionar, e não imagina uma narrativa que não seja emocionante. “E o poema é o lugar certo para fazer isso. Meu texto é um texto poético, é um texto publicitário, é um texto feito para ser bonito e emocionar”.

O livro é dividido em três blocos de 20 poemas cada, totalizando 60 poemas ao todo. No início, o autor tentou dividir a obra entre os quatro temas centrais, mas não foi possível. A divisão em grupos de vinte não segue um sentido específico, mas facilita a leitura e permite ao próprio leitor ter sua interpretação. “O fato é que o leitor vai se encontrando com os poemas e vai encontrando neles, algo de solidão e algo de silêncio e algo de sombras e algo de saudade. É muito do leitor. No fundo, se você ler o livro, você pode fazer uma organização diferente da minha”.

Para o projeto gráfico da obra, o jornalista escolheu fazer uma homenagem ao talento do artista cearense Sérvulo Esmeraldo. Sérvulo trabalhou com diferentes meios de arte, mas, na cidade de Fortaleza, é conhecido principalmente por suas esculturas que podem ser encontradas em diferentes locais da capital. Para esta homenagem, Perdigão entrou em contato com a viúva do artista, Dodora Guimarães, para encontrar uma pintura para a capa, que, devido a embates de agenda, ela quase não veio.

Quadro de Sérvulo Esmeraldo escolhido para a capa, retratando o Poço da Draga / Foto: Gentil Barreira

“Até que um dia cheguei e disse: ‘olha, Dodora, não dá mais. Não posso mais esperar porque tenho prazos’. E ela disse: ‘calma aí, vou achar alguma coisa’. Aí minutos depois ela me retornou a comunicação e disse: ‘olha, sabe o que aconteceu? Tinha um quadro do Sérvulo que estava perdido, já tava louca pra encontrar esse quadro e não é que eu encontrei aqui?”, recorda o autor, contando como encontrou a imagem para a capa do livro: uma obra pintada em 1950 que ele afirma conter todos os temas centrais de seus poemas representados.

Alberto Perdigão é jornalista e professor e autor dos livros “Comunicação Pública e TV Digital: interatividade ou imperatividade na TV pública” e “Comunicação Pública e Inclusão Política”.


Serviço

Lançamento do livro “Únicos Poemas de solidão, saudade, silêncio e sombras” 

Teatro Municipal São José, Rua Rufino de Alencar, 299-327 – Centro, Fortaleza (CE)

Horário:

Terça-feira, 14, a partir das 18 horas

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