Comemoração do Dia do Forró fica maior, agora com as matrizes do patrimônio nacional

Em homenagem a Luiz Gonzaga, a data é comemorada em todo o País e mostra o amor dos brasileiros pelo estilo musical que ele ajudou a expandir, com sua música, em particular o baião

Por Vitória Vasconcelos

Nesta segunda-feira, 13, é comemorado o Dia do Forró, em homenagem ao nascimento de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. Na quinta-feira, 9, as matrizes de forró foram declaradas patrimônio nacional, pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por votação unânime.

Por conta da data do aniversário de Gonzaga, é comemorado o Dia do Forró. A data foi criada pela Lei 11.176 e sancionada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 6 de setembro de 2005. Hoje, em todo o País estão acontecendo comemorações em sua homenagem.

Mais de um centenário completo, Luiz Gonzaga do Nascimento, foi responsável por definir o forró como um gênero musical, no qual faz parte o baião, o xaxado, o chamego, o coco e o xote, a ser incorporado pela indústria da música no Brasil. Gonzaga foi instrumentista, compositor e cantor. Durante a infância e adolescência, o menino Gonzaga cresceu entre os pequenos foles de oito baixos, na região de Exu.

Nesta segunda-feira, 13, o compositor completaria 109 anos de idade, sua vida intercalou-se com a existência do estilo musical do forró. Esse estilo de música tem várias versões para esse nome, mas as duas mais aceitas são: como diminutivo de “forrobodó”, que é para definição de confusão, farra e arrasta-pé; e em inglês para “forall” que significa “para todos” em sua tradução para o potuguês.

Estátua de Luiz Gonzaga no Pátio de Eventos em Caruaru / Foto: G1 Caruaru

Gonzaga nasceu em 13 de dezembro de 1912, na cidade de Exu, em Pernambuco. Sempre cantava acompanhado de sua sanfona, zabumba e triângulo, um conjunto que ele mesmo definiu como sendo o básico para todo cantor do ritmo do baião. Foi na década de 1940 que o baião tornou-se popular, por meio de Luiz Gonzaga, já conhecido como o “rei do baião”, e pelo cearense Humberto Teixeira, “o doutor do baião”.

Em suas composições, Gonzaga levou para todo o Brasil a vida e o estilo musical do Nordeste (baião, xote, xaxado e forró de pé de serra). Nas letras, muitas em parcerias, também descrevia o sofrimento das secas, a pobreza, a tristeza e as injustiças do sertão nordestino. O cantor ganhou notoriedade com as músicas “Asa Branca” (1947), “Juazeiro” (1948) e “Baião de Dois” (1950), além de ser considerado o “pai” dos cantores/compositores como Gonzaguinha, Geraldo Vandré, Gilberto Gil e Caetano Veloso, sendo os últimos três, do movimento da Música Popular Brasileira (MPB).

A popularização do forró

Ao se popularizar no século XIX, como uma festa que percorria o Nordeste, o forró era característico por suas danças, como marchas, rojões, choros, baiões; não havia necessidade de uma vestimenta mais séria. As roupas usadas nas festas eram as do dia a dia das pessoas, tendo apenas como característica o famoso chapéu de palha. As comidas típicas eram um grande atrativo para quem ia às festividades.

A sanfona canta em festividades em que o forró está presente, ela é o instrumento mais comum neste estilo musical / Foto: Andréa Rêgo Barros

Em meados de 1940, Luiz Gonzaga, estreava o baião, recebendo o nome de “Rei do Baião”. Este estilo foi fundamental para o forró, tornando-o até mesmo internacional. O sanfoneiro obteve êxito, juntamente com outros artistas, ao espalhar a força do Nordeste no mercado musical no País, mesmo com o constante preconceito ainda presente no Sul e Sudeste, que alegavam que a música era de classe inferior.

Em 1980, começou a surgir um forró mais puxado para o ritmo do pop, com a banda Mastruz com Leite, do empresário Emanuel Gurgel. Este novo estilo do ritmo acabou fazendo com que ele perdesse algumas de suas características originais. Por ser um estilo de música muito preso ao Nordeste, o que fazia com que em outras regiões ele fosse muito de época, apenas nas festas juninas, essa união com o pop e a produção em massa fez com que o estilo musical passasse a ser mais consumido em outras áreas do Brasil, sendo atualmente um dos estilos musicais mais consumidos entre os brasileiros.

Foto em destaque: Divulgação

2 thoughts on “Comemoração do Dia do Forró fica maior, agora com as matrizes do patrimônio nacional

  • 13 de dezembro de 2021 em 18:48
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    Agradeço mais uma vez a oportunidade de escrever um comentário sobre a matéria de Vitória Vasconcelos a qual fez um detalhamento singular sobre a data festiva não somente do mais que centenário nascimento do Rei do Baião Luiz Gonzaga mas também da justa data comemorativa e alusiva ao Dia do Forró. Mais que justa a dupla homenagem foi aqui muito bem redigida dentro de uma linha do tempo muito fácil de entender. Mais uma vez destaco a clareza , o raciocínio, e as atualizações dos eventos que ensejam a matéria. Parabéns ao NwesLink e a nossa Vitória Vasconcelos pelo prazer que nos dá em ler as suas matérias. Que venham outras sempre .

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  • 13 de dezembro de 2021 em 21:38
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    Gostei muito desse texto , gostaria de mais histórias do nosso povo nordestino.

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