Disney explora a cultura colombiana e relações familiares em nova animação

O filme “Encanto” está em cartaz nos cinemas de Fortaleza, sendo a primeira produção da empresa estadunidense lançado fora dos serviços de streaming desde o início da pandemia da Covid-19

Por Rebeca Rodrigues

O desenho “Encanto”, da Walt Disney Company, tem como personagens centrais os integrantes excêntricos da família colombiana Madrigal, cada um com um poder mágico. A história dos Madrigal começa quando sua matriarca, a abuela (avó) Alma, perde o marido Pedro, enquanto os dois e seus trigêmeos estavam fugindo de um conflito armado junto com outros moradores, após seu vilarejo ser destruído. Alma e os outros fugitivos são salvos por uma magia misteriosa, um “encanto” que cria uma casa autoconsciente para a família morar, e abençoa a linhagem de Alma com poderes, os “dons”.

A única da família a não ganhar um dom, a corajosa Mirabel, começa a perceber que algo errado está acontecendo com a magia da adorada casita, e o filme acompanha sua jornada ao tentar salvar sua família e provar seu valor.

Encanto tem como inspiração a cultura colombiana e a história conturbada de migrações internas do país. A Colômbia já teve muitas guerras civis na sua história, e o filme prefere deixar os detalhes em relação ao conflito vagos. Porém, baseado em elementos do filme como a falta de tecnologia moderna exceto pela menção de telenovelas, alguns teorizam que a história se passe após a Guerra dos Mil Dias, que ocorreu entre 1899 e 1902.

A fauna sul-americana em Encanto / Imagem: Divulgação

Apesar dos elementos fantásticos, o tema de Encanto é algo muito real e íntimo para todos: a família. No contexto do longa, a magia se torna apenas uma metáfora para os laços familiares. A história não tem um antagonista específico ou alguns dos estereótipos típicos de uma “jornada do herói”.

Para salvar o dia, Mirabel não precisa sair de sua vila e enfrentar um monstro, mas sim entender os medos e anseios de seus familiares e se conciliar com sua abuela. Muitos espectadores com certeza vão poder identificar os membros da família Madrigal em suas próprias famílias: A prima fofoqueira, a tia neurótica, a avó rígida entre outros.

O filme inteiro se passa entre os ambientes da vila e da casa mágica dos Madrigal, mas não fica monótono. Os cenários inspirados no oeste da Colômbia são cheios de cores e vida. A casita age praticamente como um personagem único na trama, com quartos que levam os Madrigal para ambientes fantásticos.

A trilha sonora sem dúvida é um dos pontos altos do filme. Compostas pelo ator e compositor Lin-Manuel Miranda, conhecido pelo sucesso da Broadway “Hamilton”, as sequências musicais de fato fazem o espectador se sentir como se estivesse em um teatro assistindo um musical. As canções avançam o enredo e expõem os sentimentos dos personagens de forma sutil e envolvente, acompanhadas de cenas de animação onde os personagens dançam e interagem com o ambiente de forma muito criativa, de forma que só a animação pode expressar.

O mundo colorido e teatral do filme / Foto: Divulgação

Miranda, que é de origem porto-riquenha, se inspirou principalmente na música colombiana para compor as canções originais. Ritmos latinos como salsa, vallenato, reggaéton e cumbia, podem ser identificados entre composições como “A Família Madrigal”, que serve como introdução do filme. Já a música “Que Mais Vou Fazer?”, cantada pela irmã de Mirabel, Isabela, é baseada no rock colombiano dos anos 90. O filme contém duas músicas cantadas em espanhol, “Colombia, Mi Encanto” e “Dos Oruguitas”, cantadas pelos cantores colombianos Carlos Vives e Sebastián Yatra.

O filme inteiro pode ser visto como uma carta de amor não só para a Colômbia, como também para a cultura latina no geral. A roteirista do filme Charise Castro Smith se inspirou em parte na própria família, que migrou de Cuba para os Estados Unidos em 1960. A representatividade latina está presente nas roupas, fauna, comidas e danças que ganham vida na animação, como também na equipe por trás da obra.

Encanto” estreou no dia 25 de novembro e lidera a bilheteria nacional pela segunda semana consecutiva. A dublagem brasileira conta com Mari Evangelista (Dragon Ball Super, One Piece, Demon Slayer), Sérgio Rufino (Cavaleiros do Zodíaco), Jeniffer Nascimento, o cantor Felipe Araújo, entre outros.


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