Inflação afeta preços de combustíveis no Ceará

O estado aparece em 5° na tabela de mais caros do Brasil

Por Carlos Enrique, Gabriel Gago e Rafael Barros

Em valor astronômico de R$7,10, o preço da gasolina atingiu, nas últimas semanas, o maior da história. No Nordeste, o Ceará está atrás apenas do Piauí, onde o litro da gasolina comum é vendido, em média, por R$7,15. Fortaleza e Crateús são as cidades com os custos mais elevados.

O economista de inflação Daniel Suliano, do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), informou que o fato da gasolina do Ceará ser a segunda mais cara pode estar relacionado a fatores diversos como o custo do frete e maior alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Segundo Suliano, no momento não existe medida para conter essa escalada na alta do preço dos combustíveis. É um fenômeno mundial. A retomada da atividade após as medidas de isolamento social por conta da pandemia do novo coronavírus elevou a demanda das commodities e consequentemente o preço dos combustíveis. Este é um impacto relevante no bolso do cidadão, já que o grupo de transportes é o segundo maior no orçamento das famílias cearenses, perdendo apenas para o grupo de alimentação. 

“Aliado à inflação em alta no acumulado dos últimos 12 meses, que se encontra em 11,34% na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), o poder de compra do trabalhador caiu em 2021. A dependência do transporte para deslocamento no trabalho e outras atividades acaba restringindo as opções para conter essa escalada do aumento de preços. A matriz energética mundial ainda é muito dependente dos combustíveis fósseis”, explicou o economista. “Estamos passando lentamente por mudanças na matriz energética e outras fontes alternativas estão surgindo. Mas isso só a longo apresentará resultados”, concluiu Suliano. 

A Secretaria da Fazenda do Ceará (Sefaz), adotou no final de outubro, 29, o congelamento do valor de referência do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre os combustíveis, com a intenção de contribuir no controle dos preços praticados ao consumidor final. A decisão foi unânime do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) e tem validade de 90 dias, com início dia 1º de novembro de 2021 a 31 de janeiro de 2022.

Ressalta-se que, este congelamento não é capaz de evitar novos aumentos dos preços pela Petrobras, ou de gerar alguma diminuição nos valores praticados. O Estado aguarda que o Governo Federal e a Petrobras sejam chamados à discussão no Senado Federal a respeito da tramitação do PLP 11/2020, e que possam, juntamente com as outras unidades federativas, apresentar alternativas que estabilizem e façam diminuir os preços.

Foto em destaque: freepik.com


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