20 anos – Percursos e imagens de Juazeiro, Cariri e Padre Cícero

Por Jari Vieira (*)

21 de dezembro de 2001. Há 20 anos, portanto, comemorava minha colação de grau aqui, na Unifor. E estava me lembrando como foi o processo para a realização do meu trabalho final no curso de Comunicação Social. Naquele ano tive a quase certeza de que era com a fotografia, com a imagem, que iria trabalhar. 

No segundo semestre de 2001 tive de escolher um tema para o meu TCC. Na época não havia a modalidade ensaio fotográfico, mas encontrei uma maneira de fazer a monografia e anexar os meus ensaios fotográficos ao texto, pois queria muito aplicar os meus conhecimentos fotográficos durante os quatro meses que iria me dedicar à pesquisa e ao desenvolvimento deste trabalho. 

Sou de Juazeiro do Norte, de onde saí, e vim pra Fortaleza, então com 8 anos de idade, mas costumo dizer que a minha base cultural se manteve e se mantém lá, no Cariri, até hoje. Logo ao saber que iria fazer o principal trabalho da faculdade, decidi que seria sobre lá, sobre o Cariri, o tema: Fotografia Artística, Jornalística e Etnográfica: definindo fronteiras e estabelecendo métodos. Escrevi bastante. Pesquisei autores que falavam sobre algo relacionado ao tema e sabia que o fechamento do trabalho seria a prática de tudo que estava falando, a realização de três ensaios. 

Programei para ir a Juazeiro dia 29 de outubro, ficando por lá até o dia 2 de novembro, porque sabia que nessa data específica estaria acontecendo a Romaria de Finados. Na ocasião, haveria uma movimentação muito grande de pessoas e romeiros na cidade, e dessa forma, teria as mais diferentes cenas para serem fotografadas diante de mim. As romarias são sempre um grande laboratório a céu aberto por onde já circularam e circulam grandes fotógrafos do Ceará e do Brasil. Sabia disso e também que assim iria conseguir concluir meu trabalho final no curso de Comunicação Social com êxito.

Minha orientadora me disponibilizou 20 filmes, películas fotográficas em p&b, e consegui uma câmera Nikon-FM10 emprestada de um dos meus irmãos e assim fui pra casa da minha avó, Manhota. Dividi os três ensaios em temas distintos: o ensaio artístico, fiz sobre a relação que as pessoas têm, a ideia que se tem das estátuas de gesso que são vendidas nas lojas de santos, próximo à Igreja do Socorro. O ensaio jornalístico sobre a romaria em si, o que acontece nela, o que as pessoas fazem, visitam. E o ensaio etnográfico decidi documentar, através das minhas fotografias, uma comunidade que se formou na antiga subida que leva até à estátua do Padre Cícero.

Em todos os ensaios, procurei não interferir em nada. Como tinha pouco tempo e muitas opções de fotos, pessoas, crianças, objetos, cenários diversos, trabalhei apenas o olhar, a composição, a luz, enfim a fotografia na sua essência.  No ensaio etnográfico comecei a subida do Horto, na manhã do dia 1º de novembro, e terminei à tarde. Afinal, o meu objetivo era o trajeto e não só a chegada lá em cima. Como faz parte do processo, conversei com pessoas, fui convidado a entrar na casa de algumas delas, tomei cajuína São Geraldo com algumas crianças que me seguiram por quase todo o trajeto, tentei entender melhor a comunidade e assim as fotografias foram acontecendo. Chegando a Fortaleza revelei todo o material, fiz a seleção das imagens que representariam o ensaio e apresentei o meu TCC. Hoje, 20 anos depois, vejo o quão importante foi a produção dessas fotografias para a minha formação enquanto fotógrafo e professor.

(*) Fotógrafo e professor da Universidade de Fortaleza

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