Livro utiliza o realismo fantástico para redescobrir Fortaleza pós-pandemia

O lançamento de “Salomar” ocorreu nesta quinta-feira, no Teatro Celina Queiroz, e contou com apresentação musical de Vannick Belchior

Por Rebeca Rodrigues

Como será nossa relação com a cidade após o isolamento? Este é o questionamento que o livro “Salomar” tenta responder. Idealizado e organizado pela professora Alessandra Oliveira e grupo de alunos da disciplina Comunicação e Culturas Urbanas, do curso de Publicidade e Propaganda e do Jornalismo, da Universidade de Fortaleza. A obra consiste em uma coletânea de contos escritos por 16 alunos, todos protagonizados pelo personagem titular, “Salomar”, redescobrindo a cidade de Fortaleza de uma forma lúdica. O livro é organizado em blocos de quatro contos escritos por autores independentes, e cada bloco é aberto e encerrado por contos que possuem continuidade entre si e servem como fio condutor do livro.

(Ao microfone) a vice-reitora de Graduação e Pós-Graduação da Unifor, Maria Clara Bugarim na abertura do lançamento do livro Salomar ao lado da diretora do Centro de Ciências da Comunicação e Gestão, Danielle Coimbra (à direita)

Para organizar textos de autores diferentes sob uma mesma narrativa, foi preciso pensar em um personagem que fosse capaz de representar todos esses modos de ver a cidade. Assim nasceu Salomar, que é descrito como “personagem-verbo”. Dependendo do ponto de vista, Salomar pode ser homem, mulher, adulto, criança. Mas, sempre tem a característica de “salomar” pela cidade.

“É como se todo mundo que tivesse essas características de estar perdido, de lentidão, de olhar pequenos detalhes, de ficar devaneando pela cidade fosse uma manifestação de Salomar”, explicou Alessandra. “Nesse sentido eu, você, e todo mundo que tem um pouco essa experiência de mergulhar na cidade, de perceber Fortaleza, é Salomar.”

A narrativa de fundo de todos os contos é um fenômeno misterioso, denominado “Grande Maresia”, que afetou a cidade por um ano, obrigando todos os moradores a cumprirem quarentena dentro de casa. “A proposta era escrever contos fantásticos pensando como seria Fortaleza depois do período de isolamento. O que é que mudaria na cidade? As pessoas iriam querer ir pras praças? As pessoas iam querer vivenciar a cidade de forma diferente? Só que a gente não queria fazer isso com um tom de realidade, porque a nossa realidade estava muito surreal. Então a gente se inspirou no realismo fantástico de Gabriel Garcia Marquez e criamos uma história totalmente mirabolante e louca, mas ao mesmo tempo factível,” conta a professora.

O realismo fantástico pode ser observado também em contos como o da autora Lianne Ceará, que encontra dentro de Fortaleza um portal para a história de sua cidade, Jaguaribara. “Fortaleza possui uma rua chamada Jaguaribara e, por meio dessa rua, transformei o meu conto em uma coisa muito especial pra mim, e espero que quem leia se identifique. Acho que todo mundo aqui da capital tem um interior pra chamar de seu.”

Lianne lembrou que o livro foi uma experiência transformadora para ela e seus colegas. “Acho que todos nós crescemos um pouco. A gente estava trancado em casa e poder usar a imaginação e todo o conhecimento que a gente adquiriu na cadeira pra tentar sair, nem que seja o minimo de casa, foi muito engrandecedor.”

Com cada conto, os autores expressam o desejo que o leitor adquira um novo modo de olhar a cidade. “O livro também é um manifesto, ele é um pedido, é um pedido que Fortaleza seja vivenciada de outra forma,” ressaltou a professora Alessandra. Nas palavras da introdução do livro, um desejo: “Salomar é nosso desejo louco que Fortaleza quando tudo isso passar seja outra, nos acolha, nos ame, seja nossa força, e nunca mais nossa prisão.”

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