Especialista diz que pandemia do Coronavírus não está acabando

Historiador Niall Ferguson debateu sobre a Covid-19 na palestra “Em certo sentido, todos os desastres são causados pelo homem”, em palestra realizada na última sexta-feira, 22, ao Mundo Unifor

Por Pedro Rocha

Para Niall Ferguson, escritor e professor escocês, o novo coronavírus está na fase da transição de pandemia para endemia. A erradicação do vírus será difícil, já que o mesmo não atinge só humanos, mas também animais. Segundo o historiador, os ciclos de contaminação vão voltar a assombrar as populações, assim como o vírus da influenza.

Com a participação dos professores da Universidade de Fortaleza, Carlos Bitencourt, Plácido Castelo e Rogério Nicolau, o evento analisou as outras pandemias que aconteceram na história da humanidade, o impacto social e as proporções de letalidade quando comparadas à Gripe espanhola e à peste negra.

Para Ferguson, o papel de epidemiologistas e historiadores ao longo dos próximos anos vai ser entender e descobrir porquê países como Brasil, Estados Unidos e Peru tiveram ondas severas de mortalidade, e outros não. “Por outro lado, outros países, não tiveram qualquer excesso de mortalidade significativo. A Noruega e Taiwan, por exemplo”, afirmou.

Autor do livro “Catástrofes: uma história de desastres”, Ferguson observou como é possível fazer uso da história dos acontecimentos atuais para refletir sobre a pandemia do novo Coronavírus e os possíveis problemas do futuro. O historiador afirmou que quando estava escrevendo o livro teve ciência de que outras endemias irão acontecer. “A história em si, é um maldito desastre atrás do outro”, explicou.

Com pesar na fala, o historiador explicou a gravidade da pandemia na história, já que outras endemias foram mais letais. Até outubro de 2021, o Coronavírus levou a óbito 4,8 milhões de pessoas, segundo o gráfico da Universidade John Hopkins. “Obviamente, 4.8 milhões de mortes são 4.8 mi de tragédias”, ressaltou.

Pensando em perspectiva histórica, Ferguson explicou que o vírus HIV/AIDS foi pior em números de mortes, cerca de 1 milhão só nos anos de 2017 e 2018, porque nenhuma vacina foi descoberta até o momento. Mas, que não tem a atenção necessária porque os óbitos acontecem longe do mundo desenvolvido, principalmente na África.

Crítico dos conceitos adotados por grandes cidades afetadas pela Covid-19, o palestrante refletiu sobre a ideia de achatar a curva (termo técnico usado para reduzir o contágio de doenças infecciosas). “No início da pandemia, eu ouvia muito sobre isso. Esse era o slogan popular dos que defendiam lockdowns rigorosos para tentar impedir que o vírus se espalhasse. Minha resposta era sempre: por que vocês estão falando de “a curva”? Haverá várias ondas. É o que a história nos ensina”.

Historiador analisa gráfico das ondas de contágio do Coronavírus / Foto: divulgação

Com base em gráficos de mortalidade da Gripe Espanhola (1918-1920) e da gripe asiática (1957 e 1958) nos Estados Unidos, o historiador mostrou durante o encontro que os traumas do passado ajudaram as pessoas a se prepararem para a Covid-19. Segundo os índices do gráfico, a segunda onda das pandemias passadas foi mais forte que a primeira. “Foi inferido que teríamos mais de uma onda. Achatar a curva não seria uma estratégia coerente quando”.

Ao observar os dados americanos, o historiador explicou que o país teve quatro ondas desde março de 2020, sendo: a onda inicial, predominante no nordeste do país, perto da cidade de Nova Iorque; segunda onda na região da Flórida, área mais quente e praiana do país, durante o verão do ano passado; a terceira e maior onda, durante os feriados de dia de Ação de Graças e Ano Novo; e a quarta onda com a variante delta, menor que a terceira por causa da vacinação, mas ainda relevante.

Para Rogério Nicolau, professor responsável por mediar o evento, a palestra do historiador Niall Ferguson foi engrandecedora, pela possibilidade de observar pontos de vistas de um escritor renomado. “Extremamente rica. Um historiador nos empresta a visão de outros desastres que aconteceram na história da humanidade. Dentro das questões que ele traz, nós entendemos que a pandemia trouxe estragos grandes, mas também evidenciou a possibilidade de produzir vacinas com rapidez”, afirmou.

Foto em destaque: Divulgação

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