Palestra de Edgar Morin foi destaque no primeiro dia do Mundo Unifor

O pensador debateu temas caros à sociedade moderna, como crises sociais e econômicas

Por Carlos Enrique

A Universidade de Fortaleza apresentou ao público nesta segunda-feira, 8, uma palestra do filósofo, antropólogo e escritor francês Edgar Morin. O tema de sua discussão, “O caminho para o futuro da humanidade”, se alicerça nas complexidades e desafios da sociedade moderna. Durante a explanação, o palestrante relembrou crises sofridas pela comunidade mundial e apontou caminhos a serem seguidos para apaziguá-las.

Natural de Paris, Morin nasceu em 1921 e iniciou sua vida acadêmica em meio aos conflitos da Segunda Guerra Mundial. Após ter estudado História, Geografia e Direito, o pensador foi admitido no renomado Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), onde começou a estudar Sociologia.

Considerado um dos maiores pensadores vivos do mundo, Morin é autor de livros canônicos a respeito das relações humanas, como “O método” (1986) e “Os sete saberes para a educação do futuro”(2000) . O pensador também foi agraciado com o título honorário de doutor por pelo menos treze universidades em todo o globo.

Durante a palestra, Morin afirmou que as dificuldades encontradas pela sociedade contemporânea, como as de matrizes econômicas, não podem ser entendidas como questões específicas e individuais, mas como parte de um conjunto de crises mal resolvidas pelo homem. “A primeira coisa que podemos pensar é que a crise econômica não é apenas uma crise econômica. Ela está ligada a outras crises”, afirmou o sociólogo.

Em meio à ascensão de líderes pouco afeitos ao saneamento de problemas geopolíticos, Morin apontou que isolamentos étnicos e fundamentalistas de sociedades e o uso da Ciência para desenvolver máquinas de guerra criam solo fértil para a propagação de conflitos.

Para o pensador, tais problemas podem ser mitigados caso diferentes países se unam em prol de uma agenda comum. “Esses Estados não podem mais lidar sozinhos com os grandes problemas. Eles precisam se associar. Temos a necessidade de salvaguardar esses Estados, mas também de criar realidades metanacionais, supranacionais, nas quais essas nações se associem para tratar dos problemas mais fundamentais”, disse o escritor.

Na sua fala, o filósofo afirmou existirem no mundo iniciativas de colaboração mútua entre indivíduos pertencentes a um mesmo ecossistema. Para ilustrar tais experimentos, Morin citou os moradores de uma comunidade de Fortaleza, que há décadas trabalham para alavancar a qualidade de vida local.

“Mesmo no Brasil, por exemplo, o que foi a constituição do Conjunto Palmeiras, perto de Fortaleza. Um povo rejeitado pela costa e condenado a uma favela, sob a liderança de um homem, chamado Joaquim Neto, que pôde transformar sua favela em habitações sólidas”, afirmou o palestrante.

Realizado a cada dois anos, o Mundo Unifor é um evento de propagação científica e cultural onde mentes atuantes no cenário nacional e internacional debatem e explanam diferentes temas. A palestra de Morin foi reproduzida e aconteceu em um momento anterior à pandemia. Sua exibição aconteceu de forma virtual.

Foto em destaque: Creative Commons

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