“Sem cestas básicas muitos não conseguem uma alimentação de qualidade, às vezes nem uma alimentação”

Leonardo Rodrigues, representante legal do Grupo Espírita Casa da Sopa

Por Érica Prado

Para quem não sabe, segurança alimentar significa o direito de todos ao acesso regular e permanente de alimentos em quantidade suficiente, mas é claro que isso não acontece. Não é à toa que existem tantas pessoas em situação de rua passando fome.

Em entrevista para o Newslink, Leonardo Rodrigues, responsável pelo Grupo Espírita Casa da Sopa, destacou o trabalho da instituição em ações solidárias para mais de 200 pessoas por dia com banho, roupas, alimentos, atendimento médico e até terapia para as mulheres em situação de rua. Ele ressaltou algumas barreiras e dificuldades enfrentadas por essas pessoas durante e pós pandemia.

Leonardo Rodrigues: “Ficamos mais de dois meses atendendo diariamente mais de 400 pessoas com alimentação, banho e atendimento médico” / Foto: Arquivo pessoal

NL: O senhor acredita que o motivo de existirem tantas pessoas em situação de rua, seria porque muitos consomem mais do que deveriam, gerando estrago do alimento, fazendo com que falte para outros?

Leonardo Rodrigues: Não. Acho que não está relacionada a esse consumo. Se formos pensar em termos de desigualdade social, os que consomem muito, na verdade, são poucos, então não sei se a elite está consumindo alimento a ponto de estragar. Acho que não chega o alimento por falta de condições de compra, as pessoas não têm recurso financeiro para comprar, e os supermercados estão cada vez mais caros.

NL: Como foi o processo de ajuda e solidariedade da Casa da Sopa na pandemia?

LR: A gente já trabalhava com segurança alimentar. Na pandemia o grupo viu a necessidade de se direcionar com maior diligência ao campo da alimentação, porque não só as pessoas em situação de rua estavam com fome, mas, também, pessoas que já estavam em superação de rua, tiveram que voltar, e com o lockdown o Centro da cidade fechou e criou o caos entorno da segurança alimentar. Então, mantivemos a casa aberta e ampliamos o leque de ofertas no campo da alimentação. Nós passamos a trabalhar de domingo a domingo no lockdown. Ficamos mais de dois meses atendendo a mais de 400 pessoas diariamente com alimentos, banho e atendimento médico.

NL: Vocês recebem alguma ajuda do governo ou de alguma rede privada?

LR: De rede privada nós temos um parceiro que mensalmente contribui com cestas básicas e ajuda cerca de 30 famílias, mas, fora isso, é a comunidade que participa com as doações. Na pandemia tivemos muitas contribuições, o que possibilitou atender mais pessoas.

Entrega de quentinhas na praça do 5º Batalhão no Centro de Fortaleza / Foto: Arquivo pessoal

NL: O senhor notou algum aumento de pessoas em situação de rua durante ou após pandemia?

LR: Foi mais perceptível na pandemia. Fizemos uma pesquisa pra poder entender isso, de onde estavam vindo essas pessoas. Criamos um cadastro mínimo para compreender porque existiam tantas pessoas indo pra fila da sopa. Mas, antes disso, já havia um processo de migração de pessoas para a situação de rua. Antes havia uma grande concentração de pessoas na Praça do Ferreira, e agora existe na Praça da Bandeira, Benfica, então nota-se que há uma saída do centro para outras áreas e um aumento significativo.

NL: Quais as maiores dificuldades que vocês enfrentam hoje?

LR: Existe uma demanda muito grande por cestas básica. Aqueles que têm uma moradia, mesmo que precária, não conseguem uma alimentação de qualidade e, às vezes, nenhuma alimentação. Eles vão dormir em casa e guardam suas coisas e se alimentam na rua. Muitos vêm aqui atrás de cestas básicas e nossa maior dificuldade é conseguir atender a essa demanda e quando se tem cestas básicas, muitos não têm o gás, e a gente vem recebendo cada vez mais pedidos pra ajudar na compra do gás.

O grupo já atua há mais de 25 anos, ajudando os moradores de rua, com banhos, atendimento médico e alimentos, auxiliando famílias com cestas básicas e mulheres com rodas de conversas com algumas psicólogas. A Casa da Sopa funciona todas as segundas, quartas e sextas-feiras, sendo a sexta direcionada para as mulheres.

Serviços

Instagram: Grupoespiritacasadasopa
End: Rua da assunção, 431, centro
Telefone: 997411492

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