Prêmio Nobel da Paz contempla a atuação resistente do jornalismo em meio às turbulências de informações falsas

A importância do prêmio para os profissionais da área foi destacada pelos jornalistas Rafael Mesquita e Salomão de Castro que fazem uma análise sobre o trabalho independente

Por Taisy Evangelista

Com sentimento de superação, os jornalistas Maria Ressa e Dmitry Muratov, comemoram a premiação do Nobel da Paz 2021, exaltando a importância do jornalismo independente. Atuantes na oposição e fiscalização dos governos de Rodrigo Duderte, nas Filipinas, e Vladimir Putin, da Rússia, os profissionais superaram perseguições e prisões com o recebimento do prêmio conferido pelo Comitê Científico.

A jornalista das Filipinas, atuante no jornal independente Rappler, foi elogiada por usar a liberdade de expressão para denunciar abuso de poder do seu país natal e por criticar o programa de guerra de combate às drogas promovido pelo governo, o que resultou em graves perseguições. Maria se destaca por ser a primeira filipina a ganhar um Nobel da Paz.

“Nós sempre tentamos fazer jornalismo de responsabilidade, com investigações que tornam os poderosos responsáveis pelo que fazem. Isso se tornou mais difícil com as redes sociais, que permitiram a construção do autoritarismo e de ditadores que exploram os algoritmos, tomam poder e destroem democracias por dentro. Então, obrigado por reconhecer o esforço que é necessário para exercer o trabalho do jornalista hoje”, afirma Maria Ressa em entrevista para a CNN Internacional.

Dmitry Muratov, em curto discurso, homenageou os jornalistas que perderam a vida no exercício da profissão à procura da liberdade de expressão. “Não posso levar o crédito por isso. É da Novaya Gazeta. É dos que morreram defendendo o direito das pessoas à liberdade de expressão”, disse Muratov, em relação aos seis profissionais do seu jornal que foram perseguidos e mortos desde 2000.

Rafael Mesquita diz que o Nobel da Paz é uma mensagem à sociedade de que o jornalismo é uma questão de liberdade de expressão, informação e comunicação / Foto: Sindicato dos Jornalistas do Ceará

Rafael Mesquita, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Ceará (Sindjorce) e diretor da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), ressalta a importância do prêmio dado aos profissionais como sendo uma mensagem à sociedade de que o jornalismo é uma questão de liberdade de expressão, informação e comunicação. Ele defende que estes são pilares fundamentais que precisam ser preservados para garantir o exercício da democracia.

Presidente da ACI, Salomão de Castro: “estamos sendo levados a sério pela comunidade internacional” / Foto: Arquivo pessoal

Para o presidente da Associação Cearense de Imprensa (ACI), Salomão Castro, o impacto da premiação oferece segurança e reconhecimento sobre as vozes jornalísticas estarem sendo ouvidas mesmo em um momento tão delicado. “Estamos sendo levados a sério pela comunidade internacional. Acho que é um prêmio importantíssimo”.

Sobre o jornalismo independente, Castro entende que ele “oferece uma variedade de informações para que as pessoas possam consumir notícias e assimilar conteúdo do dia a dia”. O presidente da ACI destaca que devem ser estimulas criações de mídias plurais e que sejam verdadeiramente uma opção para as pessoas.

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