Câmara dos Deputados aprova convocação de Paulo Guedes para explicar sua ligação com offshore

Depois de ter seu nome ligado a empresa situada em paraíso fiscal, o ministro da Economia teve sua convocatória autorizada por comissão

Por Carlos Enrique

Após reunião ocorrida na manhã desta quarta-feira, 6, a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados aprovou a requisição do ministro da Economia, Paulo Guedes, para prestar esclarecimentos acerca de sua ligação com uma empresa estabelecida em um paraíso fiscal.

No último domingo, 3, uma série de reportagens publicadas pela revista piauí, pelos sites Poder360, Metrópoles e a Agência Pública, em colaboração com o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), atestaram a conexão de Paulo Guedes e de diferentes políticos latino-americanos com empresas situadas em paraísos fiscais.

Segundo as publicações, o ministro da Economia e sua filha, a empresária Paula Drummond Guedes, fundaram a empresa Dreadnoughts International Group, localizada nas Ilhas Virgens Britânicas. Em 2014, ano de sua abertura, a corporação foi a destinatária de investimentos que se somam em US$ 8 milhões.

Segundo Elisberg Bessa, professor de Direito Tributário da Universidade de Fortaleza, atores do meio político podem possuir ativos em offshores, mas não poderiam ser sócios gestores dessas entidades. “Alguns cargos políticos e de confiança são incompatíveis com atividades empresariais, especialmente se você tem poder de influência no mercado”, afirma.

Ministro da Economia e presidente do Banco Central tiveram seus nomes relacionados a empresas situadas em paraísos fiscais / Foto: Jorge William / Agência O globo

No caso de Guedes, que comanda a economia brasileira, o professor ainda enxerga incompatibilidade de funções. “Apesar de não estar na gestão da empresa que ele faz parte, a sua tomada de decisão influencia o mercado de câmbio. Então, há conflito de interesse”, conclui Elisberg.

O consórcio de imprensa fez uso de dezenas de milhares de documentos sigilosos que comprovam a ligação de nomes do meio político mundial à manutenção de negócios em países com isenções tributárias.

A repercussão do envolvimento do ministro logo foi catalisada por alas da oposição do governo no Congresso. Na terça-feira, 5, um requerimento de convocação apresentado pelos deputados federais Kim Kataguiri (DEM-SP) e Paulo Ramos (PDT-RJ) foi aceito pela Comissão de Trabalho da Câmara.

Na última segunda-feira, 4, o líder da oposição na Câmara, o deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ), deu uma declaração em sua conta no Twitter afirmando que representaria contra Guedes no Ministério Público. “É ilegal que funcionários públicos de alto escalão, com acesso a informações privilegiadas, mantenham offshores em paraíso fiscal”, advertiu o congressita em uma publicação.

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, também teve seu nome vinculado a uma offshore. O economista foi convidado a prestar esclarecimentos na Câmara.

Foto de Paulo Gudes em destaque: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

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