38,7% dos açudes do Ceará estão com menos de um terço da sua capacidade hídrica

Com a pior seca dos últimos 91 anos, os reservatórios encontram-se em situação preocupante. O estado, que é referência na América Latina, vem enfrentando dificuldades desde março de 2021

Por Gabriel Gago

Segundo dados divulgados nesta segunda-feira, 4, pelo Portal Hidrológico do Ceará, dos 155 açudes localizados no Estado, somente dois atingiram volume superior a 90%, enquanto 60 não atingiram alcançaram nem 30% da sua capacidade. É o pior desempenho nos últimos três anos. “É verdade, nossos açudes estão com volumes abaixo do ano passado, mas ainda é superior a momentos piores como de 2016 e 2017. O abastecimento de todos os reservatórios está garantido até abril do ano que vem com a carga que já temos”, informa George Pontes, analista de infraestrutura do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca do Ceará (Dnocs).

Impacto no bolso

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e o Ministério de Minas e Energia anunciaram a bandeira tarifária “escassez hídrica”, no dia 31 de agosto, que aumenta a tarifa de energia elétrica para R$ 14,20 para cada 100 kWh consumidos. Esta nova tarifa começou a valer no dia 1º de setembro e deve ir até 30 de abril de 2022. Com isso, comerciantes, principalmente aqueles que dependem do uso d’água para o trabalho, e cidadãos, já estão sentindo o impacto da mudança.

A dona de casa Fernanda Augusto diz que a crise hídrica é um absurdo. “Estamos tendo que aprender a conviver, e se virando para pagar pelos erros que o governo cometeu. Estamos sofrendo hoje pela falta de investimento em recursos que deixaram de lado por muito tempo. Esse é o problema. Temos que nos manifestar”, reclama Fernanda.

O presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) se pronunciou em sua live semanal no Instagram, na quinta-feira, 23 de setembro, fazendo um apelo à população para uso racional da água. “Tomar banho é bom, mas se puder tomar banho frio, é muito mais saudável. Ajude o Brasil”. Ele também pediu para que troquem elevadores por escadas e apaguem luzes acesas de casa.

Lava-rápidos em Fortaleza procuram outras formas de executarem seus serviços / Foto: Divulgação

Para o setor do comércio, a alternativa foi se reinventar. Para Henrique Almeida, diretor-executivo de uma empresa do ramo de higienização e lavagem ecológica de carros, em Fortaleza, a solução foi usar a criatividade e passar a consumir, em cada veículo, apenas produtos de lavagem a seco, como cera de carnaúba e pano microfibra. “Como todos da minha empresa já estavam cientes da crise, fazemos a higienização e limpeza usando 0% de água. Um lava-jato convencional utiliza cerca de 300 a 500 litros para limpar um único veículo. Imagina lavar 30 ou 40 carros por dia, é muito gasto”, explicou.

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