Livro desvenda segredos dos hábitos para além dos achismos

Rany Alcantara

Escovar os dentes, tomar banho, olhar as mensagens do celular ao acordar, meditar e ir para o trabalho. Estes são alguns dos hábitos diários, feitos de forma automática por várias pessoas ao longo da vida. Mas, porque temos esses hábitos ou até mesmo outros ruins, que podem nos prejudicar? É isso que o livro ‘’O Poder do Hábito“, escrito por Charles Duhigg, procura abordar.

Repórter investigativo do New York Times, o autor passou mais de duas décadas pesquisando e procurando entender como os hábitos funcionam e como eles moldam cada aspecto da nossa vida, seja pessoal ou profissional. Mas a ideia central do livro é mostrar que é possível não apenas conviver com estes costumes, mas também modificá-los.

O livro é dividido em três partes. A primeira, fala sobre o comportamento dos indivíduos usando como embasamento experimentos científicos e estudos de casos, para entender o que é um hábito e como ele funciona na vida das pessoas. O autor demonstra a “Teoria do Loop do Hábito’’ (Deixa + Rotina + Recompensa), que usa como parâmetro durante todo o livro. Essa teoria explica que recebemos um estímulo (Deixa), que faz o cérebro entrar em piloto automático, e indica o hábito que deve sempre ser usado – escovar os dentes, por exemplo – que leva a (Rotina), que é a forma como executamos a Deixa, de forma física, mental ou emocional. Fazemos tudo isso em busca da recompensa, que ajuda o cérebro a saber se vale a pena, ou não, guardar esse loop para o futuro. 

Para Duhigg, esses hábitos surgem porque nosso cérebro procura o tempo todo maneiras de poupar esforços. Por isso, uma vez aprendidas, essas práticas nunca desaparecem de fato, mas podem ser ignoradas, alteradas ou substituídas. No livro, ele mostra casos de alcoólatras e pessoas com compulsão, por exemplo, que tiveram hábitos fortes substituídos com a inclusão de apenas um novo hábito, pois é como se fosse uma mudança em cadeia. E o mais importante, ele mostra exames clínicos e até mesmo imagens do cérebro desses pacientes onde fica claro a alteração das zonas estimuladas.

Já a segunda parte do livro é sobre os hábitos de organizações bem-sucedidas. Um dos cases é a Starbucks e seu processo de treinamento, que consegue mudar a vida de seus funcionários através da rotina, diminuindo a rotatividade e aumentando a produtividade. Nesta parte, o autor também mostra exemplos de determinada organização que se recusa a mudar, mantendo comportamentos ruins e prejudiciais ao negócio. O resultado foi a perda de credibilidade no mercado.

Por fim, a terceira parte  explora os hábitos das sociedades, mostrando como eles interferem dia a dia no comportamento das pessoas . Charles Duhigg retrata a importância do grupo e da comunidade, citando o exemplo de como surgiu o movimento liderado por Martin Luther King. O livro, que pode parecer a princípio mais um livro de autoajuda, é na verdade  uma leitura que, além de explicar a formação e mudanças dos hábitos, apresenta embasamento científico que corrobora com suas afirmações. Trata-se  de um trabalho minucioso de pesquisa de um jornalista que pode nos fazer olhar para a rotina de um modo diferente.

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