Profissionais contam sobre mudança de rotina por causa da pandemia

por Letícia Serpa

A Covid-19 chegou ao Brasil em março de 2020, deixando um alto índice de desemprego no país e no  mundo. Com mais de 14 milhões de desempregados neste país continental, o que fica é o sonho de dias melhores e a vontade de lucrar, ainda que durante uma longa e exaustiva pandemia. 

Mas e o trabalho essencial e da população autônoma, por exemplo, como ficou? Enquanto muitos foram demitidos, outros tiveram o “privilégio” do home office. O corretor de imóveis Pedro Jorge, 54, por exemplo, acredita que o país fez tudo errado quando não comprou a vacina na primeira oportunidade. “Isso só atrasou ainda mais o cuidado com a saúde dos brasileiros”, diz. Ele aponta que apenas voltará ao trabalho presencial após a primeira dose da imunização. 

Pedro Jorge, 54, é corretor de imóveis e diz que só voltará ao trabalho presencial depois de se vacinar

Atualmente na fila de espera, Jorge comenta que, por sorte, vendeu alguns imóveis no começo do primeiro lockdown, o que garantiu sua segurança financeira dentro de casa e a sobrevivência de sua família. “Eu vendi boas propriedades, recebi o auxílio emergencial e segurei o meu sustento por alguns longos meses”, explica.

“Por outro lado, infelizmente, o dinheiro acabou, e atualmente seguimos em frente com o salário da minha esposa, que teve o privilégio de atuar em home office várias vezes, principalmente no lockdown”, explica Pedro, ansiando voltar a trabalhar presencialmente. “Sempre uso máscara quando estou saindo de casa. Mas não me arrisco em voltar a trabalhar como corretor, pelo menos não agora. Primeiro: ninguém está comprando. E segundo: muitos colegas ficaram doentes. Não quero me arriscar”, finaliza.

E o trabalho presencial?

Já Sílvia Helena, 52, com 35 anos, de carteira assinada, trabalha no setor administrativo de uma empresa realizando compras e conferindo as entradas fiscais. “O meu serviço deveria ser em home office, visto que, pelo trabalho ser burocrático, muitas pessoas tocam em papéis e notas fiscais. O risco é muito grande dentro da empresa”, explica. 

Para a profissional, passar álcool em gel, não coçar o rosto e lavar as mãos constantemente deixam-na tensa no trabalho presencial. “Em casa, tudo seria mais tranquilo, principalmente a sanidade. Eu me sinto desconfortável e tenho certo medo de ir, mas, infelizmente, os meus gestores precisam de mim presencialmente”, diz.

Sílvia Helena, 52, é administradora e tenta manter os cuidados de higiene durante o trabalho presencial.

“Voltei depois do último lockdown e não pensei em abandonar, já que sou a principal renda da minha família. Eu preciso do meu salário cobrindo as nossas despesas. No entanto, se tivesse que escolher, eu ficaria em casa, com certeza, pensando em algum serviço caseiro como renda extra. Infelizmente, não posso. Só vivo nesse temor”, afirma.

O jornalista Gabriel Amora, 24, comenta que tudo ficou mais difícil agora que saiu do seu segundo emprego durante um ano de pandemia. “A primeira empresa, em que atuei por mais de dois anos, simplesmente quebrou, demitindo todos os funcionários que trabalhavam em Fortaleza. Foi uma barra, mas tive como me sustentar com o auxílio desemprego e com pequenos serviços temporários para pequenos negócios”, aponta. 

Mas o jornalista não desanimou e logo garantiu o seu segundo emprego. O que ele não esperava, no entanto, era a indiferença que a gestão da empresa teve com os funcionários. “O líder não deu a mínima para a Covid. Deixava uma copa minúscula para todos almoçarem, colocava os funcionários dentro de uma sala pequena com ar condicionado e não punia ou alertava quem andava sem uso da máscara. Não aguentei: pedi demissão”, complementa. 

Por ora, assim como o jornalista, muitos procuram por trabalho e uma nova forma de se encontrarem no mercado de trabalho. Uma pena que o trabalho presencial seja algo perigoso para todos, já que há muitas pessoas que preferem atuar dentro do ambiente de trabalho. Algumas, inclusive, não têm máquina e/ou equipamentos suficientes para trabalhar via home office. O que acaba restando é o risco de contaminação e o medo de adoecer ou passar a doença para parentes e amigos. 

No trabalho, Sílvia Helena faz questão de usar máscara e constantemente higienizar as mãos

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

css.php