Oscar 2021: ‘Nomadland’ é grande vencedor em cerimônia de pior audiência da história

 

                                                                                                                                                                               

Publicação de Anthony Hopkins em seu Instagram oficial (@anthonyhopkins)

                                                                                                                                                                        por Jean Dantas

A 93ª cerimônia de entrega dos Academy Awards, ou Oscar 2021, ocorreu no útimo  domingo (25), e ficou marcada por registrar a pior audiência televisiva da história da premiação. Realizada em abril, quase dois meses depois de sua data habitual, a festa da Academia deste ano adotou um modelo híbrido para a sua exibição. 

Alguns convidados estavam presentes na Union Station, principal terminal de trens de Los Angeles, enquanto outros indicados acompanhavam de Londres e Paris. Esta edição foi a primeira a ser modificada com o objetivo de atender às restrições e limitações impostas pela pandemia de Covid-19.

De acordo com dados divulgados pela Nielsen Ratings, que determina o tamanho e composição da audiência de programas televisivos, a cerimônia foi assistida por uma média de 9,85 milhões de espectadores nos Estados Unidos. Isso representa uma queda de 58.3% em relação à edição anterior, que obteve média de 13,75 milhões de espectadores.

Os números não surpreendem por conta das limitações de produção e os efeitos gerais da pandemia na indústria cinematográfica e premiações deste ano. O Globo de Ouro, por exemplo, vem sofrendo com uma baixa de audiência por oito anos consecutivos, enquanto a premiação dos Grammys de 2021 também ficou marcada por ser a edição de menor audiência de sua história, quando registrou uma baixa de quase 53% em comparação com ao ano anterior. 

O Oscar 2021 adotou um ritmo incomum durante a apresentação e levantou questionamentos do público após exibir a categoria de Melhor Filme antes de Melhor Ator e Atriz, e não como encerramento, como ocorria tradicionalmente. “Nomadland”, longa que retrata a cultura nômade nos Estados Unidos, consagrou-se como grande vencedor da noite, após conquistar os prêmios na categoria principal, Chloé Zhao em Melhor Direção e Frances McDormand em Melhor Atriz. 

 

Repercussão

Após a alteração na ordem das premiações, esperava-se que a categoria de Melhor Ator teria sido deixada por último para caso Chadwick Boseman vencesse  postumamente por seu papel em “A Voz Suprema do Blues”, mas a maior surpresa da noite veio quando o Oscar de Melhor Ator foi para Anthony Hopkins por sua atuação no drama sobre demência “Meu Pai”. 

Publicação de Anthony Hopkins em seu Instagram oficial (@anthonyhopkins)

Anthony Hopkins não estava presente para receber o prêmio, a leitura de seu nome por Joaquin Phoenix foi o último momento dramático de uma cerimônia incomum. O segundo Oscar para Hopkins vem quase 30 anos depois do primeiro, em 1992, por interpretar Hannibal Lecter em “O Silêncio dos Inocentes”.

Entretanto, de acordo com o New York Times, o vencedor do Oscar de Melhor Ator em 2021 se ofereceu para aparecer na cerimônia através de videoconferência, mas Steven Soderbergh e outros produtores do evento impediram a aparição de  Hopkins por conta da proibição de discursos via chamada de vídeo decidida previamente. 

Na manhã da segunda-feira (26), o ator declarou em suas redes sociais que não esperava ganhar e agradeceu pelo prêmio. Em seguida, fez um tributo a Chadwick Boseman. “Estou aqui na minha terra natal, País de Gales, e aos 83 anos de idade não esperava receber este prêmio. Realmente não esperava. Sou grato à Academia e obrigado. Quero prestar homenagem a Chadwick Boseman, que foi tirado de nós muito cedo. Novamente, muito obrigado a todos. Eu realmente não esperava por isso. Então eu me sinto muito privilegiado e honrado. Obrigado”, declarou o vencedor do Oscar de Melhor Ator em sua página do Instagram. 

Reações negativas nas redes sociais contra a conquista de Anthony Hopkins fizeram com que a família de Boseman se pronunciasse em defesa do ator. Derrick Boseman, irmão de Chadwick, declarou ao site americano TMZ que o ator de Pantera Negra teria sido o primeiro a dar os parabéns a Hopkins, e que ele encarava o Oscar como uma “conquista, mas nunca uma obsessão”.

Confira os vencedores das principais categorias. 

 

Melhor Filme 

“Judas e o Messias Negro” 

“Mank” 

“Minari” 

“Nomadland” 

“Bela Vingança” 

“O Som do Silêncio” 

“Os 7 de Chicago” 

“Meu Pai”

 

Melhor Direção 

Lee Isaac Chung – “Minari” 

Emerald Fennell – “Bela Vingança” 

David Fincher – “Mank” 

Chloé Zhao – “Nomadland” 

Thomas Vinterberg – “Druk – Mais Uma Rodada”

 

Melhor Atriz 

Viola Davis – “A Voz Suprema do Blues” 

Vanessa Kirby – “Pieces of a Woman” 

Frances McDormand – “Nomadland” 

Carey Mulligan – “Bela Vingança” 

Andra Day – “Estados Unidos vs. Billie Holiday”

 

Melhor Ator 

Riz Ahmed – “O Som do Silêncio” 

Chadwick Boseman – “A Voz Suprema do Blues” 

Anthony Hopkins – “Meu Pai” 

Gary Oldman – “Mank” 

Steven Yeun – “Minari”

 

Melhor Atriz Coadjuvante 

Maria Bakalova – “Borat: Fita de Cinema Seguinte” 

Glenn Close – “Era uma Vez um Sonho” 

Olivia Colman – “Meu Pai” 

Yuh-Jung Youn – “Minari” 

Amanda Seyfried – “Mank”

 

Melhor Ator Coadjuvante

Sacha Baron Cohen – “Os 7 de Chicago” 

Daniel Kaluuya – “Judas e o Messias Negro” 

Leslie Odom Jr. – Uma Noite em Miami” 

Paul Raci – “O Som do Silêncio” 

Lakeith Stanfield – “Judas e o Messias Negro”

 

Melhor Roteiro Adaptado

“Borat: Fita de Cinema Seguinte” – Peter Baynham, Sacha Baron Cohen, Jena Friedman, Anthony Hines, Lee Kern, Dan Mazer, Erica Rivinoja & Dan Swimer

“Meu Pai” – Christopher Hampton & Florian Zeller

“Nomadland” – Chloé Zhao

“Uma Noite em Miami” – Kemp Powers

“O Tigre Branco” – Ramin Bahrani

 

Melhor Roteiro Original

“Judas e o Messias Negro” – Will Berson, Shaka King, Keith Lucas & Kenny Lucas

“Minari” – Lee Isaac Chung

“Bela Vingança” – Emerald Fennell

“O Som do Silêncio” – Derek Cianfrance, Abraham Marder & Darius Marder

“Os 7 de Chicago” – Aaron Sorkin

 

Melhor Fotografia

“Mank” – Erik Messerschmidt

“Os 7 de Chicago” – Phedon Papamichael

“Nomadland” – Joshua James Richards

“Relatos do Mundo” – Dariusz Wolski

“Judas e o Messias Negro” – Sean Bobbitt

 

Melhor Figurino

“Emma” – Alexandra Byrne

“A Voz Suprema do Blues” – Ann Roth

“Mank” – Trish Summerville

“Mulan” – Bina Daigeler

“Pinóquio“– Massimo Cantini Parrini

 

Melhor Trilha Sonora

“Destacamento Blood” – Terrence Blanchard

“Mank” – Trent Reznor e Atticus Ross

“Minari” – Emile Mosseri

“Relatos do Mundo” – James Newton Howard

“Soul” – Trent Reznor, Atticus Ross e Jon Batiste

 

Melhor Som

“Greyhound”

“Mank”

“Relatos do Mundo”

“O Som do Silêncio”

“Soul”

 

Melhores Efeitos Visuais

“Love and Monsters”

“O Céu da Meia-Noite”

“Mulan”

“O Grande Ivan”

“Tenet”

 

Melhor Animação

“Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica”

“Soul”

“A Caminho da Lua”

“Shaun, o Carneiro, o Filme: A Fazenda Contra-Ataca”

“Wolfwalkers”

 

Melhor Documentário

“Collective”

“Crip Camp: Revolução pela Inclusão”

“Agente Duplo”

“Professor Polvo”

“Time”

 

Melhor Filme Internacional

“Quo Vadis, Aida?”, Bósnia-Herzegovina

“Druk – Mais Uma Rodada”, Dinamarca

“Better Days”, Hong Kong

“Collective”, Romênia

“O Homem que Vendeu sua Pele”, Tunísia

 

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