“Estamos trabalhando com a ruptura de uma cultura muito forte nos cursos de comunicação”

por Marcelo Teixeira e Lívia Mariáh

Mesmo quem não é da área da comunicação, em especial do jornalismo, percebe as mudanças pelas quais têm passado a rotina desses profissionais. Impactados pelas constantes revoluções tecnológicas, o profissional de jornalismo tem precisado se adaptar às novas formas de produção da notícia, que dialogam com as tecnologias dos smartphones e com o protagonismo do cidadão comum na emissão de informações.

Diante de tantas revoluções, os cursos de jornalismo precisaram se reinventar e se adaptar aos novos tempos. Na Universidade de Fortaleza (Unifor), essa mudança estrutural já vinha sendo sentida, e para acompanhar os processos, a coordenação do curso implementa, a partir de 2021.2, uma nova matriz curricular. Desenhada a várias mãos, por profissionais com intensa experiência acadêmica e de mercado, a matriz que começa a vigorar em 2021.2, traz na sua essência a base teórica, inerente aos cursos de jornalismo, aliada a uma prática intensa e direcionada para o desenvolvimento de produtos de última geração.

A nova matriz é fruto de um trabalho colegiado, iniciado imediatamente após a inauguração em 2016 da atual matriz, mediada por  conversas com o mercado através de  profissionais, veículos, alunos, coleta de dados e muita observação dialogada. Essas ações se fizeram necessárias para identificar no novo perfil desse profissional, as novas modalidades de produção de notícias e as novas configurações do mercado de informação. A necessidade de conhecer o entorno e entender as habilidades e competências necessárias ao novo profissional de jornalismo foram consideradas o start para uma atualização programática e periódica do curso de jornalismo da Unifor.

Coordenado pelo jornalista Wagner Borges, o curso de Jornalismo da Unifor inova assim, mais uma vez em sua trajetória. Eleito cinco anos consecutivos como o melhor do Nordeste e do Norte, pelo Ranking Universitário da Folha de São Paulo, o Curso de Jornalismo da Unifor já é também reconhecido nacionalmente. 

Wagner Borges conversou com o nosso portal sobre a nova matriz curricular e o perfil do novo jornalista.


Marcelo Teixeira: Observa-se que, em boa medida, a atualização da matriz incorpora as mais recentes mudanças pelas quais têm passado a forma de se produzir conteúdo noticioso. Um exemplo é a disciplina de Jornalismo e Comunicação de Dados. No conjunto, na sua opinião, qual é a principal novidade que o estudante de Jornalismo encontrará nessa nova proposta?

Wagner Borges: Temos o compromisso de buscar um processo inovador e não por acaso, inovação e jornalismo historicamente andam juntos. Inovar é também o DNA da Unifor. Quando assumimos o curso, uma mudança de matriz não estava materializada no horizonte nem consolidada nas discussões internas. Havia uma visão muito homogênea nas universidades brasileiras de se fazer ou reproduzir jornalismo. Nós estamos numa instituição de ensino privada, internacionalmente acreditada que tem missão, visão, valores, propósitos e práxis que nos são inerentes e, portanto, nos diferenciam. É preciso entender e oportunizar isso.

A primeira ação natural que nos obrigamos a desafiar foi incluir o olhar do mercado e o que ele estava dizendo, vocalizando, levando em conta, claro, as diretrizes curriculares do Ministério de Educação e Cultura (MEC), pois a Unifor é profundamente profissional e atenta no sentido de fazer e entregar tudo aquilo que os alunos precisam, observando sempre a Legislação Federal e plasmando isso tudo com a autonomia universitária.

Assim, em 2016, fomos o primeiro programa de jornalismo no Nordeste e sétimo no Brasil a investir na gestão integrada da comunicação. Trabalhamos com a ruptura de uma cultura muito forte de  “produzir e entregar bons profissionais apenas para as empresas de comunicação”. Debatemos e dialogamos, oferecemos e assumimos essas mudanças, nem sempre entendidas ou respeitadas, para que professores e alunos entendam o jornalismo não apenas como profissão mas também como carreira, e, sobretudo, como instituição.

O Jornalismo é um dos pilares da democracia e sem jornalismo profissional não há democracia. Mas nós, jornalistas, somos fundamentalmente prestadores de um serviço intangível e cuja aplicabilidade transcende hoje a comunicação formal e está consolidado como um ativo estratégico. Para refletir isso e atender a esse novo perfil, estamos formando poliglotas digitais empreendedores que vão abrir mais e mais mercados.

Temos uma matriz mais competitiva que inova ao criar trilhas de formação onde os alunos podem se especializar em novos segmentos profissionais, ter mais conhecimento e ampliar suas possibilidades tanto nas redações das empresas de comunicação, como também na comunicação das empresas, terceiro setor ou empreendendo seu próprio nicho de atuação.

Com essa nova matriz, criamos mais um processo articulado de formação e oportunidades onde, no primeiro ciclo, prezamos a formação ética fundamental ao exercício do jornalismo.

No segundo ciclo forma-se o nosso poliglota digital, ou seja, o aluno precisa entender filosoficamente e aplicar as ferramentas usadas para se sentir confortável e atuar em todas as áreas, editorias e demais projetos onde estiver engajado. No terceiro ano temos os módulos de pesquisa. Neste ciclo, o aluno vai aplicar todos os seus conhecimentos em diversas extensões e experiências já refletindo sua maturidade como ser ético, multi instrumental e à vontade com vários cenários que vão da diversidade a estratégia investigativa por meio de métricas abrindo novos espaços para o aluno fazer pesquisas acadêmicas ou para o seu mercado.

No último ano, ou quarto ciclo, acontecerá o que chamamos de “choque de gestão”, onde o aluno já finalizando o curso, entende de carreira, a gestão de empresas de comunicação ou a comunicação das empresas e o empreendedorismo. Estamos adicionando nos alunos, portanto, o DNA da Unifor. 


MT: A pandemia nos fez sair da aula presencial, isto é, para o modelo remoto, com aulas síncronas, através do computador. Essa nova matriz está alinhada com essa perspectiva de aula remota? Ou ela ainda é voltada para o formato presencial? 

WB: O futuro chegou faz tempo e as disciplinas refletirão a relação presencial e virtualizada.. Tudo aquilo que já adotamos e iremos adotar nesse novo processo está sempre voltado para o benefício da aprendizagem. Quando a pandemia começou, o curso de jornalismo respondeu com velocidade e qualidade o compromisso de virtualizar as disciplinas para enfrentarmos o lockdown.

A pandemia, de certa forma, antecipou tendências no mundo do ensino e aprendizagem. Estamos cada vez, e concordo muito com isso, dando a autonomia necessária que o aluno precisa. Por conta disso, o curso de jornalismo abraça novas disciplinas no formato CCEX (Componente Curricular de Extensão), onde o aluno terá mais disciplinas teóricas e práticas focadas na experiência, na extensão e no contato com as suas métricas, audiências e filosoficamente engajados no protagonismo socioambiental. Ele vai ter todo espaço para desenvolver e aplicar suas ideias e seus experimentos.

O Jornalismo da Unifor sempre trabalhou com o processo prático e agora estamos incrementando e explorando mais e mais  todas as possibilidades desses gradientes. Nesta fase de nova matriz, também estamos inovando com a oitiva de alunos na fase final de elaboração das ementas para que participem novamente sugerindo atividades, metodologias e outras contribuições que consolidem também a nossa maneira de ver e fazer jornalismo.

Acredito muito que talento não é uma coisa regional e de onde você está você pode contribuir. É uma visão endógena que se apega a nossa autonomia universitária e se desprega de um senso comum imposto para um universo tão rico que é a instituição do Jornalismo e que, na minha visão,  deve ter os dois pés no chão para nunca se deslocar da realidade.

A coordenação espera que os alunos participem dialogando com os professores ampliando de forma ética e transparente essa instituição que está refletida numa matriz que, a exemplo do atual programa que será progressivamente substituído pelo novo, é uma homenagem ao jornalismo profissional brasileiro.

Nós, jornalistas, combatemos o bom combate, trabalhamos com um jornalismo extremamente profissional, de altíssima qualidade, sempre valorizando a nossa democracia que vem sendo testada, agredida mas nunca a deixaremos ser subjugada. Para isso, estamos contribuindo formando profissionais de excelência e com grande desenvoltura para atuar neste e  em qualquer outro tipo de desafio. 

Confira a nova matriz:
Semestre 1
G551 - Ateliê leitura e prod textual
G558 - Estudos em comunicação e mídia
G549 - Fotografia
G023 - História do jornalismo
G078 - Jornalismo mercado informação

Semestre 2
G109 - Computação gráfica
G193 - Escrita criativa
H704 - Filosofia geral e da comunicação
G086 - Psicologia da comunicação
G550 - Sociologia geral e da comunicação
G203 - Teoria do jornalismo

Semestre 3
G205 - Cenários econ em jornalismo
G553 - Ciclo avaliativo II
G552 - Design editorial
G208 - Míd soc, cibercul & jornalismo
G202 - Semiótica
G554 - Técnicas prod em jornalismo

Semestre 4
G555 - Jornalismo impresso
G095 - Jornalismo investigativo
G311 - Projeto integrador
G556 - Radiojornalismo

Semestre 5
G561 - Ciclo avaliativo II
G557 - Com e marketing estratégico
G284 - Estágio I
G559 - Jornalismo digital
G097 - Jornalismo empresarial
G560 - Telejornalismo

Semestre 6
G562 - Assessoria de comunicação
A500 - Atividades complementares
G312 - Jornalismo comunitário
G323 - Jornalismo cultural
G314 - Narrativ audiov em jornalismo
G313 - Ética em legislação jornalismo

Semestre 7
G564 - Ciclo avaliativo III
G316 - Estágio II
G509 - Gestão emp e sustentabilidade
G565 - Jornalismo e comun de dados
G317 - Planej com e jorn empresarial
G563 - Tcc I

Semestre 8
G566 - Ciclo avaliativo IV
G318 - Tc II

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