Livro nos faz questionar até onde podemos ir para realizar nossos desejos

por Lara Albuquerque

Colleen Hoover é uma autora norte-americana que sempre aborda em seus romances alguma problemática da sociedade, como a violência doméstica, famílias desestruturadas, dependência química e outros. Em Verity, Colleen vai além dessas temáticas e cria seu primeiro livro de suspense-terror psicológico do gênero thriller. Ela entrega com maestria um suspense que faz prender a respiração, embrulhar o estômago e questionar até onde um ser humano pode chegar para defender seus próprios desejos e interesses.

O livro começa com um acidente de trânsito bem violento, nos preparando para o pior que vem depois. Após a cena, conhecemos a protagonista, Lowen (que foi testemunha do acidente), uma escritora de suspense talentosa mas que não vende o suficiente para se manter, em parte pelo seu desinteresse em se expor publicamente. 

Já à beira da falência, Lowen recebe a proposta de terminar uma saga de livros da famosa escritora Verity Crawford, a quem admira muito, enquanto esta se  recupera de um súbito acidente. 

Quando Lowen aceita o trabalho, ela se muda temporariamente para a mansão dos Crawford para estudar os manuscritos da escritora. Finalmente, conhecemos nossa protagonista: Verity. Tudo que vamos descobrir sobre ela será em três perspectivas: a de Lowen, que tira suas conclusões através de uma autobiografia que ela encontra no caótico escritório da autora; a do marido apaixonado, Jeremy; e a versão perturbadora em que Verity descreve a si mesma. 

É através da autobiografia de Verity que Lowen descobre que a mansão Crawford é rodeada por tragédias, mentiras e sofrimento, sendo palco para a destruição de uma família após acidentes desastrosos envolvendo as filhas gêmeas, sobrando apenas Jeremy e o filho mais novo do casal, Crew.

 Por várias vezes o leitor pode se questionar se o que está lendo é realmente possível um ser humano sentir ou fazer. Muitas vezes fechei o livro para digerir tudo que Colleen Hoover escreveu – e me perguntava de onde ela tirou tantas coisas absurdas.  No entanto,  o livro nos envolve do começo ao fim com um jogo psicológico e doentio que cerca cada personagem, inclusive Crew, que sempre fala coisas estranhas e age de forma suspeita em relação à mãe. Crianças em cenas de suspense dificilmente são confiáveis.

Lowen não é uma personagem tão interessante, apesar de conhecermos a história através de seu olhar, já que a escrita é em primeira pessoa. Colleen Hoover não desenvolve tanto as características dela para além de ser uma escritora de suspenses quase falida. Apesar de descrever suas questões com fobia social, sonambulismo e os problemas familiares, ela deixa algumas pontas soltas e pouco desenvolvidas, o que nos faz não ter muita afinidade com a personagem. Já o marido, Jeremy, é difícil ter uma opinião formada sobre ele até o fim do livro, já que ele passa entre suspeito e vítima durante a maior parte da leitura.

Apesar de haver um romance, pois a tensão sexual entre Lowen e Jeremy é nítida, mas pouco atrai o desfecho da relação dos dois, pois outros acontecimentos no suspense se tornam bem mais interessantes. O que nos faz querer terminar o romance é saber as consequências que isso trará para Verity, pois é nela que nos concentramos o tempo todo, lendo sua autobiografia em paralelo com o tempo real da história. É o desfecho dela que queremos saber. O tempo todo um fato novo é apresentado e constantemente ficamos ainda mais curiosos em saber até onde a história irá. E, quando chegamos nos momentos finais, tudo desmorona e não sabemos como reagir – eu não soube reagir a não ser a súbita vontade de jogar o livro pela janela.

A maior mensagem do livro é que as pessoas são ruins e nossa mente pode ser ingênua demais para imaginar até onde essa maldade pode ir. Nós não nos conhecemos e não sabemos o que somos capazes de fazer para alcançar nossos interesses. Colleen Hoover criou uma história doentia que nos faz questionar nossos próprios demônios e se devemos ou não abraçá-los. 

Importante destacar que a história tem cenas de sexos e linguagem imprópria, então a faixa etária é para maiores de 16 anos.


Ficha técnica 

Título: Verity

Autor: Colleen Hoover

Editora: Galera Record 

Tradução: Thaís Britto

Páginas: 320

Classificação etária: +16

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