Esporte: Cinco finais históricas da Champions League

por Jean Dantas

A Liga dos Campeões da UEFA (sigla em  inglês de Union of European Football Association), ou Champions League (Liga dos Campeões) é uma competição continental realizada anualmente e disputada pelas equipes europeias de melhor classificação nos respectivos campeonatos nacionais dos quais participam.  

É um dos torneios mais prestigiados pelos fãs de futebol que anseiam por atuações do mais alto nível, independente da fase da competição que assistam. Desde a adesão do atual formato, na temporada de 1992/1993, 32 equipes disputam uma fase de grupos inicial seguida por quatro etapas eliminatórias, com o objetivo de conquistar o título, considerado como o mais importante para um time europeu de futebol.

Com o passar dos anos e o avanço da tecnologia e dos meios de comunicação, os investimentos, transmissões e patrocínios se tornaram cada vez mais expressivos e aliaram-se à imensa tradição já mencionada para consolidar a Champions como uma das maiores competições esportivas da história. 

Desde seu  hino emblemático, que ultrapassa gerações e pode ser ouvido até em entradas de casamentos, até tatuagens feitas por jogadores, como forma de homenagear o título conquistado do torneio, a tradição se mantém viva por milhares de fãs que cultuam o futebol como uma verdadeira religião.

Alegrias para alguns, lágrimas para outros, depende da perspectiva de quem o acompanha. A Champions League sempre foi palco de espetáculos memoráveis por meio de suas 27 edições realizadas até hoje. Esta edição do 5+ traz alguns desses confrontos históricos disputados na fase final da competição.


Barcelona x Arsenal (2006)

https://www.youtube.com/watch?v=_A1epKReJhQ&ab_channel=DBoost

A grande final protagonizada por Barcelona e Arsenal em 2006, no Stade de France, em Paris, ficou marcada por ser um jogo emocionante e de muita polêmica. A equipe espanhola buscava seu segundo título europeu, enquanto os Gunners, como são chamados os jogadores do Arsenal, almejavam a glória em sua primeira e única participação em uma final de Liga dos Campeões. 

A equipe do norte de Londres contava com o maior jogador de sua história, Thierry Henry, e vinha de um inédito título invicto do campeonato inglês. Já o Barcelona possuía um elenco de grandes estrelas como Iniesta, Xavi e, principalmente, Ronaldinho Gaúcho, que viria a se tornar o melhor jogador do mundo naquela temporada. 

Aos 18 minutos do primeiro tempo, o goleiro do Arsenal, Jans Lehmann, foi expulso por uma falta em Samuel Eto’o. Em lance polêmico, em que jogadores e comissão técnica reclamaram de suposto impedimento, de nada adiantou, o Arsenal jogaria com um jogador a menos por todo o restante da partida. Isso não impediu que os Gunners abrissem o placar do jogo com Sol Campbell e terminassem o primeiro tempo da final em vantagem. 

Seu gol faria a diferença até o minuto 76, quando o mesmo Samuel Eto’o empatou o confronto. O Arsenal, em inferioridade numérica, não conseguiu conter a pressão do time espanhol e, apenas cinco minutos depois, Juliano Belletti faria o segundo gol do Barcelona, aos 81 minutos, e o clube seguraria a vitória a partir daí.


Chelsea x Bayern (2012)

https://www.youtube.com/watch?v=rjZsEIB8oXo&ab_channel=GugaTV

A edição de 2012 teve sua fase final disputada na Allianz Arena, estádio do Bayern de Munique, na Alemanha. Além da pressão de ter que jogar na “casa” do adversário, o Chelsea buscava conquistar a Champions pela primeira vez em sua história, enquanto a equipe alemã já havia vencido a competição em quatro oportunidades, exercendo favoritismo no confronto.

O Bayern, que viria a ser a base da seleção alemã campeã do mundo dois anos depois, estava no auge da sua força e contava com astros em seu elenco como Neuer, Lahm, Schweinsteiger, Toni Kroos, Thomas Müller, além dos “não-alemães” fundamentais, Ribéry e Robben. 

Do lado do Chelsea, um time experiente que possuía grandes nomes da história do clube: Petr Cech, John Terry, Frank Lampard e Didier Drogba. Uma equipe sólida e eficiente que vinha motivada pela gigantesca vitória nas semifinais contra o Barcelona, tido por muitos como um dos favoritos ao título daquela temporada.

Em um confronto tenso, de oportunidades perdidas e com grandes defesas dos dois goleiros, o placar só sairia do zero a zero aos 38 do segundo tempo, quando Müller fez de cabeça o gol que daria o título ao Bayern. Os Blues, como são conhecidos os jogadores do Chelsea, não se deixaram abalar e, a dois minutos do fim da partida, empataram também de cabeça, com Didier Drogba.

A tensão foi mantida na prorrogação, quando o mesmo Drogba, que havia empatado o jogo para o Chelsea, cometeu pênalti a favor do Bayern. O holandês Robben, camisa dez do clube bávaro, teve sua cobrança defendida pelo goleiro da equipe inglesa, o que levou o jogo à disputa de pênaltis. Por fim, o Chelsea se consagrava campeão de seu primeiro grande título europeu após a cobrança final de Drogba, o grande personagem da partida.


Real Madrid x Atlético de Madrid (2014)

A decisão da Champions League de 2014 foi marcada por um jogo de imensa rivalidade entre os participantes. “El Derbi Madrileño”, como é conhecido o confronto entre os dois maiores clubes de futebol de Madrid, o Real e o Atlético, era o principal jogo da temporada, o que fez com que a maior cidade da Espanha parasse para acompanhar o maior clássico disputado até a data.

O Atlético de Madrid, que havia sido campeão espanhol depois de 18 anos, tinha em seu elenco jogadores de muita qualidade que eram potencializados por uma filosofia de jogo clara e objetiva, característica de seu treinador, Diego Simeone. Do outro lado, seu maior rival, o Real Madrid, tinha uma coleção de astros tão significativa quanto e contava com mais uma temporada impactante de Cristiano Ronaldo.

O Atlético marcou gol ainda no primeiro tempo e segurou o resultado até os acréscimos da segunda etapa, após sustentar muito bem a pressão intensa exercida pelo Real durante todo o jogo. Nos acréscimos, em um dos últimos lances da partida, Sergio Ramos empatou a partida de cabeça após escanteio. Era o início do fim para o time de Diego Simeone.

O empate se manteve no primeiro tempo da prorrogação, mas a questão física acabou custando o título para o Atlético, que não suportou a pressão mantida pela equipe de Carlo Ancelotti, técnico do Real, e viu o rival virar e ampliar o jogo com gols de Bale, Marcelo e Cristiano Ronaldo. O Real Madrid conquistava “La Decima”, o seu tão aguardado décimo título de Champions League, o maior vencedor da competição.


Manchester United x Bayern (1999)

Um público de aproximadamente 90 mil pessoas assistiu à partida em que o representante do futebol inglês naquele ano, o Manchester United, parecia prestes a perder a grande final da Liga dos Campeões de 1999. Na realidade, o que estava para acontecer era uma das maiores recuperações de um time na história da competição.

O adversário era o Bayern de Munique, que contava em seu elenco com grandes nomes, como Oliver Kahn e Lothar Matthäus. Os bávaros saíram na frente, logo aos seis minutos do primeiro tempo, com um gol de falta de Mario Basler. O United exerceu pressão pelo empate, mas o Bayern se defendia bem e levava constante perigo em contra-ataques.

No entanto, na metade final do segundo tempo, Alex Ferguson, maior técnico da história do Manchester United, mudou as páginas da história, colocando Sheringham e Solskjær em campo. 

Estava nascendo a lenda do “Fergie Time”, uma espécie de tendência dos jogadores do Manchester em marcar gols nos acréscimos. Os dois jogadores que Ferguson colocou em campo na etapa final marcaram os gols da histórica virada do time inglês, aos 46 e 48 minutos do segundo tempo. O Manchester United vencia por 2×1 e deixava marcado em sua história uma das temporadas mais vitoriosas do clube.


Liverpool x Milan (2005)

https://www.youtube.com/watch?v=fhZRt4QJHsA&ab_channel=FootballFlashback

No futebol, sempre existiram pautas levantadas com o objetivo de incitar discussões que abrem espaço para diferentes interpretações, o que dificulta um consenso comum. Entretanto, quando se levanta o questionamento a respeito da maior das finais da Champions League, dificilmente alguém discordará da escolha deste confronto. 

A noite de 25 de maio de 2005 ficaria marcada na história como uma das maiores reviravoltas já vistas no futebol. O “Milagre de Istambul”, como ficou conhecido, foi o confronto entre Liverpool, representante do futebol inglês, e o Milan, da Série A italiana. A partida foi disputada no Estádio Olímpico Atatürk, na Turquia, e tinha a equipe de Milão como o grande favorito após passagem tranquila pelas semifinais. 

O favoritismo foi confirmado com apenas um minuto de jogo. Maldini marca para o Milan e faz o gol mais rápido de uma final de Champions League até o momento. O primeiro tempo foi de domínio completo da equipe italiana, que ainda ampliou duas vezes com Crespo, aos 38 e 44 minutos da etapa inicial. 

Mas o que parecia ser uma goleada inevitável não impediu a fiel torcida do Liverpool de cantar sua canção característica, “You’ll Never Walk Alone”, nas arquibancadas. Era a motivação de que os Reds, como são conhecidos, precisavam. O time voltou a campo e, em 15 minutos de pressão e intensidade, empatou a partida com gols do capitão Steven Gerrard, Smicer e Xabi Alonso. 

Os 30 minutos restantes de jogo e a prorrogação não foram suficientes para alterar o empate entre as duas equipes. A dramática decisão, portanto, foi para os pênaltis. No duelo entre os goleiros, a estratégia adotada pelo jogador do time inglês se provou mais eficiente. O polonês Dudek defendeu as cobranças de Pirlo e Shevchenko e sacramentou o Milagre de Istambul, e uma das maiores partidas da história da Champions League e do futebol moderno. 

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