Rede de comunicação debate situação da Amazônia

por Raquel Santana

O evento “Guardiões da Amazônia”, organizado pela rede de comunicação livre Casa Ninja Amazônia, foi realizado  nesta quarta-feira (24) e trouxe as falas da líder indígena Alessandra Korap, o agente da Comissão Pastoral do Povo da Terra (CPT) Cosme Capistano e da ativista dos direitos humanos Claudelice dos Santos, com mediação de Raíssa Galvão, editora de redes sociais da Mídia NINJA. A reunião ocorreu de forma virtual através de plataformas de videoconferência.

A primeira convidada a falar foi Alessandra Korap, liderança indígena do povo Munduruku do médio rio Tapajós, do município de Itaituba (PA). Em 2020, Korap recebeu o prêmio Robert F. Kennedy de direitos humanos, pelo seu trabalho em defesa dos direitos dos povos indígenas no Brasil. 

Korap contou sobre sua experiência na defesa da Amazônia, descrevendo os métodos utilizados pelos governos e empresas para desmatar a floresta e dificultar a permanência de povos nativos. “Quando os brancos falam de locais sagrados, como cemitérios e igrejas, em que você não pode construir, eles respeitam esses lugares. Mas não os dos indígenas”, conta.

Dentre os problemas enfrentados pelos povos indígenas citados por Korap, ela também aponta as dificuldades vividas durante a pandemia de covid-19. “Com a pandemia, a gente fala para nossas famílias ficarem dentro das suas aldeias, mas existem os invasores. Como vamos cuidar dos nossos parentes?”, explica.

Em seguida, discursou Cosme Capistano, agente da Comissão Pastoral da Terra (CPT) do município de Boca do Acre (AM). “Em 2020, os fazendeiros se reuniram para planejarem minha morte”, conta o ex-seringueiro que, desde 2009, vem recebendo ameaças de morte. 

Capistano descreve o avanço da fronteira agrícola ao sul do Amazonas e destaca o uso de agrotóxicos para expulsar comunidades. “O que mais vem nos preocupando é o avanço da soja. Com isso, viemos recebendo uma chuva de agrotóxicos muito forte”, explica. “Nós estamos morrendo aos poucos. Tudo com veneno.”

A última convidada a falar foi Claudelice dos Santos, ativista dos direitos humanos e fundadora do Instituto Zé Cláudio e Maria, nomeado em homenagem ao seu irmão, José Cláudio Ribeiro dos Santos, e cunhada, Maria do Espírito Santos, ambos assassinados em 2011. 

Em seu discurso, dos Santos aponta os perigos enfrentados por aqueles que lutam pelos direitos humanos no Brasil e revela o descaso por parte do governo e sociedade civil. “Quando a gente protege a floresta, a gente não está defendendo só a floresta em si, é um modo de vida, é a vida das pessoas que vivem lá”, explica a ativista. “Nós somos resistência, mas precisamos que a sociedade se una junto dos povos e comunidades tradicionais”. 

Os defensores dos direitos humanos e do meio ambiente estão sofrendo repreensão muito, muito forte”. E conta que as ameaças e assassinatos são usadas para assustar aqueles que fazem resistência ao desmatamento da floresta amazônica. A ativista também denuncia tentativas de impedir que vítimas se defendam no campo judiciário. “Diversos advogados que defendem essas pessoas [ativistas] e trabalhadores estão sofrendo perseguição judicial”, explica.

Por fim, o evento foi encerrado com a fala de Raíssa Galvão, que cita diversos projetos de lei  em tramitação no Congresso Nacional, como as P.L. (projeto de lei) 191, 2633 e 5518, que facilitam a ocupação de terras indígenas por grandes empresas, o desmatamento de florestas naturais para o agronegócio e a flexibilização de leis ambientais. 

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