Documentário do rapper Emicida eleva a representatividade negra

por Lorena Regis

O show realizado no Teatro Municipal de São Paulo, em 2019, foi o palco escolhido para o registro do documentário de Leandro Roque de Oliveira, nome do famoso rapper Emicida. O título “AmarElo: É Tudo Pra Ontem” indica o eterno elo de vida entre as pessoas e a luta do povo negro para ocupar espaços nunca alcançados. Emicida destaca a urgência do negro de fazer acontecer, a pressa de estar presente na sociedade, a pressa de pisar em um teatro dominado por brancos, a pressa de lutar por outras gerações.

Diferente de outros documentários do gênero, Emicida transforma o modelo padrão e traça um paralelo entre os bastidores do espetáculo, as filmagens pessoais e uma narrativa em animação sobre a construção da história do negro no Brasil, para qual emprestou a sua voz. Leandro visa resgatar a história positiva invisível do povo negro no país, desconhecida por muitas pessoas. O mix de acontecimentos se soma com os depoimentos de grandes nomes  da música, do teatro e personalidades que lutam pelo antirracismo.

A casa cheia mostra a ascensão musical alcançada pelo rap e, no mesmo ritmo, outro acontecimento histórico acontece dentro e fora do teatro. Um telão é colocado na escadaria da entrada do Teatro Municipal, expondo todo o show e possibilitando que qualquer transeunte vibrasse junto de Emicida. A justaposição do interior do luxuoso teatro com o povo na rua ressalta a igualdade buscada pelo músico.

O rapper Emicida possibilitou muitos artistas, famosos ou não, a participarem do documentário. Muitos pisaram no Teatro Municipal de São Paulo pela primeira vez por conta do longa. As cenas mostram desde o motivo das escolhas dos artistas convidados até a construção das melodias musicais. AmarElo recebe cantores como Zeca Pagodinho, Fabiana Cozza, Mc Tha, a atriz Fernanda Montenegro e ainda o Pastor Henrique Vieira.

De acordo com o documentário, o objetivo do rapper era expandir o álbum e levar o show AmarElo para outros países, mas por causa da pandemia de covid-19, a turnê de 2020 não foi possível. O consolo fica através do documentário. Leandro já faz história como diretor negro ao colocar sua obra em um serviço mundial de streaming, que como consequência proporciona uma maior visibilidade da música brasileira e do rap nacional.

O disco AmarElo, protagonista da filmagem, foi produzido em 2019 e se tornou sucesso do público e das críticas. Recebeu no mesmo ano a premiação de “Álbum do Ano”, no Prêmio Multishow e ganhou o Grammy Latino na categoria de “Melhor Álbum de Rock ou Música Alternativa da Língua Portuguesa”. A música AmarElo, que deu título ao álbum, resgata trechos do cantor Belchior e abraçou Pabllo Vittar e Majur para compor o trio com Emicida.

Disponível na Netflix, o documentário é dividido em  três atos, referenciando as peças teatrais. Os atos são nomeados como Plantar, Regar e Colher. Estrelado no dia 8 de dezembro, o documentário de 89 minutos atinge fãs de todas as idades.

Ficha técnica

Título: Emicida: AmarElo – É Tudo Pra Ontem

Data de Lançamento: 8 de dezembro 2020

País: Brasil

Direção: Fred Ouro Preto

Duração: 89 min

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