“Normal People” aborda jovens em conflito

Por Mabel Freitas

Quando o assunto é adolescência e transição para a vida adulta, o universo cinematográfico possui uma vasta opção de gêneros sobre o assunto. Mas a série adaptada do livro lançado em 2018, “Pessoas normais”, da escritora irlandesa Sally Rooney, foi além de reproduzir clichês e deu vida ao romance de dois personagens que representam exatamente os conflitos internos de um jovem casal nada convencional. Durante a série, é impossível não se identificar com Connell Waldron (Paul Mescal) ou Marianne Sheridan (Daisy Edgar-Joner) em algum momento das nossas vidas. E foi preciso apenas uma temporada para conquistar o coração dos fãs.

A série (assim como e o romance) se passa na Irlanda e, durante os doze episódios da série, podemos acompanhar o desenrolar da vida de Connell Waldron (Paul Mescal) e Marianne Sheridan (Daisy Edgar-Joner). Os jovens estudam na mesma escola, mas fazem parte de perfis diferentes de estudantes. Apesar da inteligência e das boas notas de ambos, Connell é um rapaz bem relacionado que faz parte do grupo popular do colégio, e Marianne é uma jovem excluída e rebelde que não se encaixa no ambiente em que vive. O que os une é o fato da mãe de Connell trabalhar como doméstica na casa da família de Marianne e, a partir dos encontros casuais, os jovens engatam um romance escondido dos colegas de escola e  que não acaba nada bem. 

É no reencontro na faculdade que os estudantes dão continuidade ao relacionamento nada convencional que os acompanha desde o colégio. A série retrata a rotina dos alunos na universidade, a busca por se encontrar no curso escolhido e os agitos da vida social, o que também pode ser um processo difícil para muitos jovens. Na fase adulta, os dois voltam a se separar e seguem por caminhos diferentes, mas eles são ligados pelo afeto e companheirismo que foi construído. Segundo os críticos, a série, de até então apenas uma temporada, foi muito fiel ao livro. Além de diálogos intensos e sentimentos aflorados que contagiam os telespectadores e causam identificação, a série também repercutiu pelas cenas de sexo realistas e sem a superficialidade das representações cinematograficas, 

A estudante de Jornalismo Júlia Duarte leu o livro, acompanhou os episódios e comenta a suas percepções sobre as obras. “Eu comecei vendo a série, por incrível que pareça, e depois eu tive acesso ao livro. Eles conseguem aproveitar o que cada estrutura oferece e acho que essa é a justificativa para eu ter gostado dos dois. São obras que se completam”. A universitária acredita que o livro consegue se aprofundar nos pensamentos e nos motivos que levaram os jovens a tomarem certas atitudes, enquanto a série permite que os telespectadores se apaixonem pelos personagens. “Eles são pessoas extremamente complexas e como o próprio nome fala, são pessoas normais. O grande ponto da obra é isso: essa reflexão de que temos vários defeitos e por isso os dois são apaixonantes e você sente raiva deles, porque você se encontra naquela situação, você acaba colocando as suas experiências nas vivências deles”, acrescenta. 

Além de agradar ao público, a série também agradou  muitos críticos e já recebeu indicações para importantes premiações. O ator Paul Mescal, que viveu Connell em Normal People foi indicado durante o Emmy Awards 2020 como Melhor ator em minissérie ou filme para TV, e Lenny Abrahamson foi uma das indicadas ao prêmio de Melhor direção em minissérie ou filme para TV. 

A série foi lançada em abril pela emissora HULU e pode ser assistida através do Starzplay, assinatura dentro do canal de streaming Prime Vídeo.

Confira o trailer: 

 

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